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Entrevistas
O dono da alfaiataria
03/01/2013 - 17:47:23 Por: Raquel Ayres

Se o assunto é um bom terno, daqueles que conferem centímetros a menos à silhueta abdominal de qualquer um e a mais na altura, o nome é Ricardo Almeida. O estilista é famoso por vestir, com classe, celebridades como o ator Rodrigo Santoro e o ex-presidente Lula em costumes que chamam atenção pela elegância incontestável. As roupas de sua marca são feitas com os melhores tecidos europeus – como o algodão italiano Thomas Mason, usado pela família real britânica – dos quais Almeida não abre mão. Não é exagero dizer que o estilista atua no setor de vestuário de luxo masculino. Dono de expertise e bom gosto, coloca, desde o dia 27, seu talento a serviço, também, das mulheres, já que inaugurou uma flagship de 600 metros quadrados nos Jardins (São Paulo), com um andar destinado a esse público. Sua proposta é levar a alfaiataria a peças como paletós, calças e camisas da mulher contemporânea, que vai do trabalho à festa. Um dia depois de inaugurar sua loja, o estilista deu entrevista exclusiva à Viver Fashion para falar sobre seu olhar a respeito do assunto: moda masculina e feminina.
Não é a primeira vez que você atua no universo das roupas femininas. O que pretende oferecer a este mercado, que já conta com muitas marcas?
A minha proposta para o feminino é a alfaiataria, que vejo em poucas marcas. São camisas que não fiquem abrindo na altura do peito, calças com caimentos diferenciados pelo corte, que não provoquem culotes, ganchos que não apertem.

A que público se destina sua nova loja?
São roupas destinadas à mulher executiva, que pode inclusive sair depois do trabalho, ir a uma festa e estará bem. Pois não dá para ir trabalhar com um decote ou minissaia, por exemplo. O blazer é uma das peças fortes desta coleção e dá credibilidade a quem o usa, mas nem por isto é uma roupa careta. Atendo muitas modelos, artistas, mulheres ativas. Em relação ao estilo das peças, vai das calças flairs até a skinny com modelagem em tecidos como lã fria, viscose. Em relação ao público masculino, meu terno é diferente do que há nas lojas brasileiras. Deixa o homem mais longilíneo, a roupa está equilibrada no corpo, com o paletó que não sobe na parte da frente. São roupas que levam a minha assinatura.

O homem tem evoluído quando o assunto é moda, vestuário?
O homem está mais antenado, sim. E o que me procura vem atrás de uma roupa mais seca, estilo James Bond, que é o perfil da minha marca. Ela deixa o homem elegante, mais magro. Trabalho o slim fit.

Nos últimos anos, como as peças do guarda-roupa masculino se transformaram?
O paletó encurtou. As mangas também ficaram mais secas e as lapelas estreitaram. As calças estão mais justas e a barra também não cai tanto em cima do sapato. Essas mudanças são sutis pois os homens não gostam tanto de mudar. O que não quer dizer que uma roupa mais antiga não possa ser usada.

Qual diferença entre o homem e a mulher quando o assunto é o investimento nas roupas?
A mulher compra mais peças e mais baratas. Ela não procura os melhores tecidos europeus, por exemplo. Quer um corte legal, mas não quer uma roupa que dure 10 anos. Já o homem privilegia a qualidade e repete mais as peças. Tenho, inclusive, clientes que aparecem aqui com ternos de 10 anos. Uma calça masculina Ricardo Almeida está em torno de 1 mil reais. Já minha roupa feminina vai impactar bem, mas não é feita com um super 130 (fios) com seda. Procuro boas alternativas com rayon, lã, poliamida; misturas que proporcionam caimento legal, moderno. Roupas que podem ser usadas por dois anos a até mais.

O que é estilo e qual a importância dele?
É a imagem que você passa para os outros. A partir do vestuário faz-se uma leitura. Quem usa uma roupa mais ousada transmite a ideia de ter essa personalidade. Uma mulher com roupa basicona dá a ideia de uma pessoa mais rápida na postura, na fala, no andar. A gravata pode traduzir certa ousadia pessoal e quem usa o clássico pode ser um pouco mais retraído.

Há muito você aposta nas modelagens secas não só  para as passarelas. É o que as pessoas procuram?
Sempre fiz o que acho legal e gosto de usar. Algumas boas marcas também estão fazendo, mas observo que às vezes os desfiles apresentam certas modelagens que não se encontram nas lojas. Isto é uma decepção.

O que o homem contemporâneo e elegante deve cortar do seu guarda-roupa?
Paletó de ombros largos ou com três botões. Calças com pregas, sapatos de bico quadrado. Mas se estou na rua não fico reparando nada, não, porque senão estarei trabalhando o tempo todo.

O que são peças essenciais para homens e mulheres?
Um costume preto: calça, paletó e o colete, que não é obrigatório. Também a camisa branca, que vai a um casamento. Para eles também sapatos de amarrar,  um bom jeans e camisetas.

Apesar do pretinho básico, as mulheres são mais coloridas nas peças de roupa e ousam mais. E o homem que quiser sair do básico, como pode dar esse passo a mais?
Com o terno cinza, por exemplo, pode usar uma gravata azul turquesa que já dá o tchan na roupa. Também uma camisa de cor diferente; é nos detalhes que o homem vai extrapolar um pouco. Até o terno colorido é permitido, mas aí vai depender do estilo de quem usa.

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