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Escândalos em série
Quem rouba dinheiro público, quem se locupleta, faz tráfico de influência, é tão criminoso quanto quem faz tráfico de drogas, pratica assalto, abusa de uma criança
Texto:Paulo César de Oliveira
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Vamos nós, brasileiros, seguindo nossa sina, escândalo após escândalo. Por estas bandas, abaixo e um pouco acima da linha do Equador, não dá nem tempo de se assimilar um escândalo e já vem outro, pior que o anterior. Dá a sensação de que é coisa combinada. Um após o outro eles vão sufocando a opinião pública e os órgãos que deveriam fazer as apurações. O povo se esquece do anterior e a apuração nunca apresenta resultados práticos.
Já é hora de darmos um basta a esta situação. Se não for por nós mesmos, que seja em defesa das gerações futuras. Até aqui o país tem sido maior que o abismo à sua frente, por isso não cai nele, mas, a continuar assim, uma hora estaremos bem no fundo de um buraco, sem condições de subir.
O maior risco com que ninguém anda demonstrando preocupação é a total desmoralização das instituições. Chegamos ao absurdo de um senador, tido como democrata, sugerir um plebiscito para saber se o povo deseja fechar o Congresso. Não brinquem com o fogo perto da gasolina. Não corram o risco de continuar falando sobre o assunto que o povo, ou alguém com algum poder, goste da ideia. E aí... Esta não será, com certeza, uma solução. A sociedade precisa sair do palavrório para a ação.
Como reclamar da violência que atinge a todos e nos obriga ao confinamento, a viver em casas cercadas por muros altos, fios elétricos, alarmes. Como reclamar uma ação da Justiça contra quem nos assalta, mata nossos familiares e amigos, se somos incapazes de cobrar punição para aqueles que fraudam licitações, usam notas frias para receber verbas, legislam em causa própria, criam diretorias para colocar amigos, fazem escutas clandestinas ilegais, usam o aparelho estatal para piroctecnias e tanta coisa mais.
Quem rouba dinheiro público, quem se locupleta, faz tráfico de influência, é tão criminoso quanto quem faz tráfico de drogas, pratica assalto, abusa de uma criança.
Falta punição a um e a outro criminoso. Não somos tolos ao ponto de acreditar que apenas nós, brasileiros, somos assim. Que apenas por estas bandas existe a Lei de Gerson, com as pessoas querendo levar vantagem em tudo. O homem é assim. O mundo é assim. Só que, nos países mais avançados, não economicamente apenas, o crime resulta em punição, ao contrário daqui.
Aqui, arrumamos desculpas para não punir. Protegemos os criminosos comuns, rotulando-os de vítimas da miséria, como se todo pobre fosse marginal. Protegemos os que grilam terras, fazem desmatamentos, dizendo que agem em nome da expansão da produção. Protegemos os ditos movimentos sociais que invadem propriedades, destroem bens, acusando os que cobram maior rigor contra estes atos de estarem tentando criminalizar os movimentos sociais, como se a eles fosse dado o direito de praticar crimes. Os que defendem rigor, não querem criminalizar movimentos. Querem punições para ações criminosas desses movimentos.
E assim vamos tocando nossas vidas, alguns tentando contornar a lama, outros entrando nela de terno e gravata, fardas, batinas, vestido, calça comprida, com discurso impoluto ou com a fala mansa da malandragem. Até quando, eis a questão!
Certamente até quando resolvermos agir e reagir. Democraticamente.
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