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O capitalismo tem conserto?
Na hoje deserta ilha de Páscoa, grupos humanos competiam entre si pela glória de colocar de pé a estátua mais alta. Na labuta, destruíram as matas e a produção local de alimentos. Cometeram ecocídio.
Texto: Eduardo Fernandez Silva
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Todos os líderes mundiais buscam uma solução para retomar o crescimento do PIB. É este o caminho?
O PIB cresce mais quanto mais cara é a opção adotada: uma cesariana faz o PIB crescer mais que um parto normal; deslocar-se de carro faz o PIB crescer; a pé, não; exercitar-se no parque não cresce o PIB, mas na academia sim. Produzir mais alimentos também contribui para o crescimento do PIB, mas não é por falta de alimentos que existe a fome. O PIB é uma falsa medida da renda. Não obstante, obter o mais elevado PIB per capita tornou-se o objetivo maior dos governos.
Na hoje deserta ilha da Páscoa, grupos humanos competiam entre si pela glória de colocar de pé a estátua mais alta. Na labuta, destruíram as matas e a produção local de alimentos. Cometeram ecocídio. Na minúscula ilha de Tikopia, status era comer carne de porco, até que a população percebeu que, para produzir 1 kg de carne, cada suíno comia 9 kg de vegetais essenciais aos humanos. Decidiram, no século XVII, matar todos os porcos e evitaram o ecocídio.
A busca pelo PIB mais elevado, pelo edifício mais alto, pelo carro mais chique, ou por outros símbolos abstratos, caracteriza nossa sociedade, assim como a destruição do meio ambiente. Esta, realizada com a ajuda de equipamentos muito mais poderosos do que dispunham os pascoenses.
A destruição do hábitat leva à crescente escassez dos meios de sobrevivência, tornando as disputas pelas sobras cada vez mais ferozes. Isso ocorre entre todos os animais, inclusive os humanos. No processo, os mais carentes migram para onde residem os menos necessitados, em busca de maiores chances de sobreviver. Construir cercas para evitar a migração, como entre os EUA e México, a Espanha e África, a mata do Leblon e a favela da Rocinha, ou entre a Índia e Bangladesh, são medidas fadadas ao fracasso. Nem a muralha da China resistiu!
Evitar o ecocídio exige abordagem diferente. Teremos, como em Tikopia, de redefinir os símbolos de sucesso e os processos de produção. Qualquer ação mais tímida continuará a comprometer o futuro. Eventualmente, deveremos ver anúncios motivando a população a não comprar um carro novo ou uma TV de última geração, mas a consertar e preservar os antigos.
Estamos longe disso, e não nos resta muito tempo. A elevação do nível dos mares, em razão do aquecimento global, tem sido mais rápida do que todas as previsões realizadas há poucos anos.
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