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PolÍticaS
O ângulo de Jô
A deputada federal Jô Moraes abre as portas de seu gabinete (e de seu coração) para a Viver Brasil
Texto: Márcia Machado | Fotos: Adriano Machado
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Do gabinete onde trabalha, em Brasília, a deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) tem uma bela vista da praça dos Três Poderes. A janela do 3º andar do anexo IV da Câmara dos Deputados lhe permite ver o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. É ali que ela elabora boa parte de suas intervenções políticas: projetos, discursos, audiências, enfim, toda sorte de ações que o político precisa ter para estar à frente de uma representação popular. A vista privilegiada do gabinete também permite à deputada enxergar o que está além do belo visual traçado por Oscar Niemeyer: a tumultuada relação entre o Legislativo e o Executivo
. “A aliança (com o PMDB), que no primeiro mandato do presidente Lula era para assegurar a governabilidade, passou a determinar os rumos do governo no segundo mandato”, avalia.
Ao optar pelo PMDB, segundo a deputada, o governo colocou a aliança para 2010 num patamar mais alto do que a construção de programa de governo mais avançado para os próximos dois anos. Mas ela também acha que uma vitória daqui a dois anos vai depender da aliança com os partidos de esquerda. “A militância só será motivada se o candidato apresentar um programa que represente avanços. Um nome por si só não resolve.” Mas, nessa disputa de forças entre PT e PMDB, Jô deixa claro de que lado está. Fiel ao governo Lula a quem ela atribui grandes avanços na política internacional, no salário mínimo e nas reservas cambiais acha que a História deu ao PT a responsabilidade de fazer a mudança, mas que o partido foi tímido. “Lula iniciou o processo. O problema é que ele manteve a política macroeconômica conservadora que dificulta o desenvolvimento do país.”
Pelos corredores da Câmara, Jô Moraes anda de lá pra cá com passos miúdos e rápidos, atendendo a dois telefones celulares que tocam com frequência. Nesse ritmo ela vai dando a linha do mandato que ela própria chama de multitemático devido aos mais variados assuntos com que lida: crise financeira, ciência e tecnologia, direitos trabalhistas, seguridade social... e assim vai. Agora, se o assunto diz respeito aos direitos da mulher, a contribuição que a deputada dá à causa tem enfoque bem diferenciado das feministas sisudas de tempos atrás. Ela gosta de discorrer sobre a vida real da mulher moderna: aflições, busca do amor, problemas do casamento, sexualidade, maternidade, culpa. Não que ela deixe de defender os direitos do gênero. Muito pelo contrário: é dela, por exemplo, a emenda que aumentou de 5% para 10% o número de vagas para mulheres no Corpo de Bombeiros e na Polícia Militar.
Mesmo com pouco tempo para administrar as diversas atribuições que assumiu ao longo de seus 52 anos como mulher, política e mãe de dois filhos, Jô não abre mão da vida extrapauta. Em Brasília, quando está de folga, gosta de sair com os amigos, uma roda política-etílica que, como ela, quer ser feliz além do parlamento. E se engana quem pensa que eles vão para os tradicionais restaurantes da cidade frequentados por políticos e jornalistas. Não, eles vão para os bares da capital onde tem cerveja gelada e um bom petisco. “Gosto de estar bem, resolvida, faço questão de ser feliz”.
E felicidade para Jô Moraes é também subir em palanque, conversar com o povo, ouvir a voz dos excluídos. Quando tentou ser prefeita de Belo Horizonte com pequena estrutura partidária e pouco dinheiro conseguiu dar o seu recado e assustou os adversários ao liderar durante 50 dias as pesquisas de intenção de voto. Seis meses depois da disputa, a deputada comenta a coligação PT-PSDB que levou Marcio Lacerda à vitória. Diz que enquanto os tucanos continuam unidos e firmes com seus aliados, o PT está dividido e sem parceiros. E quanto ao futuro político, a deputada não faz projeções. Demonstra apenas que segue feliz.
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