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Butecoterapia

Participantes assíduos do festival Comida di Buteco são unânimes: não há nada melhor que um barzinho, cerveja gelada, aquele tira-gosto e um bate-papo com os amigos.

Texto: Vanessa de Cobucci| Foto:Pedro Vilela
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Segundo estimativa da Asso­ciação Bra­sileira de Bares e Restaurantes, seção Minas (Abrasel-MG), Belo Horizonte congrega mais de 11 mil bares. A justificativa para expressivo núme­ro encontra-se em um tempero subjetivo e imaterial. De lu­gar originalmente popular, os bares atraem cada vez mais frequentadores, de empresários, altos executivos, profissionais liberais a gente des­colada. Prin­ci­pal­mente durante o festival Comida di Buteco, evento que chega a sua décima edição em 2009 e já se incorporou no linguajar (e no degustar) dos botequeiros de plantão de BH.

Afinal, ir a bares tornou-se parte da cultura mineira. É o que avalia o publicitário Edgar Teixeira Ruas Filho um dos frequentadores assíduos do Comida di Buteco. Segundo Edgar, o festival atendeu à demanda reprimida. “Virou hábito usar o guia para fazer um roteiro personalizado. Pratos exóticos atraem mui­to, mas o diferencial é o proprietário. É como se fosse a extensão da casa dele, o que nos dá a sensação de uma agradável sala de visita,” celebra Edgar.

A empresária Renata Regina Martins é outra botequeira de mão cheia. Ela e as amigas adoram escolher os locais que vão percorrer durante o festival e de palpitar sobre a decoração inusitada de banheiros, pois o concurso artístico é atração a mais. “O Bar do Véio, por exemplo, tem um banheiro excelente.”

A moda cult dos bares também seduziu o médico do trabalho e clínico geral Jacó Lampert, gaúcho de Santa Maria, que há 26 anos adotou a capital para viver. “Os amigos da residência médica me apresentaram alguns bares da cidade. Sozinho, fui a muitos lugares, em busca de novidades.” Lampert enturmou-se tanto que fez amizade com dezenas de donos de bares, tornando-se fiel frequentador do Comi­da di Buteco desde a primeira edição. Chegou até a degustar pratos experimentais antes de constarem no concurso. Na opinião do médico, existe uma filosofia própria dos botequins mineiros, uma gentileza democrática que seduz e conquista porque é peculiar. “Há ótimos bares no Rio, Niterói, em Salvador e até em Madri. Porém, em Belo Horizonte, é diferente. Minha esposa e filhos vão comigo. O clima é familiar e saudável, reforçado pelo carinho dos donos com a clientela.”

O médico lamenta a coincidência de datas de um congresso internacional de saúde pública, na Tur­quia, que vai mantê-lo ausente do festival Comida di Buteco 2009 por uns dias. “Terei de reduzir meu roteiro”, diz. Ele justifica o porquê de butecar só ser conjugado no plural. “É hábito da turma ligar um pro outro e marcar encontro em um lu­gar”, avalia Lampert. Portanto, nós butecamos. Aos que ainda não aderiram, um dia, butecarão.

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