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Apenas uma marolinha
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O pouso suave da economia

Caso se retome o crescimento da economia sem lhe alterar, a crise ambiental nos atingirá com tal força que o atual tsunami da crise econômica parecerá apenas uma marolinha

Texto:Eduardo Fernandez Silva
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Há anos, economistas já diziam que o rápido crescimento recente da economia mundial não era sustentável e cairia. A questão era se seria um pouso suave ou não. Aqueles que previram uma crise mais forte foram chamados de agourentos. Hoje, vemos que tinham razão.

Há anos, especialistas vêm dizendo que o planeta não suporta nem o estilo nem o ritmo de crescimento econômico recente,  muito menos a generalização, para as pessoas mais pobres, do estilo de vida médio vigente nos países ricos. Isso porque, simplesmente, a Terra não tem água, nem petróleo, nem madeira, nem capacidade biológica de processar os lixos tóxicos que poluem o ar, a água, o solo e o subsolo, e que são inevitáveis para produzir tal estilo de vida! Muitos ainda chamam esses especialistas de agourentos, como se dizia dos que previam a crise da economia.

Não obstante a advertência e os claros sinais que a corroboram, muitos ainda buscam, como solução para a crise econômica, algo que ressuscite o sistema bancário e possibilite a retomada do crescimento econômico. A promessa é que, no futuro, todos terão o padrão de vida dos países ricos”. Promessa falsa, pois impossível de ser cumprida.

Ao invés de se buscar um novo sistema financeiro, que dê contribuição efetiva para solucionar, simultaneamente, as crises ambiental, do sistema econômico e, principalmente, a da (falta de) qualidade de vida da maioria da população, busca-se ressuscitar as instituições financeiras hoje na UTI do dinheiro público.

Justifica-se tal estratégia com o argumento de que ela permitirá retomar empréstimos para que os consumidores comprem cada vez mais para que as empresas produzam cada vez mais e gerem empregos. Retomar a antiga trilha em busca da falsa promessa significa, principalmente, desconsiderar a advertência cada vez mais insistente e com provas cada vez mais veementes – de que, já hoje, os humanos consomem mais recursos do que a Terra é capaz de oferecer.

O debate tem que ser redirecionado. Considere-se, por exemplo, que já foram injetados nos bancos cerca de 7 trilhões de dólares, e os analistas estimam que pelo menos mais uns três ou quatro serão necessários. Se este dinheiro fosse dividido entre as 700 milhões de famílias que compõem a metade mais pobre da atual população de humanos, cada uma receberia o valor equivalente a 14,2 mil dólares. Os problemas da pobreza e do desemprego seriam resolvidos rapidamente.

O absurdo do número ressalta o devaneio da busca de solução por meio de uma estratégia de comprar, comprar, comprar e comprar; há que se mudar o estilo de vida.

Caso se retome o crescimento da economia sem lhe alterar, profundamente, o estilo, o método e os objetivos, a crise ambiental já anunciada e que se avoluma a cada segundo nos atingirá com tal força que sim o atual tsunami da crise econômica parecerá apenas uma marolinha.

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