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Qualidade de vida
Buda no aconchego do lar

Você já pensou reservar um tempo diário para meditar em casa? Saiba o passo-a-passo e os benefícios da prática.

Texto: Nayara Menezes | Fotos: Daniel de Cerqueira
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Esvaziar a mente; aquietar pensamentos e emoções; expandir a consciência, relaxar, conhecer-se. Essas são algumas das várias interpretações e finalidades da meditação. São inúmeras as linhas e correntes, assim como os benefícios que a prática traz. A tradição milenar já faz parte do dia-a-dia de milhões de pessoas nos países orientais. Mas também aqui no ocidente, ela vem conquistando uma multidão de adeptos.

Celebridades como Richard Gere, Madonna e Gisele Bündchen contribuem para sua divulgação. Estudos científicos sugerem que a meditação é capaz de curar diversos males, como ansiedade, hiperatividade e até depressão. Pesquisas comprovaram que a massa cinzenta de pessoas que aderiram à prática há mais de cinco anos é mais densa que o normal. Como se não bastasse, o homem mais feliz do mundo, segundo estudo norte-americano divulgado pelas revistas Time e National Geographic, é o monge indiano Mingyur Rinpoche, praticante e um dos maiores divulgadores da arte de meditar.

Mas afinal, qual o segredo dessa prática quase milagrosa? Para desvendar os mistérios desse universo, a Viver Brasil ouviu três especialistas no assunto: Gustavo Mokusen, monge zen budista, Otávio Rodrigues, instrutor de swásthya yôga e Ricardo Sasaki, professor de Dharma e cursos de meditação. Eles são de diferentes correntes e linhas e, por isso, têm preceitos e recomendações distintas sobre a meditação. Mas para facilitar a compreensão do leitor, elegemos as principais dicas de cada um e elaboramos um manual único de meditação para o iniciante. Aqueles que têm a intenção de se aprofundar na prática devem pesquisar sobre cada corrente e, em seguida, escolher a sua. Quem quer experimentar e usufruir dos benefícios e do bem-estar propiciados pela técnica milenar pode começar seguindo as instruções na página seguinte.

Passo-a-passo

  • 1 Qualquer um pode praticar meditação, basta reservar um tempo para a atividade. O ideal é no início da manhã ou no final do dia
  • 2 Escolha um local apropriado: recluso e quieto
  • 3 A iluminação deve ser reduzida,  meia-luz, com penumbra ou velas
  • 4 Incensos ou purificadores de ar e imagens sagradas, como de Buda, podem ajudar na ambientação, mas não são obrigatórios 
  • 5 Algumas correntes sugerem uma música ambiente e a concentração em um som ou a fixação do pensamento em um símbolo ou mantra. Já outras, como a escola Theravada e a Zazen não indicam música, sugerem a concentração no processo respiratório  
  • 6 Sente-se numa postura confortável, com coluna ereta, sem encostar-se em nada. Você pode usar uma almofada, um colchão ou mesmo uma cadeira; As mãos devem ser repousadas sobre as pernas, com os polegares unidos
  • 7 Mantenha os olhos fechados ou, se preferir, abertos fixados em uma parede branca, como recomenda a meditação Zazen
  • 8  Respire naturalmente, apenas observando o processo respiratório.  Dê preferência à respiração abdominal, suave; não tente controlá-la ou mudá-la
  • 9  Quando sentir que a mente está estável, torne-se consciente de todas as sensações, emoções e pensamentos que chegam
  • 10 Não tente controlar, mudar ou interferir com a mente. Simplesmente observe o que chega à sua atenção. Deixe os pensamentos virem e irem, sem se apegar a eles. Se sua mente começar a divagar muito, traga-a gentilmente de volta centrando na respiração
  • 11 A partir desse momento, pode-se dizer que se entra no estado meditativo, lembrando que isso é uma questão de tempo e treinamento

* Os tempos variam de acordo com cada tipo de meditação. Para a escola Theravada, pode-se começar com 20 minutos, mas o ideal seria dedicar ao menos uma hora por dia. Já de acordo com o swásthya yôga, pode-se começar com um minuto e evoluir até no máximo 20. Já a meditação Za zen dura exatamente 40 minutos. No entanto, iniciantes podem começar com 20 minutos

Objetivos

  • Não se pratica meditação esperando algo em troca, os benefícios são consequência do ato. No entanto,  praticantes garantem que habilidades como concentração, tolerância e paciência passam a ser exacerbadas. Ao meditar, a pessoa vai se iluminando, se harmonizando, treinando a idéia do desapego, um dos principais objetivos da prática
  • O que se entende por esvaziar a mente é o fenômeno da parada das ondas mentais, por meio da qual se deixa de pensar e passa-se a intuir. Nesse momento, se deve esquecer o passado e não se preocupar com o futuro. Não dar espaço a pensamentos ruins. Se eles vierem, deixar que passem naturalmente, sem se apegar a eles
  • Essa simples observação de tudo aquilo que surge e desaparece em nossos pensamentos, sem controlar ou manipular a mente, sem julgar ou questionar, leva-nos à percepção de que nossas vidas são impermanentes e insubstanciais

Fontes: Ricardo Sasaki, professor de Dharma e meditação, Gustavo Mokusken, monge zen budista e Otávio Rodrigues, instrutor de swásthya yôga.

Nas escolas

  • O estado do Rio pode incluir a meditação no currículo das escolas a partir de 2009.
    O projeto, uma parceria entre a Secretaria de Estado de Educação e a Fundação David Lynch, prevê 30 minutos de meditação por dia para sete mil alunos da rede pública.
     O cineasta, que esteve em passagem pelo Brasil recentemente, quer divulgar os benefícios que a prática pode proporcionar às pessoas. Para Lynch, a meditação acabaria com o estresse entre os jovens e livraria o país da violência.

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