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ESPECIAL
Deliciosa tríade
Três dos mais badalados e sofisticados restaurantes da capital mineira são comandados pelos uruguaios Motta e Rattner, precursores da alta culinária em BH.
Texto: renata turra | Fotos: pedro vilela
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Quando os uruguaios Fernando Areco, ou simplesmente Motta, como é conhecido, e Jorge Rattner decidiram abrir um restaurante em Belo Horizonte, em 1981, não imaginavam o quanto essa experiência marcaria os caminhos da alta gastronomia na cidade. Nessa época, Motta, que tinha se mudado da Argentina para o Brasil em 1976 para ser empresário do Grupo Corpo, decidiu que queria seguir a carreira do pai, famoso proprietário de restaurantes em Punta del Este e Montevídeu.
De um re-encontro, em Buenos Aires, com o amigo de adolescência que estudava na Inglaterra surgiu o Café Ideal, casa sofisticada que ficou famosa pela introdução de conceitos de culinária e de atendimento da nouvelle cuisine até então inexistentes na capital mineira. O cardápio revolucionou por servir, em pratos individuais, o que naquela década ainda eram consideradas excentricidades como escargô, ostras frescas, steak au poivre, magret de pato, endívias e até, pasmem, kiwi, uma iguaria que era oferecida ao creme de chantilly, como sobremesa.“Garçons com aventais compridos servindo vinhos e champanhes em taças também eram novidade”, lembra Motta.
Satisfeitos com o resultado, o restaurante logo se tornou sucesso entre apreciadores de bom paladar, os sócios trataram de incrementar o negócio. Começaram a organizar festivais gastronômicos com chefs franceses e de outros locais que apresentavam os últimos lançamentos da culinária internacional. Na esteira desse sucesso inauguraram o Cafezinho, com uma proposta de ambiente mais descontraído, porém cheio de inovações. “Foi o primeiro restaurante de Belo Horizonte com DJ e lounge”, comenta Motta.
Hoje, Café Ideal e Cafezinho não existem mais. Sua herança está marcada, porém, em três dos mais consagrados restaurantes da cidade Splendido, A Favorita e La Victoria. Com a tríade, Motta e Rattner (que, haja fôlego, comanda de forma impecável as três cozinhas, cada uma com seu chef executivo) confirmam o que vêm mostrando há 27 anos. Eles nasceram para o ramo. Na Favorita, espaço que Motta considera o mais democrático de todos o cliente pode se sentar para um jantar completo ou apenas para tomar chope na varanda , os pratos são elaborados seguindo as receitas originais. “Um filé à Rossini, por exemplo, é feito como antigamente, com fois gras fresco”. Lá é possível saborear comidas que mesclam influências como as da gastronomia peruana e da costa oeste dos Estados Unidos, frutos de anos de estudo, viagens e pesquisas feitas por Rattner. A carta de vinhos do restaurante, hoje com 100 rótulos disponíveis, promete surpreender. “Vamos passar para 200 rótulos selecionados tanto entre grandes vinhos de países produtores tradicionais como dos menos conhecidos como Líbano, Grécia, África do Sul, Nova Zelândia e Austrália”, informa Motta.
No Splendido, o mais antigo dos três estabelecimentos, o ambiente já dá uma dica do que sai da cozinha. Com decoração tradicional e requintada, como os pratos, que fundem um pouco da culinária italiana e francesa, a casa é frequentada, no almoço, principalmente por executivos e políticos. À noite, entretanto, amplia o leque, e recebe casais para jantar romântico e famílias em busca de belo e sofisticado cardápio. Para estes, uma salada de magret de pato defumado, rúcula selvagem e manga caramelizada no vinagrete de pesto e balsâmico pode ser uma boa entrada. Como prato principal, risoto de vieiras, presunto de parma e aspargos aos aromas cítricos é a sugestão do chef.
Se na Favorita e no Splendido os empreendedores chegaram à combinação perfeita entre culinária de altíssimo padrão e atendimento de primeira, no La Victoria eles uniram um terceiro ingrediente. É lá que praticam toda a experiência que trouxeram do país de origem no preparo de carnes nobres, feitas no sistema de parrillas como as de Montevidéu e Buenos Aires. Junto com um terceiro sócio, também uruguaio, oferecem cortes que são assados lentamente na brasa, alimentada com lenha de eucalipto. “A carne é assada apenas pelo calor da brasa, e ganha textura mais tenra e suculenta por dentro”, explica Motta, expert no assunto. A maior parte dos produtos é importada da Argentina e, claro, do Uruguai.
Sugestão do proprietário:
A Favorita
- Cavaquinha grelhada com risoto de tomate (prato principal)
- Corneto ao mascarpone com frutas vermelhas (sobremesa)
Splendido
- Risoto de vieiras, presunto de Parma e aspargos aos aromas cítricos (prato principal)
- Suspiro de praliné ao creme de doce de leite com frutas tropicais (sobremesa)
La Victoria
- Um dos cortes de carne nobre à escolha do cliente assada na parrilla
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