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Mulheres, a luta continua
As mulheres são mais da metade da população brasileira, mas ocupam apenas 10% das cadeiras no Congresso Nacional
Texto:Paulo César de Oliveira
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Este mês o mundo vai referenciar a mulher. Oito de março é o Dia Internacional da Mulher. Mais do que de homenagens este deve ser um dia de reflexão. Aliás, foi este o intuito daqueles que, em 1910, decidiram transformar a data de uma tragédia, num dia dedicado à discussão sobre o papel da mulher na sociedade mundial.
A escolha do 8 de março, não custa repetir, foi uma forma de perpetuar a lembrança de 129 tecelãs de Nova Iorque, queimadas vivas dentro da fábrica, pelo crime de reivindicarem melhores salários e condições de trabalho para as mulheres. Elas então trabalhavam 16 horas por dia e seus salários representavam um terço do que era pago aos homens.
Foram anos, séculos de luta, mas a mulher vem conquistando seu espaço. Ainda há avanços a serem feitos, mas a realidade feminina é outra. Já são vários os setores do mercado de trabalho dominados por elas. Há grandes empresas comandadas por mulheres. Tradições e preconceitos são rompidos a cada dia, abrindo mais os espaços para elas que, não tem tanto tempo assim, eram chamadas de representantes do sexo frágil.
Mas como o 8 de março não foi pensado como um dia de homenagens e adulações, mas como de reflexões, queria colocar um tema na roda de discussão: a ausência ou a presença mínima da mulher na vida política mundial e, muito especialmente, no Brasil, onde essa ausência é mais acentuada.
Elas são mais da metade da população brasileira, mas ocupam aproximadamente 10% das cadeiras no Congresso Nacional apenas. Dos 27 estados brasileiros, apenas três são governados por mulheres. Dos mais de 5 mil municípios, perto de 500 apenas são comandados por elas. No Supremo Tribunal Federal, levaram mais de um século para entrarem. Hoje são duas, num colegiado de 11 ministros. A Presidência da República nunca ocuparam nem interinamente.
Em Minas já tivemos uma vice-governadora, mas a Assembléia nunca elegeu uma mulher para a sua presidência. A Câmara de Belo Horizonte, pela primeira vez, escolheu uma vereadora para presidir a mesa diretora. O Rio Grande do Sul tem uma mulher como governadora, a ex-deputada Yeda Crusius, muito criticada no início da gestão.
E não se diga que à mulher falta competência ou capacidade de liderança. Prova é que muitos ministérios, muitas secretarias por este Brasil afora, muitos cargos importantes na administração pública estão sob o firme comando de mulheres.
Parece que o que falta a elas é apetite para a disputa eleitoral. Basta ver a dificuldade que os partidos têm para preencher a cota que precisam em suas chapas com candidaturas femininas. Na grande maioria dos casos, não conseguem encontrar mulheres dispostas a enfrentar as urnas. Mas, por qual razão, sendo maioria da população e do eleitorado, no caso brasileiro, elas ocupam tão pouco espaço na política? Dizem as que se arriscaram e até saíram vitoriosas em disputas para o Legislativo, que a grande dificuldade é convencer a mulher em votar em mulher. Daí porque poucas conseguem ser eleitas. É, pode ser!
Mas esta é uma explicação que, no entanto, não justifica o desinteresse ou a omissão. Afinal, foi árdua a luta de muitas para que, em 1932, a mulher ganhasse a condição de cidadã, podendo votar livremente. Fica o tema para o debate. E mesmo não sendo o 8 de março um dia pensado para ser de homenagens, ficam nossa homenagem e nosso respeito a todas as mulheres.
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