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POLÍTICA
O mundo todo a seus pés?
O surgimento de novas lideranças mundiais depende da eficácia dos atos de cada uma delas principalmente no campo internacional
Terezinha Moreira
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para redacao@revistaviverbrasil.com.br

As crises econômicas mundiais, por serem sistêmicas, têm papel fundamental na derrocada ou no surgimento de novas lideranças. Tudo vai depender dos resultados alcançados e dos reflexos de seus atos – em tempos de economia globalizada – não somente em seu país, mas no mundo. A atual crise, iniciada há dois anos nos Estados Unidos arranhou a imagem do ex-presidente George W. Bush, mas poderá também ser a confirmação de Barack Obama como um grande líder mundial.
O professor de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), João Paulo Cândia Veiga assegura que o grande teste atual é identificar o tipo de liderança de Obama. “Ele parece reunir vários elementos carismáticos, mas ainda não sabemos a extensão de sua liderança burocrática para tomar decisões e processá-las para atingir os resultados esperados. Isso ainda é uma incógnita”, opina. Para Veiga a crise poderá abalar a popularidade do presidente dos EUA, pois é muito grande a expectativa de mudança em torno dele.
“Se Obama se mostrar um chefe de Estado mais tradicional do que a expectativa de seu eleitorado, é possível que haja decepção com seu governo.” A opinião é compartilhada pelo também professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UNB), João Paulo Peixoto. “A grande expectativa criada em torno do Obama não é algo bom porque se suas ações não derem resultados mais imediatos será grande a decepção”, pondera.
João Paulo Veiga diz que as crises exigem um tipo de liderança que mistura capacidade de tomar decisões com certa rapidez – às vezes, até mesmo à revelia de processos institucionais –, percepção de risco e sentido estratégico que faz o líder olhar para além das circunstâncias e dificuldades, e claro, coragem para contrariar interesses constituídos. “As ações e decisões políticas precisam trazer resultados”, resume. Diante destas circunstâncias, para Veiga, quem começou a se destacar antes do início da atual crise foi o presidente da França, Nicolas Sarkozy. “Ele tem feito inserções bem-sucedidas no campo político diplomático ao atuar na guerra da Rússia x Geórgia, tendo conseguido acordo com certa rapidez; e fez incursões no conflito árabe-israelense na faixa de Gaza”, justifica o cientista político da USP. Para o mestre em Relações Internacionais e professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/MG), Ricardo Ghizi Corniglion, Sarkozy está aproveitando o vácuo do poder nos Estados Unidos, com a mudança de comando do país, para mostrar liderança, e que a Europa dá melhor resposta à crise do que os norte-americanos.
Para Corniglion, a condição para o aparecimento de novos líderes globais é a força econômica de seus países. No contexto atual, Brasil, Rússia, Índia e China (Brics) se destacam. “A China caminha para ser a maior economia do mundo; a Rússia é o maior produtor de petróleo, gás e carvão mineral e a segunda maior potência militar; a Índia tem grande mercado consumidor e a vantagem de a população falar inglês; e o Brasil já é uma grande liderança ambiental, no comércio de commodities agrícola e mineral, tem força de paz em alguns países, é grande produtor de biodiesel e etanol e na área financeira passou da condição de devedor para credor internacional”, analisa. Mas falta ao país, urgentemente, reaparelhar suas forças armadas, pois à medida que se desponta como liderança mundial torna-se cada vez mais visado.
Já João Paulo Veiga considera que o presidente Lula tem carisma inigualável, mas sua liderança ainda não está associada à capacidade de encaminhar e resolver problemas internacionais. “O Lula é uma liderança importante regional e mundial, como se fosse uma espécie de porta-voz do mundo em desenvolvimento, ligado à agenda social. Não é uma liderança de buscar resultados. Neste campo não foi bem-sucedido, nem mesmo na América Latina.” Pode ser que a crise econômica ainda promova algum chefe de Estado à liderança internacional, mas isso só o tempo e suas ações dirão.
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