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Nem tanto ao mar...

Cinco mortes em um mês durante cruzeiros marítimos. No entanto, o problema parece estar muito mais em terra firme do que nos transatlânticos.

Lilian Lobatto
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A onda de mortes ocorridas nas últimas semanas em cruzeiros marítimos pela costa brasileira já acendeu o sinal de alerta em consumidores e agências de turismo. Foram cinco mortes em um mês, e a última foi da mineira Jane Lúcia Alves, 58 anos, no dia 24 de janeiro. A suspeita é de que ela tenha tido uma intoxicação alimentar. Para o setor que mais cresce no turismo brasileiro ficam algumas perguntas: afinal, cruzeiros marítimos são seguros? De quem é a culpa pelas mortes? O que fazer para evitar problemas?
No dia 19 de dezembro morreu a estudante de direito, Isabella Negrato, 20 anos. O laudo divulgado pelo Instituto Médico-Legal (IML) de São Paulo indicou que a jovem foi vítima de asfixia por aspiração do próprio vômito. No dia 5 de janeiro, Aline Mion Almeida, 32 anos, morreu a bordo do navio MSC Sinfonia, em Pernambuco. Ela era portadora de distrofia muscular degenerativa e ainda não há laudo sobre as causas da morte.

 Quatro dias depois, a gaúcha Clony Resende, de 74 anos, morreu enquanto fazia o check-out do navio no Porto de Santos, vítima de uma parada cardíaca. No dia 16 de janeiro, contaminado por um tipo de meningite, o empresário Diego Mendes Oliveira, 26 anos, morreu a bordo do navio. Por fim, no dia 24 de janeiro, após passar mal em um navio de Montevidéu, no Uruguai, a mineira Jane Lúcia Alves Botelho morreu em um hospital de Balneário Camboriú (SC).

 Há relação direta entre os cruzeiros e as mortes? Para o anestesiologista, mestre em farmacologia e médico legista, José Roberto Rezende, não. Segundo ele, que já fez diversos cruzeiros nacionais e internacionais, as circunstâncias se deram no navio, mas já existiam antes desses passageiros embarcarem. “Não foi o fato de estar no navio que levou as pessoas ao óbito. O atendimento médico não é precário e oferece toda infraestrutura de primeiros socorros, suporte básico à vida”, afirma.

É o que também acredita a dona da agência ARC Turismo, Carolina Tolentino. Para ela, que já fez cruzeiros marítimos e nunca precisou de atendimento médico a bordo, é importante que as pessoas que possuem algum problema de saúde procurem um médico antes de embarcar, para saber se realmente podem fazer a viagem. Carolina afirma que o cruzeiro marítimo é como um hotel cinco estrelas ambulante, com ótima infraestrutura e organização. Opinião essa semelhante à da turista Ro­sângela Lemos Queiroz. Ela que fez um cruzeiro pelo litoral brasileiro, partindo de Santos, passando por Búzios, Salvador, Ilhéus e Angra dos Reis, e pretende fazê-lo novamente. “Foi a primeira vez que fui e gostei muito. Bom atendimento e muito conforto”, conta. Entretanto, segundo Rosângela, o atendimento médico é precário e o valor da consulta é de 260 reais por pessoa, caso esteja dentro do horário estipulado pela organização.  Se não, existe um valor adicional.

No entanto, esse custo pode ser eximido, caso o passageiro possua seguro médico. É o que conta Alfredo Sazi, dono da agência SS Viagens e Turismo. Segundo ele, que já fez cruzeiros nacionais e internacionais, nesse caso, a pessoa pagaria a despesa do atendimento e após a viagem seria reembolsada pelo seguro. “O ambulatório possui um médico 24 horas por dia. Sofri uma insolação na Grécia e fui muito bem atendido”, afirma.

O que fazer, então, para garantir uma viagem segura? Prevenção. Esse é o foco da organização do cruzeiro marítimo, acredita Alfredo. De acordo com ele, existe uma preocupação com os procedimentos de limpeza e higiene do navio e dos seus tripulantes. “Na porta dos restaurantes, eles estão sempre entregando lenços umedecidos com álcool para que as pessoas limpem as mãos”, conta.

De acordo com a Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar), os cruzeiros marítimos que chegam ao Brasil obedecem a rígidas regras, controles e imposições de organismos internacionais, como o International Maritime Organization, com sede em Londres, que mantém um programa de controle médico e sanitário para passageiros de navios, e o American College of Emergency Physicians, nos Estados Unidos, organismo que edita um guia com os cuidados e a estrutura de atendimento aos usuários de cruzeiros.
A expectativa da Abremar é de que ocorra um crescimento de 25% do turismo em cruzeiros marítimos com relação à temporada anterior. Segundo a associação, espera-se que sejam transportados mais de 500 mil turistas na temporada 2008/2009 (que começou em novembro e se estende até abril), 100 mil a mais que no ano passado. 

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