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A crise, por outro ângulo
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Está em cartaz um filme carregado de mensagens políticas e filosóficas. E o alienígena, protagonista do filme O dia em que a Terra parou, logo ao chegar à Terra manda uma dura mensagem aos humanos: se continuarem sendo uma ameaça à própria Terra e a outros planetas, toda a raça humana deverá ser eliminada. Somos responsáveis por alterar o clima do planeta, conforme nos atesta o cientista Paul J. Crutzen, vencedor do Prêmio Nobel de Química de 1995, por seu trabalho sobre a diminuição da camada de ozônio.
A analogia que faço com o filme mostra-nos que o personagem alienígena moderno esteja representado pela economia. Vejamos as previsões recentes, para o meio ambiente em nosso planeta: o gelo nos polos se derreterá, o nível do mar se elevará, a camada de ozônio tende a desaparecer, e a temperatura na terra se elevará gradualmente. Sacolas de plástico e náilon, jogadas ao mar, ajudam a degradar a flora e a fauna marinhas. Estão transformando o mar em uma imensa lata de lixo. As águas cobrem mais de dois terços da superfície terrestre e são responsáveis por mais de 50% do oxigênio que os seres vivos consomem. Sete bilhões de toneladas de dejetos são lançados anualmente nos oceanos.
A desaceleração no crescimento econômico pode tornar bem menos devastador esse fardo ambiental, gerado por uma evolução desordenada e inconsequente. Fruto dessa desaceleração, o Parlamento Europeu encontrou clima para aprovar, em dezembro, um acordo para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, prevendo-se que até 2020 possam estar 20% abaixo do que ocorreu em 1990. Também aprovou medidas para cortar em 18% as emissões de CO² nos carros novos, até 2015.
Nesse contexto, o mundo identifica um marco na posse do presidente Barack Obama, por julgá-lo detentor de um carisma cujo estro se mostre capaz de bem conduzir esforços para que se reduzam as emissões de CO² que vinham se elevando em 3% ao ano. Seu plano de recuperação econômica se atrela à redução do impacto ambiental motivado pela atividade produtiva. Sarkozy também investe contra o capitalismo pervertido, ao constatar que essa lógica imoral, então vigente no mercado, a tudo perdoava. Hoje prega que se deve moralizar o capitalismo e não destruí-lo. O que vinha ocorrendo na economia mundial foi, magistralmente, previsto pelo economista sueco Thorstein Veblen, em seu livro A Teoria da Classe Ociosa. No capítulo que se intitula Consumo Ostensivo (conspicious consumption), ele nos mostra, diferentemente do que Marx apregoava – os explorados se organizariam e expropriariam os seus expropriadores – que as classes dominadas se aplicariam de tal forma em busca de objetivos que as tornassem iguais às dominantes e, assim, obteriam um espaço junto a elas.
Esse comportamento gerou a progressão endêmica da economia, fazendo surgir um emaranhado de caminhos que levavam a uma falsa riqueza, por desprezar os riscos. Ao ruir essa engrenagem, o mundo se encontra diante de uma nova chance. Será que vai saber aproveitá-la? Eis a questão.
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