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100 dias de solidão
Nesta edição

POLÍTICA
Rumo a 2010

Após a posse dos novos prefeitos e vereadores, as forças políticas começam a se movimentar visando as eleições para governador e presidente

Texto: Iracema Barreto
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O fim das eleições municipais e a consequente acomodação das forças políticas que venceram a recente disputa nas urnas abrem espaço, em 2009, para a intensificação das articulações visando à sucessão 2010. Com o maior número de prefeituras conquistadas (1.203), o PMDB turbinou seu poder de barganha no cenário nacional e agora se vê no centro das atenções, cobiçado por outras legendas. Disposto a fazer o sucessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não poupará esforços para consolidar a aliança com os peemedebistas.
Na outra ponta, a oposição, liderada pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), também está em busca do apoio do partido para conseguir subir a rampa do Palácio do Planalto. Ciente disso, o PMDB espera ser bem tratado.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, um dos caciques da legenda, lembrou que o Partido é aliado importante e confiável e tem sido prestigiado pelo presidente Lula, referindo-se à participação do partido na administração federal. “Não estamos apenas no governo, estamos ajudando a governar”, acrescentou. Na avaliação de Costa, a legenda está agora cacifada para negociar uma aliança política tanto com os demais partidos da base aliada do governo Lula quanto a oposição, sobretudo DEM e PSDB. A posição privilegiada, frisa o ministro, vale também para Minas Gerais. “Antes das eleições 2008 o PMDB confiava em uma aliança com o PT. Depois das eleições 2008, em virtude das posições adotadas, inclusive de não levar o partido em consideração, o PMDB passou a ter outros caminhos”, observou o ministro.

Uma composição com o PMDB era o “plano A” do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), no início das articulações para a sucessão municipal. De olho na próxima disputa pelo Palácio da Liberdade e no apoio do tucano, no entanto, ao longo do caminho o interesse do petista se voltou para o governador Aécio Neves (PSDB), com quem construiu a candidatura do atual prefeito da capital mineira, Marcio Lacerda, do PSB. A aliança provocou uma reação dos peemedebistas. Com Leonardo Quintão, o partido conseguiu levar a disputa pela prefeitura para o segundo turno. Página virada, afirma Costa, que garante não guardar mágoa do episódio, mas também não descarta a possibilidade de enfrentar Pimentel na corrida pela sucessão de Aécio Ne­ves. “Continuo candidato ao Se­na­do, mas meu nome tem sido lembrado (para o governo de Minas)” Com a vitória de Marcio Lacerda, Pimentel também venceu, mas até ser declarado candidato do PT ao governo do estado, terá que vencer a resistência de uma parte da legenda: a que se sentiu alijada do processo eleitoral e que sempre se declarou contrária à união tucano-petista. Terá também que vencer a queda-de-braço com o ministro Pa­trus Ananias (Desenvolvimento So­cial e Combate à Fome), outro forte candidato para 2010.

Para evitar que a indicação do partido se dê por meio da realização de prévias, interlocutores de Pimentel não descartam a possibilidade de ele migrar para o PSB para poder disputar o governo de Minas sem enfrentar Patrus Ananias dentro do PT. Para isso, o prefeito conta com duas opções tucanas ligadas ao governador para a formação de uma futura chapa: o secretário de Governo de Aécio, Danilo de Castro, e o deputado federal Narcio Rodrigues.     
Segundo o deputado federal Miguel Corrêa Júnior, um dos aliados de Pimentel, o ex-prefeito já tem espaço político e prestígio garantidos, e não somente na capital mineira. “Vamos manter a exposição dele na mídia”, avisa. O prefeito, para se cacifar mais no estado e fazer frente a Patrus, busca uma vaga no Ministério do Turismo ou na Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, no lugar deixado por Lacerda. Já o PSDB mineiro aposta no vice-governador Antônio Anastasia para assumir o lugar do governador Aécio Neves no Executivo estadual. E já está devidamente preparado para o cargo, no entender do presidente do partido em Minas, deputado Paulo Abi-Ackel. “É o melhor candidato que nós temos. Tem circulado com muita facilidade no ambiente político”, diz o parlamentar. “Ele é muito melhor político do que podemos imaginar”, frisou.

Para a deputada federal Jô Moraes (PCdoB), que concorreu à sucessão de Pimentel na Prefeitura de Belo Horizonte nas eleições 2008, os principais atores políticos já saíram perdendo na disputa local. “Aécio Neves quis dar uma demonstração de força, mas quase foi surpreendido, o Pimentel rachou o PT, o Patrus ficou ausente e não ocupou espaço durante a eleição, o Hélio8 Costa ficou tentando abrir espaço onde já estava muito cheio. Isso acabou abrindo caminho para o surgimento de uma outra figura, que emerge da própria base do governador e pode surpreender na disputa pelo Palácio em 2010: o deputado Alberto Pinto Coelho.”   

No quarto mandato e reconduzido ao cargo de presidente da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, o parlamentar não esconde a satisfação como fato de ter seu nome aventado para uma candidatura ao Executivo. “Isso leva, no mínimo, a uma meditação sobre o assunto”, observa, ponderando que o cenário para as próximas eleições, em Minas, depende do rumo a ser seguido pelo governador Aécio Neves.

O governador mineiro já admitiu a possibilidade de disputar prévias com o governador de São Paulo, José Serra, para definição do candidato do PSDB à sucessão de Lula em 2010. Até o momento, porém, o tucano paulista tem larga vantagem no embate interno. A menos de dois anos da eleição, Serra lidera as pesquisas de intenção de voto com taxas que variam de 36% a 47% da preferência do eleitorado, conforme o cenário. “Aécio tem obstáculos dentro do partido. Disputa com José Serra, que não é um político menor e tem perspectiva mais estratégica, enquanto Aécio busca resultados mais imediatos. Vejo Aécio mais como candidato a vice (na disputa pela Presidência da República)”, destaca o cientista político Fernando Massote.

Se Aécio também migrar para o PSB, no entanto, pode construir uma chapa forte tendo o deputado federal Ciro Gomes (CE) como vice. Ciro esperava liderar uma candidatura do grupo lulista, mas vê suas chances diminuírem com a ascensão da ministra Dilma Rousseff.  “Mas a ministra ainda não mostrou habilidade para lidar com o povão e as eleições recentes mostraram que não é verdade a idéia de que Lula consiga eleger postes”, ressaltou Fernando Massote.

"Não há nenhuma resistência ao nome dela. É uma pessoa apreciada e admirada por todos", declarou recentemente o deputado federal Ricardo Ber­zoini, presidente nacional do PT, ao comentar as chances de Dilma Rousseff. Ele garante que somente em fevereiro do ano que vem o partido vai bater o martelo sobre a candidatura presidencial. Até lá, vão sobrar especulações. Mas não há como negar que a ministra Dilma é a ungida do presidente Lula e vem sendo preparada para a disputa eleitoral de 2010. Já conta com a consultoria do marqueteiro João Santana e vem mudando a própria imagem, abandonado o ar sisudo. Deixou de lado os óculos, fez tratamento facial, está mais sorridente e disponível para entrevistas – por recomendação do próprio Lula. Outro presidenciável é a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL).

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