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Asas à imaginação

Agência de publicidade mais antiga do estado completa 45 anos de atuação marcante na história da comunicação mineira

Texto: Janaina Martins
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Uma quarentona com fôlego de adolescente. Assim é a Asa Comunicação, a mais antiga agência de publicidade de Minas, que completa 45 anos. Entre altos e baixos característicos do mercado, a empresa de Edgard Melo usou como trunfo a renovação e a qualificação profissional da equipe para manter a disposição e entusiasmo em produzir e mostrar ao empresariado mineiro a importância da comunicação. E, neste caminho, estimulou a paixão de novos profissionais pela publicidade, sendo chamada de a escola da propaganda do estado, pois, naquele período (meados da década de 60), não havia curso de comunicação na capital.

Duas palavras – paixão e disposição – foram ingredientes da receita para criação da empresa, em 1963, quando Edgard Melo e Hélio Faria trabalhavam após as 6 da tarde – depois de cumprirem os trabalhos na McCan Ericson – para atender clientes que não eram de interesse da gigante publicitária multinacional. “Percebemos que havia um potencial a ser explorado e pedimos para sair da agência, onde eu estava há nove anos. Mas eles solicitaram um prazo de três meses para nos liberar. Então, alugamos uma salinha e começamos a atender depois das seis”, conta Edgard Melo. Daí, surgiu o nome da empresa: After Six Agency (Asa).

A idéia dos dois publicitários era pegar empresas menores como clientes, que não interessavam à McCan, como os lançamentos imobiliários da época e as lojas locais, como a Casa Guanabara, Bemo­reira e Ducal, lembra Melo. Mas o primeiro trabalho foi feito para o mundo político: a campanha de Jorge Carone para a prefeitura de BH, em 1963. “Ele era deputado e tinha a imagem de ser mui­to trabalhador. Não precisamos pensar nada muito criativo para reforçar essa imagem”, conta Melo. Com o slogan Carone realiza mesmo, o então deputado foi eleito prefeito, mas deposto com o movimento militar. A prefeitura foi ocupada por Oswaldo Pieruccetti, que realizou a primeira licitação pública. E, para a área de comunicação, a Asa foi a vencedora.

A partir de então, atendeu a vários prefeitos da capital mineira e foi se consolidando no mercado publicitário local, que sempre carregou o estigma de não deslanchar porque o empresariado seria arredio aos gas­tos com comunicação. “Tí­nha­mos que mostrar a eles os resultados obtidos, comprovar que não era gasto, mas investimento”, ressalta o dono da Asa. Tarefa que não ficou mais fácil atualmente, agravada ago­ra pela crise. Dos tempos áureos, entre 1965 e 1970, segundo Edgard Melo, até hoje muita coisa mudou. A agência chegou a ter 70 funcionários. Hoje, são 28. “A tecnologia modificou muito a forma de trabalho. Antes do computador, precisávamos de muitos desenhistas. Hoje, quase tudo é feito na máquina.”

A história e atuação da Asa fazem parte, por exemplo, da vida profissional de Simone Moreira de Abreu, sócia e diretora de atendimento da Lápis Raro. Ainda na faculdade, na década de 80, ela teve a oportunidade de participar de uma gincana em comemoração aos 25 anos da Asa. “Eu já admirava o trabalho da agência e poder participar do evento, fazendo uma proposta de campanha para um dos clientes deles, foi muito bom”, lembra. Melhor ainda porque a equipe da qual era líder, na UFMG, saiu vitoriosa. Na sua avaliação, o grande mérito da Asa é que a agência abriu as portas para o mercado publicitário mineiro e impulsionou o investimento em qualidade do trabalho e capacitação profissional. “A trajetória da Asa tem experiências que ultrapassam os limites de Minas. Isso ajudou, e ajuda, a elevar o nível do trabalho, pois sabemos que a concorrência é forte.”

Para o presidente da Solution, Fernando Campos, agência que está no mercado há 12 anos, a Asa é um símbolo de que o setor tem passado, presente e futuro. “É uma empresa viva, atuante que con­seguiu se manter durante to­dos estes anos em um setor que não é fácil no estado”, diz Campos, que espera ver a Solution não só chegar aos 45 anos, mas superar esta marca.

Tarefa que exige, na sua avaliação, que a empresa seja séria, profissional, respeite as leis e tenha as melhores práticas corporativas, mas, ainda, com o desafio de ser inovadora, trabalhando co­mo “um farol permanente dos seus clientes, ajudando-os a antever as oportunidades e armadilhas que surgem no mercado”.

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