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Trabalhar e passear durante cursos de férias no exterior? Saiba como evitar situações que não constam do roteiro de viagem

Texto: Eliana Fonseca
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A essa hora, os estudantes Ana Ca­ro­lina de Souza Inez, 21 anos, e Marcos Rezende, 13, estão contando os minutos para che­gar as férias escolares, mas não para descansar. Eles vão aproveitar o período para fazer cursos no exterior. Ana vai para Nova Zelândia, e Mar­cos, para a Ingla­terra. Ela quer aprimorar o inglês para se qualificar para a entrada no mercado profissional. Ele vai fazer cursos esportivos e de inglês em Kenti, uma cidade próxima a Londres.

Malas sendo arrumadas, os ma­iores cuidados que os dois jovens tomaram aconteceram bem antes. Afinal, a escolha da agência e do pacote é fundamental para quem quer fazer uma viagem de férias para fora do país, seja para estudar, trabalhar ou somente passear. A diretora regional da Asso­ciação das Agências de Inter­câm­bio (Belta), Carla Campos do Ama­ral, destaca a importância de procurar empresa filiada à Belta. “São as mais tradicionais, que fazem o maior número de viagens para o exterior e têm um código de ética”, diz. Segundo ela, as agências sérias monitoram toda a viagem do cliente durante o período em que fica fora para dar suporte em caso de contratempos. Em Minas Gerais, existem apenas 14 empresas associadas à Belta. Segundo Carla, este ano, com a crise econômica iniciada nos Estados Unidos, houve alguma interferência nos pacotes das empresas. “Mas o que vejo é que não vai haver prejuízo porque estão sendo adotadas muitas medidas pelos governos para controlar a instabilidade cambial.”

Para quem planeja viajar este ano e ainda não providenciou nada, é hora de correr. É praticamente impossível conseguir algum programa de trabalho, principalmente se for nos Estados Unidos. Importante lembrar que a agência contratada é a responsável por garantir o emprego da pessoa fora do país. O viajante nunca deve ir sem ter o trabalho certo, até porque o visto para esses casos é especial. Segundo Carla, há cursos interessantes em outros países, na Europa, por exemplo, de trabalho não 8 remunerado para universitários, na área ligada à formação profissional que tem aqui no Brasil. Também há cursos associados. Por exemplo, inglês na África do Sul com direito a Safári. Outra opção interessante para quem quer aprender inglês ou outro idioma é a moradia na casa do professor.

Esse programa também é oferecido pela True Experience. Os professores são graduados especificamente para o ensino de línguas. A agência tem mais de três mil profissionais cadastrados em diferentes países, como Estados Unidos, África do Sul, China e Áustria. No ano passado, cerca de cinco mil pessoas fizeram esse curso, conforme a empresa. Além do idioma, o aluno tem acesso a atividades esportivas, culturais e de lazer.

A diretora da True Experience, Gabriela Salles, aconselha a busca por alternativas diferentes. Isso porque, por exemplo, para os Estados Unidos, a viagem tem que ser programada bem antes por causa do visto. Para o Canadá, também há dificuldades porque os vôos são sempre lotados e é exigido visto americano já que a rota passa pelos Es­tados Unidos. “Muita gente prefere a Inglaterra porque dá para conhecer outros países da Europa que não precisam de visto”, observa. Boas alternativas são também os cursos associados, por exemplo, idioma e gastronomia, na Itália.

Em relação à hospedagem, a diretora da agência prefere as ca­sas de família, por dar oportunidade de imersão na cultura local. “É também mais aconchegante, mais confortável”, diz. Por outro lado, o viajante tem menos autonomia que quando fica em alojamentos estudantis ou divide apartamento com outras pessoas porque tem que seguir os padrões de vida da família.

A escolha do programa deve ser pensada de acordo com o perfil da pessoa – se é criança, para férias, adolescente, para estudar inglês ou curso regular no Ensino Médio, jovens e adultos, para aprender idio­ma e trabalhar, executivos, para negócio, pessoas da terceira idade, pa­ra passear e fazer cursos e assim por diante. Por isso, o diretor proprietário da ETC In­tercâmbio, Guilherme Fonseca, destaca que a pessoa detalhe bem o que quer com a viagem e qual o seu perfil. “Tem que pesquisar bastante o destino pa­ra onde vai para encontrar um que se enquadre bem com o perfil. Por exemplo, uma pessoa que ‘mor­re’ de frio não vai aproveitar bem a viagem se for para um local que estiver com inverno rigoroso.”

Trabalho escravo

  • Quem: o historiador Marcelo Murta, 27 anos
  • Quando: final de 2005 e início de 2006
  • Destino: Estados Unidos
  • Objetivo: trabalhar em um dos parques temáticos da Disney
  • Hospedagem: dentro do parque

“Cheguei a trabalhar 16 horas por dia no final do ano. Se fosse fazer outra viagem hoje, não repetiria o programa. Faria algo mais ligado à minha formação ou à melhoria no vocabulário estrangeiro.”

Cuidados

Na hora de escolher a viagem

  • Procure uma agência idônea, de preferência que tenha sido indicada por outras pessoas
  • Programe a viagem com antecipação para dar tempo de tirar visto caso queira ir para um país que exija
  • Defina bem o que quer com a viagem
  • Obtenha informações sobre o destino que escolheu e sobre a cultura do país
  • Se for para estudar, procure informações sobre a escola para onde está indo
  • Exija da agência segurança quanto ao local em que for estudar, trabalhar e morar
  • Procure agências credenciadas na Associação das Agências de Intercâmbio (Belta) – www.belta.org.br
  • Tente não manter contato com brasileiros durante a viagem para exercitar o idioma estrangeiro

Ótima viagem

  • Quem: Ana Flávia Lurian de Paiva, estudante, 15 anos
  • Quando: julho de 2008
  • Destino: Paris, na França, Londres, na Inglaterra, e Torquay, na costa inglesa
  • Objetivo: estudar e passear
  • Hospedagem: casa de família e hotel

“Para a melhoria no inglês, a viagem foi ótima. Na hora de passear passei alguns apertos, fiquei perdida, passei da estação do metrô e tive que me virar”

Deu tudo errado

  • Quem: filha da promotora Laís Maria Costa Silveira (foto)
  • Destino: Estados Unidos
  • Quando: final de 2007
  • Objetivo: trabalhar e passear
  • Hospedagem: apartamento junto com outros viajantes

”Eles contrataram um número muito maior que o necessário para trabalhar como salva-vidas no parque temátivo e a minha filha foi remanejada para uma cafeteria. Era trabalho escravo. Até 15 horas por dia, de manhã até meia-noite, com meia hora de almoço e o tempo todo em pé e sem hora extra”

Resultado: a filha de Laís pediu demissão. Automaticamente, perdeu a moradia. Do Brasil, Laís Silveira teve que providenciar tudo para que a filha não ficasse no meio da rua em um inverno rigoroso, de menos 20ºC. A agência não socorreu a estudante.  

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