|
gastronomia
Sugestão do chef
Quatro renomados profissionais brasileiros da arte gastronômica indicam restaurantes imperdíveis mundo afora
Texto: Luciana Avelino
Opiniões e sugestões sobre a matéria?
Mande e-mail para redacao@revistaviverbrasil.com.br
Menu com sabores divinos, visual de encher os olhos digno de aguçar o pecado da gula até para o mais inapetente comensal, atendimento primoroso capaz de fazer o cliente se sentir de fato muito especial.
Características como essas elevam endereços gastronômicos a verdadeiros objetos de desejo por apreciadores da boa mesa, podendo incluí-los nos mais respeitados guias de restaurantes do mundo. Mas, para levantar boas indicações mundo afora, a Viver Brasil preferiu dicas bem mais intimistas. A reportagem foi em busca de quem entende do assunto. Quatro chefs de cozinha brasileiros foram convidados a sugerir redutos internacionais imperdíveis. A rota ficou apetitosa.
Impossível não ficar com vontade de marcar presença nas mesas citadas. Bom apetite!
Chèvre d´Or
Cotação máxima do Guia Michelin, o Chèvre d´Or é o eleito da chef de cozinha Vanessa Senem. Encravado em pleno penhasco na vila medieval Eze Village de 800 anos, no sul da França, entre Nice e Mônaco – parada obrigatória de quem visita a região –, o restaurante possui vista cinematográfica. “Localizado dentro do hotel homônimo, de estilo clássico da decoração ao serviço da cozinha francesa, tem janelas voltadas para a costa do mar até Cannes, atendimento pomposo, legítimo.” A vila, com ruas de calçamento de pedras, fica próxima ao Cap Ferrat, o metro quadrado mais caro da Riviera Francesa. A decoração, conforme Vanessa, é acolhedora, romântica. “Local perfeito para ir a dois.” Para a chef, estar lá para o almoço ou café da manhã é magnífico. “Passar a noite no hotel, então, é memorável”, diz Vanessa, que freqüentava o restaurante e o hotel com assiduidade quando morava na cidade francesa de Nice. Já, os preços... Esses Vanessa adianta que são altíssimos. Os pratos giram em torno de 250 euros. “Mas, em razão da perfeição que oferece em todos os requisitos, é um preço bem pago.” Dos pedidos consagrados, registrados na memória gastronômica, ela enumera a salada de camarões grelhados com flores e trufas; o cordeiro trufado; as panquecas do café da manhã e os deliciosos sucos. A carta de vinhos passa longe de ser comercial. As opções da bebida são relacionadas aos pratos e o preço médio da garrafa é de 150 euros. Fora o salão, que ainda possui bar com ambientação de sofás, o restaurante conta com área aberta à beira de uma piscina ornamental, onde são servidos sanduíches, panquecas e pratos ligeiros com preços mais acessíveis.
Ledoyen Paris
“Um verdadeiro espetáculo.” Com a descrição, Adelaide Engler define o Ledoyen Paris, comandado por Christian Le Squer, um dos grandes destaques dos restaurantes de chefs 3 estrelas Michelin em que já esteve. “Sua cozinha tem personalidade, beleza, modernismo, variedade de texturas e temperaturas. Absoluto deleite para as papilas gustativas.” Instalado em pequeno palácio de 1782, no charmoso Champs-Elysées, coração da capital francesa, tem fachada neoclássica e ambiente interno decorado no estilo segundo império. Para Adelaide, o serviço do premiado chef é impecável. “Destaco a elegância dos garçons, a beleza dos móveis, da louça, a velocidade dos pratos, a harmonização com os vinhos.” Como a visita foi recente, ela se lembra com precisão dos pratos escolhidos. “Fui surpreendida desde a primeira pedida, que já sinalizou a excelência da cozinha: o delicioso amusegueule, que só de falar dá água na boca. Surpresa gostosa com casca crocante e recheio de cogumelos típicos da França.” A carta de vinhos, segundo Adelaide, é outro ponto alto. “Parece um livro, com opções para todos os gostos e bolsos.” Além dos pratos à la carte, Adelaide informa que a casa conta com o cardápio degustação, que sai a 290 euros por pessoa.
Chez l´Ami Jean
Para Renato Quintino, o Chez l´Ami Jean é o melhor restaurante entre os bistrôs de comida elaborada que despontam no cenário gastronômico francês. “Sua comida é exepcional”, diz o chef, que esteve no reduto pela primeira vez em maio passado. “Uma única visita foi suficiente para atestar a qualidade.” Com localização privilegiadíssima – fica entre a Torre Eiffel e o Muse D´Orsay –, oferece cardápio de cozinha basca, tendência em voga na França, que remete à comida rústica peculiar do sudoeste do país, influenciada por origens mediterrânea, espanhola. “Além do menu, tem bom preço pelo que oferece.” O cardápio de degustação, com cerca de dez opções de pratos, sai na faixa de 30 euros por pessoa, com entrada, prato principal e sobremesa. Sobre o almoço, que pediu na companhia da mulher, é categórico: “Foi, simplesmente, memorável!” Renato conta que a excelente impressão do endereço foi confirmada assim que retornou da França. “Por coincidência, logo depois de voltar ao Brasil, li uma crítica da editora da revista americana Gourmet, Ruth Reichl, que descrevia o Chez l´Ami Jean como o melhor de todos os novos franceses. Percebi, então, que a minha avaliação não era só opinião pessoal.” Fora a gastronomia elaborada, Renato Quintino destaca o tom de informalidade da decoração e do atendimento, que deixam os comensais bem à vontade. “O ambiente é agradável, bem aconchegante.”
Mugaritz Restaurant
Localizado na interiorana Renteria – cidade espanhola vizinha à San Sebatián, famosa pela beleza de suas praias –, o chef paulistano já perdeu as contas de quantas vezes foi ao Mugaritz, cotado entre os dez melhores restaurantes do mundo. De acordo com Alex Atala, a casa rústica de ambiente refinado do chef Andoni Luis Aduriz oferece cardápio de sabores incríveis e presta atendimento perfeito. “Descrevo a comida basca moderna servida, rica em ervas e vegetais, como poética e renovada.” O clima dos arredores do Mugaritz é outro item que contribui para o agradável programa gastronômico, que a visita ao restaurante pode render. A pequena cidade, repleta de restaurantes e comidinhas de rua, fica a apenas 3 km de San Sebastián, campeã de estrelas do Guia Michelan, superior mesmo à estrelada Paris. A carta de vinhos, “generosa na variedade de grandes espanhóis” é também destaque, segundo Atala. Para fechar a dica, o chef remete ao razoável custo do local, considerando a qualidade da culinária e o excelente serviço em questão. Uma refeição no Mugaritz sai em média a 120 euros por pessoa, sem incluir o vinho.
|