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ESPECIAL
100 mortes por ano
Utilizar telefone celular ou aparelhos eletrônicos durante uma tempestade com raios pode fazer muito mal à saúde.
Texto: Eliana Fonseca | Fotomontagem: Paulo Werner
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Falar ao telefone celular, utilizar aparelho eletro-eletrônico ligado à tomada ou tomar banho de chuveiro: será que há algum perigo em ações tão rotineiras durante uma tempestade? O coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Omar Pinto Júnior, afirma que sim. É preciso evitar certos tipos de situações, principalmente se a pessoa estiver ao ar livre durante um temporal. No caso específico do celular há quatro casos de mortes no mundo: uma na Bahia, uma em Goiás, e outros dois no Reino Unido e na China. “Apesar de não haver comprovação científica, a recomendação é não utilizar o telefone móvel durante essas situações.”
Pelo menos uma empresa já iniciou estudos para evitar esse mal. A Nokia entrou com pedido de patente nos EUA de um dispositivo que avisaria ao usuário em caso de risco de ser atingido por um raio. A empresa não se pronunciou sobre quando este aparelho seria produzido. Enquanto o dispositivo não chega ao mercado, é bom tomar algumas precauções, e não só em relação ao telefone celular. O coordenador do Elat diz que em tempestades é proibido utilizar qualquer aparelho que esteja ligado à rede elétrica – e aí se encaixam o chuveiro elétrico, o aparelho de barbear, os telefones ligados à tomada. Tudo porque eles podem ter suas voltagens elevadas quando há queda de um raio. O resultado é que essa corrente pode causar sérios danos ou a morte de quem os tiver utilizando.
No Brasil, a cada ano, cerca de 100 mortes são provocadas por descargas elétricas de raios e mais de mil pessoas ficam feridas por causa delas. Este percentual vem diminuindo ao longo dos anos. Há 30 anos, a média de 150 pessoas morria por causa do fenômeno. “Hoje as pessoas estão mais conscientes, evitam ficar ao ar livre durante tempestades. As grandes cidades proporcionam também mais locais para as pessoas se protegerem e ficarem menos expostas aos perigos de um raio”, diz Pinto Júnior.
Evite acidentes
- Se estiver dentro de casa, evite usar telefone (a não ser que seja sem fio); ficar próximo de tomadas e canos, janelas e portas metálicas; ou tocar em qualquer equipamento ligado à rede elétrica;
- Se estiver na rua, evite segurar objetos metálicos longos, tais como varas de pesca, tripés e tacos de golfe; empinar pipas e aeromodelos com fios; andar a cavalo, nadar;
- Evite pequenas construções não protegidas, veículos sem capota, estacionar próximo a árvores ou linhas de energia elétrica;
- Evite topos de morros ou cordilheiras, de prédios, áreas abertas, proximidade de cerca de arame, varais metálicos, linhas aéreas e trilhos, árvores isoladas; estruturas altas;
- Se estiver em local sem abrigo próximo e sentir seus pêlos arrepiados ou sua pele coçar, esta é indicação de que um raio está prestes a cair; portanto, ajoelhe-se e curve-se para a frente, colocando suas mãos nos joelhos e a cabeça entre eles. Não se deite no chão.
Se estiver na rua, procure abrigo:
- em carros não conversíveis, ônibus ou outros veículos não conversíveis;
- em moradias ou prédios que possuem proteção contra relâmpagos;
- em abrigos subterrâneos, tais como metrôs ou túneis;
- em grandes construções com estruturas metálicas;
- em barcos ou navios metálicos fechados;
- em desfiladeiros ou vales.
fonte: Grupo de Eletricidade Atmosférica do INPE
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