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turismo
Férias para exercitar-se
Associar turismo com a prática do esporte preferido.
Isso sim, é unir o útil ao agradável.
Texto: Nayara Menezes
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Férias é sinônimo de descanso, certo? Errado! Pelo menos para essa turma. Eles passam longe do repouso nos dias de folga. O ócio é palavra proibida. A única coisa que querem quando estão livres do trabalho é exercitar-se. E muito... Corrida, mountain bike, montanhismo, cavalgada. Não interessa qual esporte, mas sim praticá-lo. E se puderem fazer isso em um cenário paradisíaco, melhor ainda. Por isso, cada um deles descobriu uma maneira de aliar a atividade física ao turismo. Sozinhos ou acompanhados, eles viajam mundo afora, conhecendo lugares e se aprimorando no esporte que escolheram.
Pedro Hauck (Escalada)
O geógrafo paulista Pedro Hauck tem 27 anos. Há 10 é apaixonado pelas montanhas. E é atrás delas que ele vai em todas as férias, sem exceção. “Pra mim não existe praia. Só viajo para escalar. Chego ao ponto de achar desperdício de dinheiro ir para um lugar onde não tem uma pedrinha pra subir”, confessa. O destino depende do tempo disponível. Ele já escalou em diversos estados brasileiros e alguns países sul-americanos, como Chile, Argentina, Bolívia e Peru.
Pedro conta que a prática do montanhismo lhe proporcionou adquirir fluência em idiomas como o inglês e espanhol. “Conheci gente superinteressante e lugares incríveis aonde poucos conseguem chegar.” Além de conseguir conciliar o esporte com o turismo, Pedro ainda escolheu uma profissão que se encaixa ao montanhismo. Como geógrafo, ele faz mestrado e pesquisa em evolução de paisagem. “Minhas experiências em viagens me ajudaram muito a ter a percepção e a sensibilidade para as nuances da natureza.”
Mas tamanha obsessão pelo esporte também tem seu preço. Não é todo mundo que quer passar as férias em cima de uma montanha. Por causa disso, Pedro acabou terminando um namoro de 6 anos. “Esta é uma questão supercomplicada, pois, infelizmente, o montanhismo é uma atividade quase masculina. Minha ex-namorada se negava a viajar para escalar comigo. Seria muito legal se pudesse fazer isso com uma parceira, mas ela tem que gostar.”
Sérgio Moraes (Corrida)
Outro que literalmente corre pelo mundo é o médico anestesiologista Sérgio Moraes, 39 anos. Para fugir do sedentarismo e queimar algumas calorias, ele começou a praticar corrida há quatro anos. A atividade foi, aos poucos, fisgando o médico. Daí para a primeira meia maratona foi um pulo. “Em seis meses já estava participando da meia maratona de Salvador.” Foi quando ele percebeu no esporte a oportunidade de conhecer lugares. A primeira maratona foi em São Paulo. “Foi maravilhoa a sensação de cruzar a linha de chegada”. Dali não parou mais. Foi correndo que Sérgio conheceu a Europa ao participar de prova em Valência, na Espanha.
O próximo desafio do médico será a Comrades 2009, uma das maratonas mais famosas no mundo, que acontece na África do Sul. A esposa Cristiane, que também já aderiu à corrida, o acompanhará. “Ela ainda não vai correr essa, mas quem sabe numa próxima?”, anima-se Sérgio.
Vilma Massae Hayakawa (Cavalgada)
A dentista Vilma Massae Hayakawa, 46 anos, é outra que descobriu no esporte uma oportunidade para desvendar lugares maravilhosos pelo mundo. Praticante de equitação há 2 anos, Massae não esconde o encantamento de desfrutar visuais deslumbrantes no lombo de um cavalo. “Conheci lugares lindos, paraísos, aonde dificilmente chegaria a pé”.
A companheira fiel de Massae é a filha Yumi, 10 anos, também adepta da equitação. “Nos divertimos muito indo a locais incríveis. Ela é supercompanheira.” Juntas já galoparam por lugares como Visconde de Mauá, Ubatuba, Búzios e Cozumel, no México. Já o marido não aderiu à paixão de mãe e filha. Por isso, nem sempre as férias podem ser exclusivamente para cavalgar. “O cavalo não é a prioridade para todos, mas quando é possível, a gente dá um jeitinho e faz uma cavalgada”, confessa.
Nos passeios, além das cidades, pode-se conhecer também cachoeiras, rios, montanhas e praias. “Tudo isso com muita adrenalina”, ressalta a dentista, que descreve momentos raros que podem ser desfrutados durante uma cavalgada. “Você tem outra velocidade, uma visão mais ampla. É uma sensação inexplicável sentir o vento no seu rosto, as palpitações do coração e a respiração do cavalo”.
Cristiano werneck (mountain bike)
Para o psicólogo Cristiano Valadares Werneck, 29 anos, viajar de bicicleta faz parte do estilo de vida que ele adotou. Há dois anos ela é usada para a locomoção rotineira do psicólogo. Nos finais de semana Cristiano percorre trilhas em meio a natureza. Como não poderia ser diferente, a magrela passou a ser sua companheira inseparável também nas viagens. O primeiro desafio foi percorrer 771 km da Estrada Real. Depois da experiência ele admite: “Não vejo mais tanta graça em viajar convencionalmente.” Mas nem sempre é possível unir as duas paixões – o turismo e o esporte. “Às vezes viajo com minha mulher e amigos apenas para descansar.”
Em novembro Cristiano encarou seu maior desafio: a Estrada do Pacífico. Percorreu a Amazônia, os Andes e o Altiplano. Passou pelo Peru e Bolívia. “A transição brusca da selva para as alturas dos Andes foi provavelmente a coisa mais espetacular que já vi”, descreve. Segundo Cristiano, a bicicleta carregada de bagagem exerce magia nas pessoas por onde passa. “Elas se aproximam para conversar, e normalmente querem te ajudar. Outra vantagem é que o ritmo do deslocamento de bicicleta é perfeito para viver locais de verdade.”
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