Home - Revista Viver Brasil   Thursday, 24 de May de 2012  
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Para que tanta pressa?
Nesta edição

SEXO
Uma noite no Swing

Uma mansão de três andares na orla da Lagoa da Pampulha onde o lema é troca de casais, voyerismo e sexo a três. Nossa repórter foi lá conferir.

Texto: Nayara Menezes  |  Fotos: Keystone
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Sexta-feira, à noite. Finalmente chega o dia escolhido para cumprir o desafio: conhecer uma casa de swing e testemunhar o que acontece nesse misterioso reduto. E põe mistério nisso. A começar pela dificuldade em descobrir o local. Só tem o endereço quem realmente paga o preço para chegar até lá. Então, mãos à obra, ou melhor, ao bolso. Pela quantia de 95 reais (o casal) adquirimos o convite, que é entregue por um motoboy no local escolhido pelo cliente. O objetivo de tamanha discrição? Manter o anonimato dos freqüentadores. Com o passe em mãos, finalmente obtive o mapa da mina. O endereço estava no verso do convite.

A casa só funciona às sextas e aos sábados. Em geral, é permitida a entrada apenas de casais. Mas no dia em questão, era a noite do ménage a trois, ou seja, prática sexual com três pessoas. Seriam liberados 60 casais, várias mulheres e 15 homens desacompanhados. A restrição ao exemplar masculino tem explicação: se não houver limite, eles acabam predominando. Convidei um amigo para me acompanhar nessa difícil missão. Não faltaram candidatos a parceiros, é claro. No fim, elegi aquele que, digamos, se adaptaria melhor à situação.
Às 23h, partimos para o nosso destino: uma elegante mansão na orla da Lagoa da Pampulha, ponto nobre da capital mineira, e local bastante movimentado. A casa oferece estacionamento, mas, como marinheiros de primeira viagem só descobrimos isso após parar o carro em outro local. Antes de entrar, observei o perfil dos convidados. A imagem preconcebida caiu logo por terra. Jovens casais, na faixa dos 30 e poucos anos, bem vestidos e muito bem aparentados. Eles entravam sem o menor constrangimento casa adentro. E nós fomos atrás.

Logo na porta três seguranças vistoriam as bolsas das mulheres e passam detectores de metal nos rapazes. Reforçam o aviso estampado no site: não é permitido tirar fotos ou fazer nenhum tipo de registro de imagens. O uso do celular é permitido, mas restrito a alguns locais da casa. Nós, claro, obedecemos às regras. E ao contrário do que se imagina, existem muitas delas por ali. A principal é o lema da casa: “Aqui tudo é permitido, mas nada é obrigatório”. Essa é a primeira frase de boas vindas da simpática recepcionista Bruna*. Ao saber que era a nossa primeira vez ela tenta nos deixar à vontade e faz questão de ressaltar que só faremos ali aquilo que desejarmos. No nosso caso isso significava uma única coisa: observar TUDO.

Acompanhados por Bruna, começamos um verdadeiro city tour por todos os cômodos da casa. Na entrada um scotch bar e uma pequena boate dão ar convencional ao lugar. Nada muito exótico. “É aqui que as pessoas se conhecem”, explica Bruna. Ainda no primeiro andar, a boate, onde strippers  masculinos e femininos aguçam a imaginação dos presentes. Mas o show tem hora certa para começar: 1h da manhã. Neste piso também estão um pequeno sexshop e o quarto das gaiolas. O nome é graças às gaiolas com quase dois metros de altura instaladas no canto do quarto. As duas camas de casal sugerem a utilidade do local. Mas a recepcionista avisa que o ambiente pode ser também usado por apenas um casal.

Foi no scotch bar que conhece­mos João* e Maria*. Discre­ta­men­te, eles nos convidam para sentar à sua mesa. Aceitamos. Casados há 10 anos, o casal buscava novas formas de apimentar a relação. Segundo eles, era também a primeira vez e ainda não sabiam até que ponto chegariam. Pela conversa, sutilmente percebemos o interesse em fazer a troca de casais. Não foi dessa vez. Afinal, tínhamos ainda muito trabalho pela frente.
Ao chegarmos ao segundo andar descobrimos que era ali o local onde a coisa rolava mais solta. Os quartos-aquários são dos ambientes mais concorridos. Como o próprio nome diz, é ideal para aqueles que gostam de ver e serem vistos. E não são poucos os adeptos a essa prática. De variados tamanhos, ocupados por camas ou cadeiras, homens e mulheres satisfazem seus desejos mais secretos. Se bem que secreto, no caso, não é a palavra mais indicada, já que o voyerismo ganha sua expressão máxima. Do outro lado do andar estão os espaços íntimos. Apesar do nome, preservar a intimidade não é exatamente o propósito. No primeiro que entramos a porta estava aberta. No palco, ou melhor, na cama em tamanho gigante, dois casais exibiam suas artimanhas sexuais. Ao redor, o público era misto, homens sozinhos, casais e outras formas de parceria se animavam com o espetáculo.

Dentro dos espaços íntimos, a interação verbal era praticamente impossível. Palavras não interessavam ali, apenas gestos, atitudes e outros tipos de som. Pelos corredores homens, mulheres e casais trançavam de um lado para o outro em busca da próxima fonte de prazer. Foi quando conseguimos parar o casal liberal, como apelidamos. Extrava­san­do empolgação, eles perceberam que era a nossa primeira vez. “E aí, estão gostando?”, disparou a moça na faixa dos seus 28 anos. Res­pon­demos que estávamos ali apenas para conhecer e que estranhávamos um pouco a situação. 

Meu amigo-namorado ques­tionou o homem se ele não tinha ciúme da mulher. “Não ligo de vê-la transando com outro. Mas quando o cara começa a cochichar no ouvido, aí o bicho pega”, confessa. A norma é: o sexo não representa traição, já a troca de informações e carinhos... Entendemos que conversar não é muito conveniente ali. O objetivo da maior parte dos freqüentadores é a busca desenfreada pelo prazer a qualquer custo. E aí vale de tudo. O lugar mais apropriado para isso tem nome: dark room. O quarto-escuro é o único local on­de não existem regras. “Se entrarem aí vocês têm que topar tudo, sem apelar”, avisa Bruna. A melhor alternativa, obviamente, foi obser­var de longe. Pelas frestas da cortina preta foi possível notar o movimento. Não é preciso ser expert no assunto para imaginar o que rola naquele território sem lei. Os três darks rooms espalhados pela casa tinham rotatividade elevada.

O terceiro andar é o mais tranqüilo da casa. Ape­sar dos colchões espalhados sobre um tablado central, o ambiente não estava tão quente por ali. Neste piso há ainda um bar, poltronas e uma sala com telão onde são exibidos filmes pornôs. A falta de procura pela sala não é de se estranhar. Quem quer ver na televisão o que pode ver ao vivo? Nos quartos-aquário e nos espaços íntimos tudo acontece, ao vivo e a cores. Atores e expectadores interagem de todas as formas possíveis. Em alguns aquários há janelinhas por onde os voyeurs podem tocar nos protagonistas do espetáculo. Há aqueles que quererm fazer parte do show. Porta aberta, convite feito. 8
Geralmente ele acontece de forma sutil. Há um certo código entre os participantes da festa. Por olhares eles comunicam o interesse. O assédio é bem discreto. Alguns mais tímidos preferem sondar pela conversa. Quando estávamos na varanda respirando um pouco de ar puro, um rapaz nos abordou. Ele puxou assunto perguntando se íamos sempre ali. Papo vai, papo vem, notamos a curiosidade em saber se toparíamos um ménage com ele. Nós desconversamos com a desculpa de que iríamos ao banheiro. Ele entendeu o recado e logo depois o vimos dentro de um aquário dividindo uma bela moça com dois homens.

Todos os banheiros da casa são mistos. Há cabines individuais, mas nem sempre elas permanecem fechadas. O pudor, lógico, não combina com o local. Na porta do banheiro encontramos as Três Mosqueteiras. As amigas estavam ali em busca de aventura. Uma delas era freqüentadora assídua. “Aqui é o melhor local para se divertir numa sexta-feira à noite.” Quem somos nós para discordar.  A mais nova, na faixa dos 20 anos, ainda era caloura. Aquela era sua segunda noite no swing. “A segunda de muitas com certeza”, afirma a amiga mais atrevida. A porta do banheiro se abre e elas logo entram, tratando de encerrar a conversa. Acho que não se interessaram muito pelo casal inexperiente.

De repente, um rebuliço. Começa um movimento por toda a casa. O segurança avisa em alto e bom tom: “O show vai começar!”. Eram os strippers exibindo suas performances para lá de sensuais. Homens e mulheres assistem, aplaudem e empolgam-se. A animação é tamanha que alguns casais mais ousados não se intimidam e fazem da boate espaços íntimos de prazer. A partir daí a temperatura foi só aumentando e, finalmente percebemos o significado do lema da casa: “Nada é obrigatório, mas tudo é permitido...”

Vai encarar?

O swing ou troca de casais é um relacionamento sexual entre dois casais estáveis que trocam de parceiros ou praticam sexo grupal. Existem correntes que consideram ainda o swing quando um casal adiciona um ou mais elementos numa relação sexual.

Tipos:

  • Soft swing - troca de parceiros com carícias, beijos e sexo oral, não há penetração.
  • Hard swing - troca de parceiros com penetração.

Triângulo amoroso

Ménage à trois

O ménage é uma expressão de origem francesa que significa mistura a três e é utilizada para designar os relacionamentos sexuais entre três pessoas, independentemente do
sexo e preferência sexuais delas.

História:

  • Orgia é a prática sexual com diversas pessoas. Geralmente participam do jogo 5 ou mais indivíduos. Quando são 3 participantes convenciona-se chamar de ménage, com 4, swing.
  • Bacanal é uma festa em homenagem a Baco, Deus do vinho, sendo hoje uma designação para festas libertinosas, banquetes crapulosos e orgias.
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