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cidade
Primo há 30 anos
O mais antigo smoking club de Belo Horizonte completa três décadas
apoiado na simpatia e irreverência do proprietário da casa, Otávio Clementino.
Texto:Márcia Queirós | Foto : Pedro Vilela
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O técnico afina o piano e depois dedilha o hino da casa, a canção As Time Goes By, da trilha sonora do filme Casablanca, só que na bela versão de Frank Sinatra. O entra-e-sai de fornecedores é frenético, e os convidados disputam os últimos convites. O clima acima embalou os preparativos para a noite que comemorou o aniversário do Primo Prima Prime, o smoking club mais antigo e sofisticado de Belo Horizonte, que completou 30 anos no último mês. Fato raro no segmento de bares da cidade, onde casas noturnas costumam ter vida efêmera.
Criado em 1978, o Primo Prima foi aberto na rua Cláudio Manoel, na Savassi, com a proposta de ser casa de chá, mas o espírito notívago, alegre e irreverente do empresário Otávio Clementino desviou tudo para outro caminho. "A casa funcionava junto com a butique da minha mulher (Lydia Fonseca), mas, com a chegada dos amigos, o chá foi substituído pelas taças de vinho e outros drinques. Aproveitei que ela havia viajado e transformei em scoth bar", lembra Otávio. Ex-modelo e intérprete de canções estrangeiras – gravou sete discos e fez sucesso em programas de auditório nas décadas de 1960 e 1970 com o pseudônimo de Ottavio Klemane –, Otávio conta que, na época, acabara de chegar do Rio de Janeiro e sentia falta dos pubs da sempre agitada noite carioca. A provinciana Belo Horizonte ainda carecia de coisas assim. O nome da casa é inspirado no filme francês Primo Prima, do cineasta Jean-Charles Tachella, que conta a história de dois primos que se apaixonam.
Assim como o filme, a trajetória do smoking club é repleta de encontros. "Minha gente se conheceu, namorou aqui e depois se casou", diz Otávio, lembrando que a casa virou a coqueluche, tornando-se também referência para artistas do eixo Rio-São Paulo que vinham a Minas. Mas, depois de funcionar por mais de duas décadas na Cláudio Manoel, a Primo Prima foi transferida para a rua Gonçalves Dias, em março último. "Ficamos um ano e meio fechados porque eu não encontrava ponto. Para reabrir busquei ajuda dos meus sócios", conta o empresário. Os sócios em questão são os amigos, antigos freqüentadores, que hoje pagam cotas para freqüentar o local e bancaram a construção do novo espaço de decoração sofisticada.
A casa, que funciona como piano bar, restaurante, espaço para show e boate, tem como clientes fiéis figuras da sociedade belo-horizontina, políticos e empresários, mas o público vem se renovando com os filhos e netos da primeira geração de freqüentadores e outros que se apaixonam pelo local, como a italiana Fiammetta Lucchetta. Vinda de Roma e morando há seis meses em Belo Horizonte, ela conta que foi apresentada ao Primo Prima pelo casal de amigos Sérgio Aleixo e Ana Lúcia de Santa Rita. "É maravilhoso", resume a italiana, que destaca a receptividade de Otávio e Lydia.
“Quem vem aqui e conversa comigo não precisa fazer análise”, brinca o proprietário. O casal, por sinal, não abre mão, assim como na precursora casa de chá, de receber os velhos amigos, agora ao lado do filho, José Magela, braço direito de Otávio e a nova alma da casa. Prova de que muitos brindes, namoros e alegrias vêm pela frente.
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