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Aids Avança
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Aids Avança

Confiança na evolução do tratamento e alta sobrevida dos pacientes fazem com que sociedade seja relapsa na prevenção. Casos entre heterossexuais jovens e maiores de 50 anos não param de crescer.

Texto: Vanessa de Cobucci
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Relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 620 mil brasileiros estejam infectados pelo HIV sem saber. Isso porque os primeiros sintomas da aids podem aparecer seis a oito anos após o contágio. Ape sar da aparente boa saúde, é nessa fase que o soropositivo pode contaminar involuntariamente outras pessoas. Mesmo que a terapia antiretroviral combinada (Tarc) te nha mudado o prognóstico da aids no mundo, o maior entrave ainda é o diagnóstico tardio, quando o paciente apresenta estado de imunodeficiência avançada, com grandes riscos de óbito. Embora no Brasil tanto o exame anti-HIV quanto a Tarc sejam disponíveis sem custo para o paciente, no geral a postura da população quanto à prevenção ainda é relapsa e independe de classe social.
A tendência atual é de crescimento da epidemia de HIV entre heterossexuais. Há uma feminização e pauperização da doença, que também caminha dos grandes centros urbanos para o interior dos estados. “As pessoas recebem informação, mas não assimilam. É na falta da responsabilidade com os próprios atos que mora o perigo do contágio”, diz a psicanalista e técnica da Coordenação Estadual de DST/Aids da Secretaria de Estado de Saúde, Lélia Teixeira. Segundo a especialista, fatores que contribuem para a expansão da AIDS entre jovens são a liberdade sexual, uso de álcool e drogas; e entre os adultos de 20 a 39 anos que vivem uma relação monogâmica prevalece a cultura do constrangimento de não exigir do parceiro o uso de preservativo; já os maiores de 50 anos julgam-se imunes à doença, por achá-la ainda restrita a guetos, algo que não condiz com a realidade atual.

De acordo com critérios da OMS, o Brasil tem uma epidemia concentrada, com taxa de prevalência da infecção pelo HIV de 0,6% na população de 15 a 49 anos. Vale lembrar que HIV é o vírus, e a AIDS, a síndrome evoluída. “Entre tanto, só a metade dos pacientes toma corretamente os remédios, o que compromete o tratamento”, explica a médica infectologista Tânia Maria Marcial. Coordenadora da residência médica do Hospital Eduardo de Menezes,  um dos maiores centros médicos de Minas Gerais especializados no tratamento de aids, hepatite e hanseníase, Tânia comprova o aumento da epidemia entre mulheres casadas, além de pessoas da terceira idade e jovens.
Estado de Saúde, Lélia Teixeira. Segundo a especialista, fatores que contribuem para a expansão da AIDS entre jovens são a liberdade sexual, uso de álcool e drogas; e entre os adultos de 20 a 39 anos que vivem uma relação monogâmica prevalece a cultura do constrangimento de não exigir do parceiro o uso de preservativo; já os maiores de 50 anos julgam-se imunes à doença, por achá-la ainda restrita a guetos, algo que não condiz com a realidade atual.

De acordo com critérios da OMS, o Brasil tem uma epidemia concentrada, com taxa de prevalência da infecção pelo HIV de 0,6% na população de 15 a 49 anos. Vale lembrar que HIV é o vírus, e a aids, a síndrome evoluída. “Entre tanto, só a metade dos pacientes toma corretamente os remédios, o que compromete o tratamento”, explica a médica infectologista Tânia Maria Marcial. Coordenadora da residência médica do Hospital Eduardo de Menezes, um dos maiores centros médicos de Minas Gerais especializados no tratamento de AIDS, hepatite e hanseníase, Tânia comprova o aumento da epidemia entre mulheres casadas, além de pessoas da terceira idade e jovens.

Vida nova

O belo-horizontino aposentado S.F.O., 39 anos, era casado quando se descobriu portador do HIV. “Nessa hora, a gente faz um balanço da vida, fica sem chão. Passei por uma única experiência extraconjugal, com uma amiga, de quem eu desconhecia o paradeiro, e estava há muito tempo casado. Perdi o contato com ambas. Não sei quem pode ter me infectado”, confessa. Da falta de perspectiva e desconsolo, S. vive hoje um momento de felicidade. “Estou noivo, encontrei uma nova companheira com a qual pretendo me casar. Procurei entidades que me ajudaram muito. Hoje essas pessoas representam uma grande família. Desde que iniciei o tratamento, nunca tive queda na imunidade. Não é só o soropositivo que precisa de disciplina com a saúde. O ideal seria que todos se cuidassem”, diz.

 Esteio na família

Aos 18 anos, a dona-de-casa M.T.S. estava grávida quando recebeu o diagnóstico HIV positivo. “Foi um choque. Naquela época, eu não sabia nada sobre a doença, que adquiri do meu parceiro. Busquei apoio nos amigos. Fiz tratamento, a gravidez foi tranqüila”, lembra. Hoje, aos 30 anos, ela se orgulha em saber que os cuidados seguidos à risca evitaram que seu filho, hoje com 12 anos, tivesse o vírus. Antes do contágio, M. teve outro bebê, agora com 15 anos. “São 13 anos convivendo com a doença, me adaptei bem com a medicação, não sinto nada. Meus filhos sabem que sou soropositiva. Aliás, eles são meu esteio para lutar pela vida”, diz. Segundo a dona-de-casa, sua vida mudou radicalmente depois que passou a integrar o Grupo Vhiver. “Saí da fase da revolta, da incompreensão, com o apoio psicológico mais o convívio com outros portadores, e com o suporte que tenho aqui sei que vale a pena viver.”

Preconceito

Para o professor e filósofo Valdecir Fernandes Buzon, presidente do Grupon Vhiver, o maior obstáculo aos portadores de HIV/aids ainda é o preconceito. “Com exceção dos infectologistas, a própria comunidade médica é preconceituosa, não insere a questão do HIV como uma calamidade pública. Ginecologistas não pedem o exame de HIV às futuras mães, na bateria de exames pré-operatórios, nenhum cirurgião pede esse teste a seus pacientes”, denuncia. Buzon viveu essa experiência ao procurar um conceituado cirurgião plástico. “A lipodistrofia (acúmulo excessivo de gordura no abdômen) é um efeito colateral comum da medicação anti-retroviral. Fiz todos os exames solicitados pelo médico, que não pediu nem o teste de HIV nem de hepatite C, que levei por conta própria. Apresentei esses resultados por último. Para minha surpresa, ao saber que sou HIV positivo ele se recusou a fazer a lipoaspiração. Depois, mudou de idéia, mas pediu o dobro do preço. Fui honesto ao expor minha condição e fui penalizado.” Buzon esclarece que a sociedade ainda não está evoluída nem preparada para compreender e lidar corretamente com o soropositivo. “Não se pode e nem se deve falar abertamente sua condição. Quem tem problema de coração não é obrigado a se expor publicamente. Por que o soropositivo é? Se falar a respeito na relação social e no trabalho, será destruído. Deve-se apenas contar a verdade na relação médica e na íntima. Vejo que a AIDS pauperizou, mas o preconceito é elitista. Ainda se tem a idéia de que é uma doença de guetos, o indivíduo abastado costuma comprar o coquetel para não ter de mostrar a cara na rede pública. O que se vê é que a epidemia freou entre os homossexuais, porque eles ficaram mais precavidos, enquanto galga entre os heterossexuais.”

Uso de camisinha

  • Normalmente, as pessoas abandonam o uso do preservativo nas relações duradouras 38% da população sexualmente ativa usaram preservativo em sua última relação
  • Esse número sobe para 57% quando se consideram os jovens de 15 a 24 anos
  • Mesmo no chamado sexo casual, apenas 58,4% usaram preservativo
  • Quem abusa do álcool tem cinco vezes mais chances de fazer sexo sem proteção

Fonte: Boletim Epidemiológico 2007 do Ministério da Saúde

Quase 30 anos de AIDS no Brasil

  • O primeiro caso de aids no país ocorreu em 1980, em São Paulo, sendo comprovado dois anos depois De 1980 a junho de 2007 foram notificados 474.273 casos
  • Em 1985, havia 15 casos da doença em homens para um só registro em mulher.
  • Hoje, a relação está de 15 para 10
  • Já na faixa etária de 13 a 19 anos ocorre uma inversão na razão de sexo, a partir de 1998, sendo 6 homens infectados para cada 10 mulheres
  • Também há crescimento da epidemia entre os heterossexuais, concentrada na faixa etária de 25 a 49 anos
  • Em ambos os sexos, há aumento na contaminação entre os maiores de 50 anos
  • De 2000 até junho de 2007, 36.300 grávidas foram diagnosticadas com a doença

 

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