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Edição n1 Revista Viver Brasil
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No Ritmo de Lacerda
Nesta edição

meio ambiente
Varal Ecológico

Texto: Silvânia Arriel
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Meio Ambiente - Revista Viver BrasilQuem poderia imaginar uma coisa dessas: a salvação do planeta puxa o fio do passado e traz de volta as fraldas de pano. Tão atrasadas frente às práticas descartáveis, do usou-e-jogou-no-lixo, elas ganham a preferência dos ecologicamente corretos e, se depender do ímpeto dos aguerridos defensores da natureza, vão encher varais mundo afora. Este movimento, mais forte nos países ricos, ganhou páginas na internet e chega ao Brasil. Prega que é melhor entulhar varais do que despejar nos aterros sanitários diariamente bilhões de fraldas descartáveis, que levam em média 450 anos para se decomporem, mais que a existência de quatro gerações destes bebês contemporâneos. Ensina as mães nada familiarizadas a lidar com este item do enxoval das vovós que parecia relegado ao esquecimento, mostra os benefícios para a criança e o planeta, que gasta recursos naturais para a fabricação do produto descartável, que logo vira lixo.

“Faz bem e não dá trabalho. Eu conheço várias mães que aderiram às fraldas de pano porque as descartáveis vazavam. Nunca mais tiveram problemas. Eu também não”,
diz a dona de casa paulistana Thais Sato, mãe de três filhos. O segundo usou fralda de pano com um ano e pouco e o último nunca colocou as descartáveis. “É pela ecologia e por não querer aquele monte de substâncias químicas chupando a umidade da pele dos meus filhos.” Ela empunha a campanha, mais difundida em São Paulo e Rio, em que a fralda de pano ganha status para lá do ambiental, o que poderia causar estranheza em quem prefere as comodidades da vida. “Sim, é prática, por mais que não pareça”, afirma a
produtora de moda Bianca Almeida.

O que poderia ser tachado de ecoxiita pelos menos ligados à salvação do planeta encontra respaldo em estudos e pesquisas. “Temos a extração de recursos naturais
para fazer algo que vai virar lixo pouco tempo depois”, diz o engenheiro ambientalista Sandro Don nini Mancini, professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquista Filho (Unesp). A história se repete amiudada, em segundos, mundo afora. Chega-se a
números estratosféricos no Brasil de 10,2 trilhões em 365 dias, que vão parar no lixo. “Se forem corretamente destinadas, como ocorre com 40% do lixo brasileiro, não há
inconveniente”, explica Mancini. O porém é quando não vão para aterros sanitários. “Há possibilidade de proliferação de doenças, cujos agentes transmissores estão no
sangue e nas fezes.” O problema é maior. “Elas são indestrutíveis e diminuem a vida útil dos aterros sanitários”, argumenta o engenheiro ambientalista Gil Por tu gal.

A Terra cobra a fatura. Mas se este movimento divide opiniões e causa polêmica, fora do país começa outra campanha: bebês livres de fraldas. Dá para imaginar uma coisa
dessas? As mães tentam identificar sinais emitidos pelos bebês antes de fazerem xixi e cocô e correm com eles para os peniquinhos. Haja disposição para o corre-corre. Tudo em nome do meio ambiente.

Lixo Durável
5 mil fraldas é a média que uma criança usa nos primeiros dois anos de vida
28 milhões de fraldas por dia no Brasil (são 5,6 milhões de bebês com até dois anos), 10,2 trilhões por ano 450 anos é o que se gasta para sua decomposição
5 árvores são cortadas para produzir 5.500 fraldas descartáveis. Elas são mistura de materiais, basicamente tipos diferentes de plásticos e até papéis
Fonte: Engenheiros ambientais Gil Portugal e Sandro Donnini Macini, IBGE

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