o começo é tudo um mar de rosas. Não é difícil notar um casal em lua-demel.
Olhares apaixonados, declarações de amor, beijos calorosos, sexo freqüente...
Porém, com o tempo se estabelece a rotina, as diferenças, as brigas,
os problemas, os filhos... Ingredientes que costumam despejar baldes de água fria no relacionamento. Será que todo casamento está fadado a esse
processo de esfriamento? Não, claro que não. É possível driblar essas armadilhas
do amor e manter a chama da paixão acesa.
Acesa a chama
O casal Zeila Cristina Gontijo Guimarães, 46, e Aurylio Campos Guimarães,
60, são exemplo de que o tempo não é necessariamente um inimigo a ser
vencido. São 22 anos de casamento e, acredite, eles afirmam que o passar
dos anos só melhorou a convivência a dois. “Estamos na melhor fase”, assegura
Zeila. E ela se refere a todos aspectos, inclusive o sexual. “Vamos conhecendo-
nos melhor a cada dia. Basta um olhar para saber o que o outro
está querendo.” Este aumento da cumplicidade deu um empurrãozinho para
a busca por novidades. Recentemente Zeila fez um curso de artes sensuais e
strip-tease. A atitude foi aprovadíssima pelo marido. “Uma pimentinha é sempre
bom, né?”, brinca Aurylio.
Outro segredo do sucesso no relacionamento está na separação dos papéis
de pai e mãe. Segundo a sexóloga Maria Virgínia Aguiar, com o nascimento
dos filhos e o crescimento da família a relação entre homem e mulher
acaba ficando para segundo plano. A tendência é que a mulher se volte para
os filhos e se esqueça da relação com o marido. Aurylio e Zeila também passaram
por essa fase. Mas perceberam a tempo que os momentos a dois eram fundamentais. Quando os filhos eram pequenos, a esposa, que, no princípio
não queria desgrudar-se da prole, resolveu experimentar acompanhar o
marido nas viagens a trabalho. “Percebemos que quando estávamos longe
das crianças voltávamos a namorar.”
E os filhos parecem mesmo ser uma armadilha. Casados há 10 anos, Andréa Pena Fragoso, 34, e Alexandre Fragoso, 40, admitem que o nascimento
das filhas foi a fase mais complicada do casamento. Um dos hábitos que se
perderam na época, segundo Andréa, foi o beijo na boca. Mas ela despertou
a tempo de não deixar o casamento ir por água abaixo. “Hoje não saímos de
casa sem dar um beijo no outro.” O casal também tenta reservar uma noite
da semana para saírem a sós. E pelo menos uma vez por ano viajam sem as
filhas. “Pequenas coisas podem ser responsáveis por grandes mudanças nos
relacionamentos”, afirma o terapeuta de casais Rodrigo Mendes Ferreira.
Autor do livro O Casal no Divã, Ferreira conta que a rotina é uma das queixas
mais freqüentes no consultório. Por isso, segundo ele, é importante verificar
as esferas de prazer do casal. “Lembrar daquilo que gostavam de fazer
na época do namoro ou no início do casamento”, sugere. Cinema, jantar romântico,
viagens, são ótimas alternativas para evitar a monotonia. Outro recurso
bastante procurado atualmente pelos casais e, em especial pelas mulheres, é a inovação no campo sexual. Aí vale tu do, desde lingeries ousadas
e brinquedinhos de sex shops a cursos de massagem e strip-tease.
E esse segmento encontra-se em franca ascensão. Prova disso é o serviço
oferecido pela fotógrafa Agnes Borges. Ela resolveu explorar as fantasias
de homens e mulheres criando um serviço que me xe com a imaginação: a
playboy exclusiva. Após uma megaprodução, as mulheres são clicadas pela
lente de Agnes e viram modelos da revista que tem exemplar exclusivo para
os maridos. “O resultado é óti mo. Os maridos adoram.” Gostam tanto que a
agenda da fotógrafa está lotada.
As lojas especializadas em lingeries e produtos eróticos são outras aliadas
na hora de esquentar a relação. O movimento nesses locais revela: os casais
querem manter acesa a chama da paixão. Há um ano, Cleidi Souza inaugurou
uma loja na região da Pampulha especializada em produtos sensuais e eróticos.“O movimento é cada dia melhor.” Juliana Fernandes, proprie tária de uma
loja especializada em lingeries, também afirma que aos poucos as pessoas estão introduzindo alguns apetrechos na
relação. “A maior parte dos clientes
são mulheres na faixa dos 30 a 35
anos, que buscam novidades para
esquentar a relação.”
A jornalista Rosana Lopes é um
bom exemplo. Ela teve criação rígida
e conta que só conheceu um
sex shop aos 35 anos de idade. A
partir daí, teve a oportunidade de
fazer alguns cursos, como poledance e strip-tease. “Ajudaram muito
a me soltar e a quebrar algumas
barreiras da minha educação.”
De garota bem comportada,
Rosana ainda surpreendeu o marido,
o cirurgião plástico Alexandre
Melo, ao presenteá-lo com um
book sensual produzido pela fotógrafa
Agnes Borges. “Ele adorou!
Ficou todo orgulhoso!”, conta. Hoje, ela ad mite que todas as novidades
de ram tempero a mais no
relacionamento. Mas ressalta que
o romantismo não foi deixado de
lado. Mes mo após quatro anos de
casamento, Rosana e Alexandre
ainda deixam bilhetinhos carinhosos espalhados pela casa. As datas importantes são sempre
comemoradas em grande estilo. Jantares românticosà luz de velas, festas-surpresa, com direito a declarações
de amor em público e viagens são hábitos que o casal
faz questão de preservar.
A tudo isso, a decoradora Virgínia Balesteros, 35, soma
a importância da vaidade para que o relacionamento não
esfrie. Casada há três anos com o advogado Igor de Pinto
Tavares, 32, Virgínia não perde a classe nem quando está
em casa. “Nunca estou de moletom e blusa de malha.
Procuro estar sempre arrumada, perfumada. Não podemos
perder o charme só porque estamos casados”, opina.
Como se vê, não existe receita única, mas vários ingredientes colocados
na medida certa podem fazer com que o casamento torne-se saboroso, prazeroso.
O mais importante é não descuidar. Afinal, como diz a sexóloga Maria
Virgínia de Aguiar, “manter a chama acesa é muito mais fácil do que acendêla
depois de apagada.”