Da forma que estamos acostumados, de bate-pronto, a comunicação não se estabelece. É preciso que, ao pisar no Projeto Assistencial Novo Céu, os padrões mudem e em vez do som da voz, possamos fazer a leitura dos olhos, tentar compreender a dimensão de um mundo a que não estamos acostumados, mas cheio de sentimentos e de gestos diminutos que significam grandes avanços. São 77 crianças, adolescentes e adultos que sofrem de paralisia cerebral ou alguma disfunção neuromotora grave abrigados na casa que tem 6 mil metros quadrados de área, numa região carente, o bairro Jardim Laguna, na cidade de Contagem. Grandioso, mas simples, o espaço do Novo Céu é uma casa daquelas pessoas que não podem ser cuidadas por suas famílias. Sem ajuda governamental, a grande luta do projeto é conseguir arrecadar recursos para despesas que ultrapassam 100 mil reais mensais.
O Novo Céu é o terceiro projeto que receberá doações do Viver Solidário, que tem a proposta de ser um link entre empresários que desejam ajudar e instituições que têm trabalho reconhecido. A entidade receberá 5 mil em produtos, doados pelo supermercado Super Nosso. Essa ajuda, segundo o diretor presidente do Novo Céu, Carlos Roberto Mirachi, é providencial para um lugar que tem gasto mensal de cerca de 1.500 reais por abrigado. “Essa parceria será de grande importância para nós, uma vez que a casa é mantida por doações diversas. Ações como essa nos possibilita dar continuidade ao nosso trabalho e melhorar a qualidade de vida de cada acolhido.” Somente com fraldas são quase 27 mil mensais com uma quantidade inimaginável – as geriátricas chegam a 25 mil fraldas; as infantis a 32 mil, sem contar 372 latas de Mucilon, 124 de Nutrison, 465 de Fortine, só para citar alguns dos produtos.
“Nossa premissa é a valorização e o cuidado em dar qualidade de vida para cada assistido, minimizando as sequelas impostas pela doença”, afirma Mirachi. Os abrigados do Novo Céu estão divididos por alas em que podemos encontrar bebês com 1,6 meses a adultos com 51 anos de idade. Basta conversar para que os olhos dos acolhidos fiquem atentos, brote um sorriso, um murmúrio, um gesto. São ações constantemente incentivadas não só pelas cuidadoras que estão o tempo todo nas alas, mas também através de tratamentos com psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, complementado por equipe de 110 pessoas formada ainda por enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais, cozinheiros, atendentes e outros profissionais. Ainda há os voluntários que estão constantemente na casa.
É um trabalho também para auxiliar na prevenção de sequelas que poderão agravar o estado geral da saúde destes assistidos, além de atuar na área de prevenção e promoção da saúde do portador da paralisia cerebral, bem como a de seus familiares e visitantes. “Temos também o objetivo de estimular o desenvolvimento por meio de pesquisa e produções científicas, contributivas à minimização dos agravos à saúde não só do Novo Céu, mas das demais instituições afins”, diz o diretor presidente. Com 20 anos de existência, o Novo Céu nasceu do sonho do português Abílio Alfredo Coelho, antes funcionário do projeto Caminhos para Jesus e que sonhava em criar um projeto em bairro periférico da região metropolitana, voltado exclusivamente para pessoas com paralisia cerebral. O terreno foi doado por comodato e a construção de 4 mil metros quadrados feita com doações. Mirachi explica que o objetivo de Coelho era criar uma casa para que a família carente pudesse deixar seu familiar com paralisia cerebral, mas que isso não significasse um afastamento da convivência. O incentivo é para que as visitas ocorram quando a família quiser e que, tendo condições de fazê-lo, ela possa levar a criança, jovem ou adulto para um passeio no final de semana. “Não podemos nos esquecer de que é preciso toda uma logística para que isso ocorra, com transporte especial e alguns cuidados, mas o nosso incentivo é para que isso aconteça”, explica. Mantido por contribuições em conta de água e luz, carnês e promoções diversas, o projeto Novo Céu incentiva todos os tipos de doações, de acordo com a disponibilidade de cada pessoa ou empresa. As roupas e objetos que são doados, se não puderem ser aproveitados no projeto, são levados para o bazar e vendidos. O dinheiro é utilizado para compra de produtos necessários aos abrigados. Para quem quiser saber mais sobre o projeto é só acessar o site www.novoceu.org.br ou ligar para (31) 3368-6860. |