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Quinta, 24 de Maio de 2012

Meio Ambiente

Empresariado verde

Preocupação com o planeta e com medidas para economizar dinheiro e recursos naturais leva empresários a adotarem medidas sustentáveis

Texto: Sueli Cotta | Fotos:
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As mudanças climáticas e a necessidade de modernizar a produção para reduzir gastos com energia elétrica e danos ao meio ambiente têm despertado o interesse dos empresários no sentido de adotar medidas que se adequem à nova ordem mundial. Mas não é só a consciência ecológica que anda ditando as regras. Existem imposições dos órgãos reguladores, dos governos federal, estadual e municipal e novas regras que estão sendo debatidas no Congresso Nacional. Por outro lado, empresários têm se adiantado com tecnologias inovadoras e adotam espontaneamente ações sustentáveis que beneficiam as comunidades onde atuam.

A Fundação Femsa e a Coca-Cola Femsa Brasil, por exemplo, doaram dois equipamentos móveis e três fixos para produzir água potável para a Defesa Civil de Minas Gerais. O objetivo é que os equipamentos sejam usados nas comunidades atingidas por catástrofes naturais, principalmente durante a época de chuvas. “A ideia do projeto é gerar políticas públicas que guiem ações específicas para beneficiar as comunidades carentes”, ressaltou o diretor da Fundação Femsa, Vidal Garza Cantú, durante a entrega do equipamento.

A Votorantim Metais, também tem ações e projetos na área. A empresa investiu 521 milhões de reais no projeto de Polimetálicos, sendo que, desse total, 82 milhões de reais foram destinados a investimentos em meio ambiente, saúde e segurança. A empresa adotou o conceito de resíduo “zero” nas novas plantas e investe na reciclagem de materiais com baixo teor de zinco, rejeitos da produção de zinco e pó de aciaria elétrica. Além disso, o gerente-geral de Sustentabilidade, Ricardo Barbosa, disse que “a Votorantim Metais possui uma agenda estratégica de sustentabilidade definida a partir da realização de um estudo aprofundado de tendências, desafios e oportunidades para o setor da mineração no Brasil e no mundo para os próximos 30 anos”. 

Preservação: O presidente do Sindiextra, Fernando Coura, anuncia ampliação de projetos ambientais no estado



A Natura, maior fabricante brasileira de cosméticos, vem, desde 2005, envolvendo-se em projetos sociais intermediados pelas mais de 113 mil consultoras. “Nas questões sociais, estamos acelerando nossos investimentos no programa Crer Pra ver, que tem como principal objetivo a melhoria da educação no Brasil. Acreditamos no equilíbrio entre as atuações econômica, social e ambiental”, explica Luis Bueno, diretor regional da Natura. O Programa Crer Para Ver já recebeu investimentos de 29 milhões de reais, no desenvolvimento de iniciativas voltadas para educação infantil, ensino fundamental e educação de jovens e adultos de escolas públicas por todo o Brasil. Ao todo, o programa já beneficiou cerca de 3 milhões de alunos, professores, coordenadores, orientadores pedagógicos e diretores em diversos municípios brasileiros.

As mudanças na legislação impõem às empresas adequações necessárias para diminuir os impactos da produção no meio ambiente. Mas “existem as normas obrigatórias dos órgãos reguladores e governos e as empresas voluntárias, que trabalham em prol da sustentabilidade”, frisa Carlos Massote, consultor da Mod Line, que fabrica móveis para escritórios e mudou toda a sua trajetória ao adotar medidas de sustentabilidade. “Fizemos intervenção em alguns setores. Só com a máquina multilâminas, conseguimos uma economia de 300 toneladas de madeira/ano”, comemora. As mudanças significaram uma economia de 172 mil de reais para investimentos previstos na ordem de 60 mil de reais. 

Alguns programas ajudam as empresas a conhecer, entender e implementar essas mudanças, como o Minas Sustentável, implantado pela Fiemg para estimular processos produtivos mais sustentáveis, com soluções que gerem economia e receita para as empresas de forma responsável. A meta, nesse caso, é produzir com custos econômicos, ambientais e sociais otimizados. O resultado dessa atitude sustentável vem na valorização da marca pelos consumidores, com consequente ganho em produtividade e competitividade.



Em 2011, o programa fez o diagnóstico socioambiental em 701 instituições, capacitou 202 empresas e incluiu no processo de licenciamento ambiental 293. No total, 14 tiveram as licenças concedidas, segundo informações da Fiemg. As alterações na legislação, no entanto, são um problema, principalmente para as empresas menores. “O que a gente percebe é que as pequenas e microempresas têm dificuldades em se adequar, porque essas mudanças têm um custo, e muitas não conseguem viabilizá-lo. As maiores e mais velhas têm mais facilidade em conseguir os financiamentos a longo prazo”, ressalta Wagner Soares, gerente de Meio Ambiente da Fiemg. As novas, para se instalarem, já têm que se adequar à nova legislação.

Mas, para o técnico da Fiemg, outro aspecto importante do trabalho feito pela entidade é o de levantamento do que está para acontecer daqui a cinco ou seis anos. ”Nós induzimos as empresas na regularização ambiental, e o outro passo é o de fazer a gestão ambiental para agregar melhorias”. Todos os projetos e discussões que acontecem no Congresso Nacional, no estado e nos municípios são acompanhados por especialistas da Fiemg para que essas adequações sejam bem compreendidas e implementadas.

Outro programa para estimular a “produção limpa” incentivado pela Fiemg e com o apoio do Centro Nacional de Tecnologias Limpas tem mudado a concepção de produção não só nas pequenas e médias empresas, mas também nas grandes indústrias. As atividades compreendem desde a sensibilização dos colaboradores das empresas até a avaliação dos efeitos das medidas identificadas e implementadas. Com a capacitação em Aplicação de Metodologia de Produção mais Limpa nas empresas, está se tornando possível, entre outras ações, reduzir o consumo de energia, água, matérias-primas e insumos, diminuindo-se também as emissões atmosféricas, a  geração de resíduos e efluentes. 

Parcerias entre o setor produtivo e o governo de Minas também têm resultado em ações voltadas para a preservação e a recuperação do meio ambiente. Uma dessas iniciativas foi a assinatura do pacto de preservação de um dos principais cartões-postais do estado, a serra da Moeda. O Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra), oito empresas do setor e a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) assinaram um protocolo de intenções para instituir o Plano de Monitoramento Contínuo da Serra da Moeda. As ações incluídas no plano serão para monitoramento, proteção e desenvolvimento sustentável da região.

Segundo o presidente do Sindiextra, José Fernando Coura, essa parceria, que deve se repetir em outras áreas de preservação do estado, vai funcionar com a Subsecretaria de Controle e Fiscalização Ambiental da Semad e a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Os dois órgãos farão inspeções de rotina nos empreendimentos minerários da serra da Moeda para avaliação e verificação das emissões de efluentes atmosféricos, líquidos e sólidos e de resíduos sólidos, na manutenção de cortinas arbóreas das vias de acesso às minas, da umidificação dessas vias, da revegetação de áreas desativadas e de outras obras e adequações definidas com o governo de Minas. 

Fim da linha: sacolas de polietileno saíram de cena

Menos plástico



Sueli Cotta

Desde a aprovação da lei 9.259/2008, que obriga os estabelecimentos a aposentar os modelos convencionais e distribuir apenas sacolas de material biodegradável ou retornável, a rotina de quem faz as compras em estabelecimentos comerciais de Belo Horizonte mudou. Com a proibição, em abril de 2011, o consumidor passou a usar caixas de papelão, sacolas mais duráveis (de tecidos, lonas, TNT, sisal ou plásticos) ou as compostáveis e biodegradáveis, oxibiodegradáveis e recicladas. 

Pelo balanço da Associação Mineira de Supermercados (Amis), seis meses após, o uso de sacolas plásticas em Belo Horizonte caiu 97%. Deixaram de circular pelo menos 78 milhões das de polietileno comum ou aditivado (oxidáveis) ou 360 toneladas de plástico. “Houve uma adesão surpreendente”, afirma o superintendente da Amis, Adilson Rodrigues. Entre o projeto aprovado pela Câmara e a regulamentação pela prefeitura, foi um longo caminho, que permitiu ao comércio a adequação. “O processo foi finalizado após três anos da aprovação da lei. O mineiro tem fama de ser conservador, mas essa iniciativa mostrou o contrário: o vanguardismo do mineiro”. 

O projeto para restringir o uso de sacolas plásticas em Belo Horizonte, de autoria do vereador Arnaldo Godoy (PT), foi sancionado pelo ex-prefeito Fernando Pimentel em 2008. Após muita discussão, foram feitos ajustes para colocar a lei em prática. O prefeito Marcio Lacerda conseguiu a adesão de sete entidades que lançaram com a prefeitura uma campanha educativa com o tema “Sacola Plástica Nunca Mais”. 

Para os primeiros meses de vigor da lei, foram encomendadas 100 mil sacolas retornáveis, que, em 20 dias, tinham desaparecido dos supermercados. As fábricas tiveram que confeccionar às pressas mais 350 mil. Foram vendidas mais de 2 milhões. As sacolinhas permitidas são confeccionadas a partir de amido de milho. A estimativa da Amis é de que sejam comercializadas, por dia, uma média de 15 mil nos meses normais e 18 mil em períodos mais intensos de consumo.

Mudança: consumidores agora levam suas sacolas às compras



O custo da nova tecnologia para a substituição das sacolas plásticas, no entanto, mexe no bolso do consumidor, que tem evitado mais esse gasto. “A sacola plástica estava incluída no preço final porque tinha um custo muito baixo. Cada uma saía a 0,02 de reais ou 0,03 de reais. O preço pulou para 0,19 de reais”, pondera Adilson Rodrigues. Nas divisas de Belo Horizonte, o custo das sacolinhas pesa, e o consumidor opta por comprar nos estabelecimentos onde ganha a embalagem. A expectativa é de que projeto que tramita na Assembleia Legislativa ponha fim à “guerra das sacolas”.

Para a presidente do Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais (MDCMG), Lúcia Pacífico Homem, “já era tempo” de se limitar o uso das sacolas plásticas. As donas de casa, segundo ela, vinham adotando opções retornáveis bem antes de a lei ser aprovada. A presidente do MDCMG entende que houve aceitação grande das pessoas. “Elas se conscientizaram e têm criado o hábito de levar as sacolas retornáveis”. 

Outro que aplaude a mudança nos hábitos do belo-horizontino é um dos coordenadores do Projeto Manuelzão, Antônio Thomaz Gonzaga da Matta Machado. Ele acompanha as mudanças incorporadas ao dia a dia das pessoas e acredita que o resultado foi melhor que o esperado. “Em outro episódio, o dos apagões no governo do presidente FHC, também houve adesão surpreendente da população”.

Quem acha, no entanto, que a alternativa para a confecção das atuais embalagens isenta o meio ambiente dos efeitos maléficos do plástico está enganado. Estudo realizado no Laboratório de Ciências e Tecnologia de Polímeros do Departamento de Engenharia Química da UFMG indica que as sacolas compostáveis e biodegradáveis têm composição semelhante à das convencionais. As amostras colhidas no comércio de Belo Horizonte pela equipe liderada pelo professor Roberto Fernando de Souza Freitas constataram que, além do amido de milho, de mandioca ou batata, algumas sacolas apresentaram aditivos inorgânicos que podem ser poluentes. Nos estudos em sacolas oxibiodegradáveis, foram detectados percentuais semelhantes de polietileno aos das sacolas de plástico tradicionais. Já as compostáveis apresentaram de 7 a 8% de resíduo poluente, e as outras amostras, 15%. Ou seja, apesar de um impacto menor, o meio ambiente continua sendo atingido.

Bem rentável



Fernando Torres e Janaína Oliveira

A mineração vive um momento de mobilização para alcançar o desenvolvimento sustentável em sua cadeia produtiva. Aliar negócios, progresso econômico, responsabilidade social e conservação do meio ambiente tem sido meta das empresas que atuam no país, por meio de ações que tornem a sustentabilidade possível. A preocupação com as riquezas naturais também aparece em forma de dinheiro. Pelo menos 10% do volume de 68,5 bilhões de dólares previstos para os próximos cinco anos no país serão investidos na área ambiental, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

“Parcela importante dessa quantia será destinada ao Pará e a Minas Gerais, os dois grandes produtores brasileiros. E, quando falamos em sustentabilidade, estamos falando também na busca do risco zero, na transformação econômica da região, na saúde e na segurança do trabalho e na capacitação do ser humano”, detalha o diretor de Assuntos Ambientais do Ibram, Rinaldo Mancin.

Exemplo disso é o projeto Green House da siderúrgica V & M do Brasil, em Belo Horizonte. “A estratégia é focada na redução da emissão de CO2 e no uso racional de energia. Nosso objetivo é reduzir em 20% a utilização de fontes energéticas e as emissões de gases do efeito estufa até 2020”, informa o assessor de sustentabilidade, Alexandre Mello.  Segundo ele, a V & M economizou 63 milhões de kWh em 2010. “Para isso,  controlamos o consumo de gás natural e otimizamos o funcionamento de equipamentos”.

A empresa também investe em pesquisas para obter florestas com maior produtividade e no aumento da vida útil da mina Pau Branco, em Brumadinho, na região metropolitana. “Outras ações sustentáveis são a gestão de resíduos, de efluentes, o uso racional e a reutilização da água, a saúde e a segurança do trabalhador e o desenvolvimento da comunidade”.

O investimento mais robusto em pessoal, tecnologia, mediação de conflitos, capacitação técnica e em equipamentos modernos que permitem, entre outros benefícios, economia e reutilização de água também é destacado pelo presidente da Comissão de Direito Ambiental da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas (OAB-MG), Mário de Lacerda Werneck.  “A legislação avançou muito desde a criação da Política Nacional do Meio Ambiente, há 30 anos. De lá pra cá, novos mecanismos foram criados e os empreendedores entenderam bem o recado. Hoje, a mineração tem cumprido à risca seu papel. E o mau minerador tem que ser fechado”, diz, ressaltando a importância da parceria entre Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra), Ministério Público, órgãos ambientais e sociedade civil. 

Foto: Victor Schwaner

Mineração consciente



Janaína Oliveira

No passado considerada uma das vilãs do meio ambiente, a atividade minerária hoje já tem conseguido reverter essa imagem. Isso tem sido obtido a partir de ações de responsabilidade ambiental e social, recuperação imediata das áreas mineradas e redução dos impactos. As iniciativas, inicialmente, foram adotadas por obrigação legal e por pressão social, mas, hoje, já fazem parte da cultura da maioria das empresas mineradoras, conforme aponta Cristiano Monteiro Parreiras, diretor administrativo do Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra) e integrante do grupo de trabalho de meio ambiente do sindicato, na entrevista abaixo sobre o passado e o presente da mineração.

Pensando na área ambiental da mineração ontem e hoje, o que mudou principalmente?

Muita coisa. Podemos dizer que a variável ambiental foi inserida no contexto da mineração, assim como para toda a sociedade. Hoje, a atividade minerária incorpora em seus projetos a questão ambiental, procurando mitigar os impactos decorrentes da atividade.

Houve evolução nos investimentos?

Os aportes realizados atualmente na área ambiental são substancialmente maiores que os investimentos realizados no passado.

As práticas atuais das mineradoras são menos agressivas à natureza?

As práticas minerárias são substancialmente menos agressivas do que eram no passado. Atualmente, há cuidado com a abertura da lavra, com o tratamento dos rejeitos e das pilhas de estéreo, de forma a diminuir a área impactada.  E a recuperação da área é quase imediata. 

É possível pensarmos em mineração e sustentabilidade não como coisas de lados opostos?

Claro. O que vemos hoje na atividade de mineração são empresas que procuram, inclusive, alargar o conceito de sustentabilidade, com inserção de novas práticas, como gestão integrada de territórios, que envolvem também a comunidade do entorno na implantação e na operação dos empreendimentos.

O que uma mineradora precisa fazer para ser sustentável? 

A mineração sustentável, além do cuidado com a questão ambiental, adota inovadoras ações no campo da responsabilidade social, como o cuidado com as comunidades nas quais está inserida. As mineradoras visam ao desenvolvimento da população local, de forma sustentável, valorizando as vocações regionais e promovendo a qualificação da mão de obra. Além disso, há esforço do setor para levar prestadores de serviços e uma cadeia de apoio à mineração para esses locais, gerando emprego e renda. Existem também programas que visam preparar os municípios para o encerramento da atividade de mineração, por meio da diversificação a economia local.

Como é feita a recuperação das áreas degradadas hoje? 

Antes havia uma preocupação menor com a recuperação das áreas degradadas. Hoje, o que vemos é que há uma preocupação enorme de se fazer a recuperação imediata das áreas impactadas. Assim que determinadas áreas deixam de ser mineradas ou de ser necessárias aos projetos de mineração, já podem ser recuperadas. Em alguns momentos, determinadas partes dos territórios podem ser recompostas e exercer sua função social e ambiental. Em Belo Horizonte, tanto o parque dos Mangabeiras quanto a praça JK, no Sion, são exemplos de áreas recuperadas de mineração.

Os acidentes ambientais têm diminuído?

Há bastante tempo, não há um grande acidente ambiental, até em função da preocupação e das ações do setor. O que temos visto é aprimoramento, acréscimo de novas técnicas, novas tecnologias, visando diminuir o número de acidentes. 

Cresceu a preocupação com relação ao impacto da mineração na água.  Como isso tem sido trabalhado? 

O setor mineral, em sua maioria, faz reúso. Recirculamos a água utilizada no processo produtivo, de forma a diminuir o consumo de água nova, sendo a água já utilizada devolvida ao meio ambiente seguindo rigorosos padrões ambientais. O setor hoje procura diminuir a utilização deste importante mineral, não sendo o seu maior consumidor.

A mudança na maneira de lidar com a natureza foi motivada pela legislação e pela pressão popular? Cuidar do meio ambiente é uma forma de melhorar a imagem perante a população?

Muitas ações que as empresas adotam na área ambiental têm o caráter de ser obrigação legal. E é claro que a pressão popular veio a contribuir para que a mineração tivesse uma responsabilidade socioambiental maior. Porém, vemos empresas indo além da responsabilidade legal, instituindo áreas de preservação e cuidando de áreas de interesse ecológico por ações de responsabilidade. Essas ações demonstram à comunidade os benefícios da atividade mineral e o amadurecimento do setor na área ambiental.

Como o Sindiextra vê e trabalha a área ambiental?

A posição do Sindiextra é bastante alinhada com a da Fiemg. Destaca-se o programa Minas Sustentável e também a área de meio ambiente da Confederação Nacional das Indústrias. Além disso, o sindicato possui uma diretoria de meio ambiente que coordena um grupo de trabalho na área ambiental. Nós compartilhamos os bons exemplos e procuramos tirar deles bons proveitos. Dentro da atuação desse grupo de trabalho, destaca-se a assinatura do protocolo de intenções com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, visando dar mais transparência e auxiliar na fiscalização da atividade mineradora. Esse protocolo foi assinado especificamente para a serra da Moeda, mas já estamos trabalhando para que seja expandido para outros locais onde ocorre atividade mineral.  

Diversão sustentável



Janaína Oliveira

O ano de 2012 chegou, mas os temas sustentabilidade e meio ambiente não saem de moda. Mundo a fora, a onda verde chegou – e  colou – nos festivais de música. A pegada sustentável virou estrela no Rock in Rio, no SWU, em Paulínea (SP), no Planeta Brasil, em Belo Horizonte. Em terras mineiras, o festival tornou-se referência  quando o assunto são ações ecoamigáveis. 

Na última edição do evento, em novembro de 2011, da estrutura dos camarotes à decoração, tudo foi feito com material reciclado, posteriormente doado para instituições que trabalham com reaproveitamento de lixo. Repetindo a prática bem-sucedida das duas edições passadas do festival limpo, o óleo de cozinha foi transformado em biodiesel para geradores e árvores foram plantadas para diminuir o impacto da emissão de CO2.  

Usando a música como ferramenta, os idealizadores do festival, Igor Campolina e Henrique Chaves, diretores da SleepWalkers Entretenimento, visam encorajar ações em prol do meio ambiente mesmo no cotidiano. Reciclagem, uso do biodiesel, gestão de resíduos, plantio de árvores, neutralização da emissão de CO2, arrecadação de pilhas e baterias, uso do transporte coletivo, de caronas e bicicletas são estratégias para preservar a vida na Terra e o ecossistema. 

“O entretenimento quebra barreiras culturais. Conscientiza os jovens entre 18 e 30 anos, que serão os empresários, os políticos do futuro”, diz Igor Campolina. “Temos que fazer com que as pessoas entendam a realidade para que promovam as mudanças em favor da saúde do planeta”, emenda Henrique Chaves. 

Além de atrações nacionais e internacionais, o Planeta Brasil promoveu oficinas de educação ecológica, gincanas, teatros e palestras sobre preservação ambiental em escolas públicas da cidade. “A cada ano, a sustentabilidade ganha mais força e fôlego”, garante Igor. 


De mãos dadas com a terra

O que é feito para compensar o impacto ambiental

  • Plantio de 10 mil árvores na reserva particular de patrimônio natural (RPPN) do sítio Pau Brasil, no município de Coruripe, em Alagoas.
  • Coleta seletiva.
  • Resíduos recicláveis são encaminhados às cooperativas de catadores e os não recicláveis são destinados aos aterros sanitários licenciados.
  • Entre 2.600 e 3.900 pessoas beneficiadas com ações sociais.