Aprovado por 69% da população, segunto pesquisa do Ibope divulgada recentemente, o governador Antonio Anastasia (PSDB) aparece como o quarto melhor governador do país, ao lado do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB). A sua administração foi a terceira melhor avaliada, com 55% de aprovação, segundo a mesma pesquisa. Minas Gerais aparece na revista The Economist, como um dos principais estados brasileiros preparados para grandes investimentos. Reconhecido nacionalmente como um dos maiores especialistas em administração pública, Anastasia tem a respondabilidade não só de administrar bem o estado, como o de torná-lo o principal cartão de visitas para o projeto político do senador Aécio Neves, que trabalha para ser o candidato do PSDB à presidência da República em 2014. Apesar do bom desempenho, o governador mineiro enfrenta os problemas causados pela crise financeira internacional, que afeta diretamente a economia do estado, que tem nas exportações sua principal fonte de arrecadação. As greves alimentadas pelo fator político eleitoral também prometem perturbar a tranquilidade do governador mineiro, que trabalha com afinco para diversificar a economia mineira e mudar o seu perfil.
Conhecido e reconhecido nacionalmente como um dos maiores especialistas em administração pública, o governador Antonio Anastasia tem como desafio aliar esse conhecimento à atuação política e atender as demandas dos diversos setores da sociedade, sem comprometer a máquina pública. Passado o primeiro ano de governo, pelo menos em princípio, não serão realizadas mudanças radicais “apenas alguns ajustes, mudanças pontuais, que não precisam de data para serem feitas. Criou-se uma expectativa de que em janeiro, no primeiro ano há uma reforma no governo. Isso não existe”, pondera o governador. Mesmo fazendo apenas “mudanças pontuais”, pretende cobrar avanços em várias áreas. “Se você me perguntasse assim: o governador está 100% satisfeito? Eu te responderia, jamais estará e nem pode, porque nós temos que ter sempre desafios e temos que nos aprimorar em todas as áreas”.
Mesmo sem grandes expectativas de mudanças, o governdor Antonio Anastasia aguarda o pedido de exoneração de secretários e servidores dispostos a participar das eleições municipais deste ano. “Se algum secretário quiser ser candidato, nós temos a possibilidade de sua saída. Mas nenhum secretário ainda me falou nada”.
Desgaste na EducaçãoOs mais de cem dias de greve dos professores no ano passado não só causaram desgaste para o governador Antonio Anastasia, como provocaram críticas e desconfiança de setores alinhados ao governo em relação a condução das negociações. Mas para Anastasia é necessário que se destaque que “esta foi a greve do sindicato. Do ponto de vista geográfico ficou concentrada em Belo Horizonte. No auge da greve não chegaram a 10% dos professores afastados das salas de aula”. Os efeitos, mesmo que localizados, são danosos para o processo educacional, segundo o governador, que decidiu ser mais cauteloso também em relação a reposição das aulas, para não acontecer como em greves anteriores, onde o estado pagou pela reposição das aulas, sem que elas acontecessem. “Nós vamos fazer o pagamento desde que haja a reposição. Se não houver, não haverá pagamento. O nosso objetivo é que haja a atenção ao aluno, para que ele tenha a educação de qualidade”. Aos que apostam na saída da secretária de Educação, Ana Lúcia Gazola, o governador manda um recado: “a Secretaria de Educação e sua equipe são muito capacitados e altamente qualificados, tecnicamente muito bem preparada e não há motivo para nenhuma alteração”. Greves X eleiçõesO relacionamento entre governo e sindicatos “nem piora, nem deixa de piorar”, segundo o governador, devido as eleições municipais, quando normalmente os servidores intensificam as suas tentativas de melhorias salariais e de ganhos de benefícios. “O sindicato tem uma posição política, que faz parte do jogo democrático. Mas sempre ponderamos que esse radicalismo não faz bem na questão da política pública de educação”. Para evitar maiores transtornos, o governador Antonio Anastasia mantém um comitê permanente com os sindicatos e já conseguiu fechar alguns acordos como nas áreas de saúde e segurança pública e com a aprovação da política remuneratória dos servidores na Assembleia Legislativa. Efeitos da criseA crise internacional preocupa e afeta diretamente a economia mineira, muito voltada para as exportações e commodities agrícolas e minerais. “Todos os indicadores para 2012 são preocupantes”, alerta o governador, que ainda não tem a estimativa da queda na arrecadação de ICMS ocorrida nos meses de outubro, novembro e dezembro e que vão impactar as contas do estado. Ainda assim, não haverá déficit e vamos continuar assim. Mas não teremos o crescimento esperado”, pondera. Os ajustes na economia mineira nos oito anos de governo Aécio Neves também deixam pouca margem para que sejam feitos grandes cortes ou alterações na estrutura de governo. Segundo Anastasia, alguns cortes podem acontecer, mas existem limites. Por outro lado, as despesas do estado também aumentaram, inclusive com a folha de pagamento com “aumento expressivos para os servidores”, justifica. Mudança no perfil da economia mineiraA saída para evitar abalos nas contas do governo estão, segundo o governador Antonio Anastasia, na mudança do perfil da economia mineira e por isso o esforço que tem sido dispensado para viabilizar a instalação de empresas da chamada nova economia, principalmente ligadas a tecnologia da informação e biotecnologia, além “de criar um ambiente para atrair novas empresas e ampliar as atuais. “Minas Gerais é o estado mais afetado por causa do perfil da economia e queremos reverter essa situação. Agregar valor à economia é um desafio. O esforço que o governo de Minas tem feito é para trazer empresas que tenham essas características”. Além da instalação de novas empresas no estado, o governo de Minas também comemora a abertura do escritório de projetos da Embraer no estado. O processo de mudança no perfil da economia, no entanto, é lento, não se dá da noite para o dia. Anastasia lembra que quando o ex-governador Rondon Pacheco trouxe a Fiat para Minas Gerais na década de 70, os efeitos só foram sentidos 15 anos depois.
Dívida com a UniãoA dívida de Minas Gerais com a União, negociada no governo de Eduardo Azeredo, que pulou de 14 milhões de reais para 64 milhões gera muita confusão, no entendimento do governador Antonio Anastasia. Ele explica que, na época, a negociação foi vantajosa para todos os estados, não só Minas Gerais. O que os 27 governadores buscam agora é alterar o indexador, que acarreta uma elevação muito expressiva da dívida. Em 2028, quando termina o prazo para o pagamento da dívida, aí sim haverá um problema. Atualmente o governo paga religiosamente em dia os encargos da dívida estipulados em 13% da receita líquida corrente do estado. “Estamos tentando antever o que vai acontecer em 2028. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ficou muito sensibilizado e não ouvi da presidente Dilma Rousseff nada contrário. Acredito que o governo federal colocará esse assunto dentro do bojo da reforma tributária”. |
Presidente DilmaA decisão do PSDB de preservar a relação dos governadores da legenda com a presidente Dilma Rousseff tem permitido uma relação amistosa e sem discriminações. A oposição do PSDB ao governo do PT tem se dado no Congresso Nacional e no âmbito partidário. “Não podemos confundir administração pública com política. O relacionamento entre o governo do estado e o federal é muito amistoso, temos várias parcerias. A presidente Dilma tem ajudado em projetos importantes, estratégicos para o estado. É um relacionamento republicano e maduro”, elogia Anastasia. Eleições municipaisDa mesma forma que mantém uma relação amistosa com o governo federal, em Minas Gerais a administração estadual não discrimina os prefeitos de partidos que fazem oposição ao governo. Sem que haja prejuízos para esse relacionamento, o governador Antonio Anastasia está disposto a ajudar os partidos aliados durante o processo eleitoral. Ele ainda não sabe como vai se programar para ajudá-los, mas já se prepara para gravar depoimentos para serem veiculados no horário eleitoral gratuito e durante a campanha. “O momento eleitoral, faz parte da atividade política, cabe ao governador do estado participar da campanha, sem nenhum demérito. Faz parte do jogo democrático”. O cuidado maior será nas cidades em que mais de um candidato de partidos da base de sustentação do governo estiverem participando. “Temos uma base política muito ampla e vamos verificar nas cidades onde a base tem dois ou três candidatos e isto está sendo feito sob a orientação dos partidos que compõe a nossa base”. Belo HorizonteOs problemas enfrentados pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB) para manter a aliança PSB/PT/PSDB não preocupam os tucanos, que trabalham para que a aliança se repita, desde que o partido entre formalmente na aliança e não informalmente como exigem setores do PT. “O PSDB já declarou, para nosso aplauso, que fará parte da coligação, desde que seja formal. Já fomos convidados pelo PSB, o partido líder da coligação, para aliança formal. Nós estamos muito simpáticos a esta ideia. Faltam os acertos com os diretórios e lideranças partidárias”. Aécio, o líderUma das metas para os próximos três anos de governo para Antonio Anastasia será a de manter Minas Gerais como a principal vitrine eleitoral para o senador Aécio Neves apresentar ao país, se ele conseguir se viabilizar como o candidato do PSDB à presidência da República em 2014. “O senador Aécio é a esperança mineira para assumir a presidência, e Deus queira que, se depender da minha vontade, o mais cedo possível”, torce Anastasia, que acompanha da Cidade Administrativa, a evolução do quadro político e eleitoral brasileiro. Para o tucano, Aécio fez um “governo histórico em seus dois mandatos em Minas Gerais. Foi o governador que nos últimos tempos apresentou o melhor acervo de obras, de realizações. Ele colocou a autoestima de Minas Gerais em uma posição muito positiva. Isso é importantíssimo”, reverencia. Preocupações com a Copa de 2014O governo de Minas tem feito o dever de casa para garantir a infraestrutura necessária para a realização dos jogos da Copa do Mundo de 2014, em Belo Horizonte. As obras no estádio do Mineirão estão dentro do cronograma, “o governo federal honrou com o seu compromisso e liberou os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES)”. A prefeitura de Belo Horizonte tem investido na estrutura física com apoio do estado e da União, mas o aeroporto internacional Tancredo Neves, em Confins, está com o seu cronograma atrasado e o temor do governador é o de que a demora da Infraero inviabilize a realização das obras necessárias de ampliação e modernização do aeroporto. “ Nós oferecemos o máster plano ao governo federal, todo o planejamento está pronto, mas precisamos que haja decisões inclusive da privatização ou PPP do aeroporto, como aliás foi feito com Viracopus( em Campinas), Guarulhos (São Paulo) e Brasília”. Um bom começoApesar das turbulências internacionais, o primeiro ano do seu segundo mandato, mas o primeiro em que passou pela aprovação das urnas, o governador Antonio Anastasia entende que conseguiu avançar, principalmente na atração de novas empresas e geração de empregos, uma das prioridades definidas no seu programa de governo e que colocou Minas Gerais com índices acima da média nacional. Esse desempenho foi reconhecido internacionalmente, comemora Anastasia, ao tomar conhecimento da matéria publicada na revista inglesa The Economist, que destaca Minas Gerais em terceiro lugar, como um dos estados brasileiros mais preparados para receber investimentos estrangeiros. “Esse levantamento nos estimula ainda mais e indica que estamos no caminho certo”. |