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Quinta, 24 de Maio de 2012

Carreira

Líder completo

Não basta ser bom funcionário para ocupar cargos altos na empresa; é preciso ter também competência socioemocional

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É comum que profissionais muito competentes tecnicamente se destaquem nas organizações e sejam promovidos a chefes, assumindo posição de liderança e a responsabilidade pela coordenação de recursos, processos e pessoas. Geralmente, são profissionais com boa formação acadêmica, que entendem como poucos do negócio. No entanto, nem sempre esse profissional que domina a técnica está preparado para ser um gestor. E a nomeação pode acabar sendo um fracasso.

A professora de Comportamento Organizacional da Fundação Dom Cabral, Marta Campello, explica porque às vezes o improvável acontece. Segundo ela, o bom líder precisa ter muito mais do que atributos técnicos e teóricos. “Ele precisa também do que denominamos competência socioemocional. Afinal, lida todo o tempo com pessoas e, consequentemente, com relações, sentimentos e emoções”, afirma, lembrando que 90% das diferenças entre os líderes de destaque e os líderes comuns estão na liderança emocional.

Especialista no assunto, a professora Marta elaborou e coordenou a pesquisa “O status das competências de lideranças socioemocional de gestores brasileiros”. Ouviu 1.200 gestores de empresas de grande porte e comprovou o que já suspeitava: dentre as 18 competências listadas, a que teve pior desempenho foi a de autoconhecimento. “A verdade é que muitos líderes não se conhecem. E, assim sendo, não têm a possibilidade de fazer uma boa gestão de si”, explica. 

Para a pesquisadora, o gestor que não se conhece compromete sua inteligência emocional. “Só se conhecendo você tem chances de se controlar”, diz Marta, que coloca o autoconhecimento como antídoto contra gritos, choros e socos na mesa. Uma atuação intempestiva, segundo Marta, acaba sendo também tóxica. E é aí que aparece a segunda competência pior avaliada na pesquisa: o desenvolvimento do outro. “Se a pessoa não se conhece, como pode desenvolver e aproveitar o potencial do seu colaborador?”, provoca.

O sucesso como líder, receita Marta Campello, passa por atitudes que vão desde ficar mais próximo dos liderados, perguntar, escutar, substituir o email pelo olho no olho, ouvir críticas e sugestões e ter humildade até psicoterapia e leitura de publicações de Daniel Goleman. “Se você tem a intenção de se tornar um verdadeiro líder, esse é o caminho”, ensina a professora.