Um fato marcante da história, o suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, ajudou a traçar o destino do belo-horizontino Carlos Roberto Horta. “No dia da morte de Getúlio, eu fazia 7 anos. Com o luto nacional e as lojas fechadas, não ganhei presentes e esse fato despertou minha curiosidade. Ouvi a leitura da carta-testamento. Foi um começo de tomada de consciência, resultando em uma criança chata, que falava de política com todo mundo”, lembra. Na juventude, não deu outra: Carlos Roberto se engajou na luta contra a ditadura militar. Cursou filosofia e mestrado em ciência política na UFMG. Aos 65 anos, viu passar pelo Planalto muitos presidentes até a chegada de Dilma Rousseff. Professor de ciência política da UFMG, ele faz análise sobre o um ano da petista no poder. Para ele, se as eleições fossem hoje, Dilma se reelegeria.
Como o senhor avalia as políticas adotadas pela presidente Dilma?
Um ano de mandato, para esse tipo de avaliação, ainda é pouco tempo. Existem diferenças em relação ao governo anterior e alguns de seus programas e projetos estão ainda se completando. São implantadas mudanças em alguns programas e outros, novos, estão se delineando. Uma identidade mais própria do governo Dilma deverá se mostrar mais nitidamente ao longo de 2012.
Mesmo com escândalos que levaram o afastamento de sete ministros, a presidente obteve aprovação recorde na série histórica da pesquisa CNI/Ibope para o primeiro ano de mandato. Como explica isso?
Tudo indica que a sociedade confia na presidente e na sua seriedade no combate à corrupção. Ao mesmo tempo, parece que, cada vez mais, as pessoas entendem o que é uma base de apoio marcada por identidades tão diferenciadas como são os partidos que a compõem.
Dilma foi criticada por não ter experiência em cargo eletivo. Foi chamada de poste. Ela conseguiu impor estilo próprio?
Sem dúvida que sim. Seu estilo parece consolidar a confiança que inspira no povo.
Em relação à economia, com a crise internacional, acredita que a equipe de Dilma está tomando medidas para evitar que a turbulência financeira atinja o país?
Mesmo considerando que esta nova crise é, aparentemente, mais profunda, mais grave que a anterior, a de 2008, a receita que inclui o fortalecimento do mercado interno, ou seja, a sociedade comprar, consumir, tende a manter a economia em movimento. É uma lógica relativamente simples.
O ex-presidente se destacou no cenário internacional, viajou por vários países. Dilma, ao contrário, reduziu as viagens. Isso pode afetar a política internacional?
Creio que o mundo viu o que Lula plantou e sabe que ele fez a sucessora. Ele tinha que mostrar ao mundo uma nova imagem do Brasil e foi isso o que ele fez. O país é mais respeitado hoje, reconhecido como potência emergente, economia forte e dinâmica. A presidente poderá, de fato, viajar menos, sem prejuízo para nossa política externa.
Com a reforma ministerial, ela pode perder apoio no Congresso? Conseguirá se impor diante das exigências de outros partidos?
Creio que ela é suficientemente bem assessorada politicamente e que consegue trocar ministros sem provocar grandes perdas na base de apoio.
Se houvesse eleições presidenciais hoje, ela conseguiria se reeleger?
Sem dúvida que conseguiria, a julgar pela pesquisa que a apontou com maior popularidade do que o presidente Lula.