Um evento de moda que entrou para o calendário de negócios do país. Este é um dos mais significativos resultados alcançados pela 4.ª edição do Minas Trend Preview, que apresentou a lojistas e empresários do setor – vestuário, calçados, bolsas, joias, gemas e bijuterias – pré-lançamentos para a primavera-verão 2009/2010. O evento recebeu 8 mil visitantes em 4 dias, incluindo compradores internacionais, e cresceu, na estimativa de lojistas por meio da avaliação dos negócios fechados, 20% em relação à edição anterior.
Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro têm semanas de moda baseadas em lançamento de tendências, passarelas e modelos como atrações principais em sucessão de desfiles, em Minas Gerais a vedete é o bloco de notas; sinal da concretização do movimento de compra e venda. “Focamos nos pedidos e a proposta é realizar negócios. Não somos feira de moda, estamos voltados para informação”,avalia o membro do conselho consultivo da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), José Roberto Schincariol. Segundo ele, estão consolidadas a reunião do setor, que sentia lacuna desde o fim do Clube Mineiro de Moda. Bem como a abertura para a visibilidade do estado, uma vez que contou com cobertura da imprensa nacional e internacional; jornalistas de Hong Kong, Polônia, Bélgica, Emirados Árabes, Suécia, Portugal, França/Estados Unidos e Argentina.
Se no início – 2007 – foi difícil convencer marcas consolidadas a apostarem na iniciativa, pois “o setor estava escaldado com projetos que não tinham continuidade”, considera Schincariol, hoje ao invés de 110 marcas participantes são 166, e há fila de espera de aproximadamente 50 nomes para as próximas edições. O espaço foi ampliado e o investimento cresceu 34%, totalizando 7 milhões de reais, conforme dados divulgados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). De acordo com a entidade, tais números mostram que a indústria da moda e toda a cadeia produtiva estão sendo devidamente estimuladas, num desenvolvimento paralelo.
Mary Arantes do Nascimento (Mary Design), empresária do setor de bijuterias, participa desde a 1ª edição, acredita que o MTP está num crescente. Em sua opinião, o conceito de preview trouxe mudanças de comportamento, a necessidade de mercadorias novas regularmente, com rodízio de produtos nas lojas. “Quem cria precisa estar antenado com necessidades imediatas.” A exemplo do que já acontece em grandes cadeias como a espanhola Zara e a sueca H&M. A empresária Cora Tavares Faria (Cosh), também se entusiasma com os resultados do Minas Trend Preview: gera trabalho para o ano todo em virtude da antecipação de pedidos e grande número de visitas direcionadas.
No intuito de satisfazer a demanda pelo novo, Luciana Silva, da Hatan, desenvolveu linha especial, a Lurrage. “Diferenciada para atender o comprador daqui. É voltada para butiques. Lancei para atingir as melhores lojas do país e estou conseguindo por meio do Minas Trend. Já fechei vários negócios.” Em dois dias ela já tinha comercializado 2 mil pares de sapatos.
Carla Estrela, produtora executiva do evento, lembra que o evento começou pequeno, tímido. No entanto esta edição reforçou que veio para ficar.“Consolidou nossa credibilidade no mercado.” Até mesmo pelos números apresentados: durante o período foram criados 800 empregos diretos e indiretos, e, além dos compradores nacionais, estiveram presentes lojistas da Espanha, Costa Rica, Estados Unidos, Portugal, Austrália, França, Reino Unido, Kuwait, Canadá, Itália, Paraguai, Índia e Japão.
O italiano David Bertellini, empresário que tem duas lojas de sapatos e uma de bolsas em Milão, considera que o evento excedeu suas expectativas. “Bons produtos, bem organizado. Vim fazer contatos para, na Itália, apresentar aos parceiros com antecedência o que estará nas vitrines. Voltarei para fechar outros negócios.” É no pós feira que muitos, como Bertellini, verão frutos do Minas Trend Preview. Os contatos comerciais se transformarão em vendas.
Números do MinasTrend- Marcas participantes: 166
Setor da Moda em Minas - Fábricas: Cerca de sete mil empresas espalhadas pelo estado (vestuário, calçados e acessórios) |