Chamado de segundo setor da economia, a indústria representa, no Brasil e no mundo, uma das principais fontes de emprego e de distribuição de renda. No governo Getúlio Vargas a industrialização brasileira ganhou mais consistência, com a implantação das grandes estatais – Volta Redonda e Petrobras entre elas – e a atração de investimentos internacionais. Mas foi no governo de Juscelino Kubitschek (1955/1960) que o Brasil assistiu ao seu primeiro grande boom de industrialização. Este processo mudou a face da economia brasileira e criou novos polos de desenvolvimento no país. O Brasil rural começa a dar espaço ao Brasil urbano. Junto com o parque industrial, nascia o novo operário brasileiro, mais protegido pela legislação trabalhista de Vargas e mais capacitado tecnicamente.
Para homenagear o setor que mudou o país é que JK instituiu, em 1957, o Dia da Indústria. Em 1958 se escolheu o 25 de maio como da indústria. No mesmo ano, o empresário Lídio Lunardi, que presidia a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação da Indústria de Minas (Fiemg), criou a Medalha do Mérito Industrial, entregando a primeira a JK. Em Minas, as comemorações começaram em 1960, quando a Fiemg era presidida por Fábio de Araújo Motta, que condecorou os pioneiros da industrialização do estado. A partir de 1965 se iniciou a tradição de se outorgar a medalha do Mérito Industrial a empresários indicados pelos sindicatos filiados à Federação da Indústria, estabelecendo-se então que a solenidade seria realizada no dia 25 de maio ou em data próxima.
O título de Industrial do Ano, entregue a um empresário escolhido por comissão indicada pelo presidente da federação, foi instituído em 1976. Este ano, Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez S/A e da Andrade Gutierrez Telecomunicações Ltda., foi o eleito. Mineiro de Belo Horizonte, formado em engenharia, com especialização em engenharia econômica e planejamento estratégico pela Fundação Getúlio Vargas, ele recebe a homenagem em solenidade no próximo dia 21, no Expominas.
O Industrial do Ano em Minas Gerais construiu sua vida profissional na área de telecomunicações. Depois de rápida passagem pela Cemig, trabalhou na Telemig, onde foi diretor-técnico e presidente. Era vice-presidente da Telebrás, quando recebeu convite da Andrade Gutierrez para planejar a entrada do grupo no setor de telecomunicações. Foi um dos mentores do consórcio que arrematou a Tele Norte-Leste, que virou Telemar e, em 2007 transformada na OI. Ano passado liderou a reestruturação societária da empresa que comprou a Brasil Telecom.
Otávio Marques de Azevedo atribui a sua escolha ao fato de, mesmo exercendo sua atividade profissional fora, nunca se afastou do estado. “Em toda a minha carreira sempre estive ligado a Minas. Atuei em atividades diretamente relacionadas ao desenvolvimento do nosso estado e sempre busquei soluções que viessem melhorar a indústria e a sociedade mineira”. Outro fator, na opinião de Otávio Marques, decisivo para a sua escolha, foi o de trabalhar numa empresa com berço no estado e que, desde sua fundação, tem participado ativamente do desenvolvimento mineiro. “A Andrade Gutierrez, nesses 60 anos de vida, colaborou efetivamente com a construção de uma nova Minas Gerais”.