Virar a página dos lugares parecidos em que sempre se hospeda. Entrar em outra história, dormir com elas ao lado, tomar café, andar pelos corredores, ir ao restaurante e eles, os livros, estão lá nas estantes, por todos os cantos. A um esticar de braços tem-se fatos antigos, ficcionais, de idiomas que nem existem mais, ou novos em várias línguas, o português mais escasso. Está-se num hotel-biblioteca, não único, mas em uma série que se repete, plagia-se, por aí, impressos em papel nessa era de exibição dos iPads, em que num toque na tela do aparelho tem-se a página à frente dos olhos. Não se competem, há espaço para os livros encadernados, que pulam daqueles lugares silenciosos, sisudos para os de lazer, turísticos.
A biblioteca pública de Nova Iorque, nos Estados Unidos, foi copiada, transportada em pequenas proporções, e virou o The Library Hotel, na mesma região, em Manhattan. Seus 20,5 milhões de exemplares se reduzem a 6 mil espalhados por todo o prédio de 12 andares. “Ele foi todo inspirado na biblioteca pública”, diz Yogini Patel, diretora de marketing do The Library. Cada andar com seu tema, de ciências, linguagem, tecnologia, literatura, história, filosofia a religião, no último andar, mais próximo do céu. Não se condensa a isto: os 60 quartos têm coleções de livros e obras de arte com o assunto que lhes cabe naquele piso. A sala de leitura fica aberta 24 horas e há o Jardim da Poesia, o estilo mais procurado pelos hóspedes de lá. “São viajantes de todas as partes do mundo, tanto a trabalho como por lazer, que se interessam pelo conceito de hotel-biblioteca.”
Essa ideia, que surgiu para atrair hóspedes letrados ou interessados em literatura, ganha continentes, a Europa, Madri, onde está o Hotel de Las Letras, com livros nos quartos, lounge, bar, restaurante, biblioteca. Em suas paredes há textos, poemas, citações, pequenas histórias. “Isso faz com que nossos hóspedes se sintam como se estivessem em suas casas”, argumenta Mariana Lezama, diretora de vendas. Lançam livros lá, leem, doam exemplares que vão parar nas prateleiras, nas mãos da sequência de pessoas que se hospedam dia após dia no de Las Letras. |
Biblioteca de babel, em quase todos os idiomas ao saber do hóspede, a maioria jovens casais e pessoas que viajam sozinhas. “Aqui é para se ter férias verdadeiramente simples e relaxante. Cada página responde ao desejo do hóspede”, avisa Thanyaporn Thirawat, gerente de marketing. Pode-se viajar na leitura deitado em colchões brancos em frente à praia ou na piscina vermelha, apontada entre as 10 melhores do mundo por especialistas em turismo. Há tempo dilatado, livros e mais livros para escolher nas prateleiras, ler, viajar nessas ficções e não-ficções, em lugares diferentes do dia a dia e fazer sua própria história. Espalhar livros pelas bibliotecas em hotéis nesse mundo de papel da literatura. |
Library, Nova Iorque (EUA)
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The Library, Koh Samui (Tailândia)
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De Las Letras, Madri (Espanha)
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