Há movimento masculino em ebulição do fundo do tanque de nitrogênio. A agitação começou com a adesão do homem à mulher no planejamento familiar: é cada vez maior a procura por vasectomia, que cresceu 337,8% nos últimos nove anos só na rede pública de saúde. Recorre-se com garra a ela, mas ele não quer perder sua fertilidade. A reversão da cirurgia não é totalmente garantida e surge aí, como salvação a este dilema, a possibilidade de congelar o sêmen a 196 graus abaixo de zero, sem data de validade, como garantia para futuro desejo de procriar. “Tenho três meninos, de 2, 4 e 5 anos. Hoje não penso em ter outro, mas se mudar de ideia há onde recorrer”, diz o empresário paulista Marcelo Molina. Fez seu seguro paternidade há quatro meses, com o aval da mulher Eliane Carneiro e a orientação de médicos.
Seu sêmen está congelado e pode ser usado a qualquer hora. Não nos próximos tempos. “Se continuasse, tinha de mudar de apartamento a cada ano”, alega o empresário. Ele se soma aos homens, na faixa de 35 a 50 anos, de classe média, intelectualizados, com filhos, que recorrem hoje a essa técnica da década de 1960, mais usada até então por pacientes que se submetem à quimioterapia para tratamento de câncer. Extrapolada agora, com tendência a aumentar junto ao número de vasectomia e o acesso a informações sobre congelamento. O jogador Ronaldo Fenômeno, pai de três filhos, fez no ano passado, o ex-jogador Romário e o ator Luigi Baricelli também.
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Números 34,1 mil vasectomias foram feitas no ano passado em hospitais públicos do Brasil
Aumento de
2001 7.798 |
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“Fora do país a procura é crescente, o que deve ocorrer aqui”, prevê o médico urologista Otto Henrique Chaves, responsável técnico pelo banco de sêmen, do Criovida, do Hermes Pardini, que começou a funcionar no final do ano passado em Belo Horizonte. Impulsionada pelos segundos casamentos. “A nova parceira sempre quer ter filho”, diz o médico. Aí, é recorrer ao banco, fazer a inseminação e chegar o bebê saudável. “Se um dia tiver novo relacionamento e quiser outro filho é só pegar o sêmen”, diz o empresário Ricardo Aviz, pai de dois jovens de 19 e 21 anos. Há um ano decidiu se submeter à vasectomia, guardar o sêmen. Passou pela bateria de exames exigidos em todos os locais: anti-HIV, hepatite, doenças sexualmente transmissíveis. As amostras analisadas, congeladas, descongeladas para verificar se a qualidade se manteve e levadas novamente ao tanque de nitrogênio a 196 graus negativos. “Ficam imóveis, protegidas. Quando o cliente quiser é entrar em contato, junto com a clínica onde será feita a inseminação”, explica Paula Rios, coordenadora do Criovida. Resguardas também em ambiente nada frio, do lado de fora: o das convivências sociais. É, antes do congelamento os interessados assinam contrato para especificar o que será feito do material em caso de morte. A maioria não quer discussão, pendengas, e decide pelo descarte do sêmen. Pode também fazer em vida, como bem quiser e arcar com a manutenção das amostras. SEGURO PATERNIDADE Confira como é para congelar o sêmen, antes da vasectomia ---------------------------------------------------
O paciente faz exames de HIV, ---------------------------------------------------
Com resultados negativos, --------------------------------------------------
Entre --------------------------------------------------
O cliente assina contrato em que especifica o que será feito do sêmen --------------------------------------------------
São pagas semestralidades --------------------------------------------------
Em qualquer momento o sêmen pode se descongelado para fazer a inseminação. A taxa de sucesso para gestação é de |
Paga-se semestralidade ou anuidade, que varia entre 300 a 900 reais nas clínicas de Belo Horizonte, fora o processo de congelamento, de 470 a 2 mil reais. “É caro, mas com a chegada de novos bancos de sêmen, esses preços devem diminuir e atrair classes sociais que nem pensam neste tipo de serviço”, avalia a embriologista Raquel Alvarenga, do Instituto de Saúde da Mulher e da Fertitech. Deve popularizar-se, entrar na rotina da maioria do sexo masculino. Nos fóruns na internet, vê-se essa preocupação de homens novos em fazer vasectomia para evitar filhos não planejados, mas guardar a fertilidade a sete chaves. “De 15 casais que procuram o Instituto Brasileiro de Reprodução Assistida (Ibrra) por mês, dois querem o congelamento de sêmen”, diz o médico Bruno Scheffer. Lá, o material vai para banco em São Paulo e resgatado quando o cliente pedir. A taxa de fertilização é alta. São congeladas entre 3 a 5 amostras, mais que suficientes, afirmam os especialistas. “O sêmen responde bem ao congelamento”, reforça Scheffer. Até agora, nem lá, nem no Criovida, no Instituto de Saúde da Mulher, nenhum paciente recorreu ao material. Ainda é o começo desse movimento, que agita o mundo masculino, ciente da responsabilidade, do custo, mas também do prazer de ter um bebê. “A vasectomia é realizada cada vez mais em homens bem novos, que podem desejar filhos do mesmo casamento ou de outros relacionamentos. Em função disso, a procura por preservação do sêmen aumenta, mais ainda quando o urologista repassa informações”, diz o médico João Pedro Junqueira Caetano, diretor-presidente da Clínica Pró-Criar. O que ocorre em 80% dos casos. Beneficiam-se dos avanços da medicina, da tecnologia que impede a reprodução, mas ao mesmo tempo dá chances para mudar de ideia no futuro ou a qualquer hora. |
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NÚMEROS Quanto custa --------------------------------------------------
600 reais
470 reais --------------------------------------------------
De 1.500 a --------------------------------------------------
2 mil reais
Fonte: Paula Rios, coordenadora do Criovida, Raquel Alvarenga, embriologista do Instituto de Saúde da Mulher, médicos Bruno Scheffer, do Ibrra, e João Pedro Junqueira, da Pró-Criar |
Quem se garantiu: Conhecidos que fizeram vasectomia e congelaram o sêmen
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