O ex-governador Aécio Neves e o presidente Lula podem se enfrentar em Minas por causa dos seus afilhados políticos. Essa é a previsão de especialistas ao analisarem as últimas pesquisas, que indicaram crescimento do candidato ao governo Antonio Anastasia, que simplesmente ultrapassou Hélio Costa nas intenções de voto: passou a 35% contra 33% do senador de acordo com o Ibope. Já a pesquisa do Datafolha, divulgada alguns dias antes, o resultado já apontava, embora timidamente, uma reação do governador: 29% para o candidato do PSDB, contra 43% do PMDB. Em relação às pesquisas anteriores a essas, houve crescimento de 8 e 12 pontos de Anastasia, respectivamente. Cientistas políticos avaliam que Minas Gerais passa com um dos principais cenários, junto com São Paulo e Paraná, no embate de governo e oposição, num momento em que a candidata à Presidência do Planalto, Dilma Rousseff, ameaça com vitória no primeiro turno. A grande incógnita será: se Lula entrar de forma mais aguerrida na campanha em Minas, quem ganhará a briga pela transferência de votos, Aécio Neves ou o governo federal?
O cientista político Fábio Wanderley da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que o crescimento de Anastasia era previsível com o início do horário político na televisão. “Ficou claro para o eleitorado, a conexão entre Aécio e Anastasia”, afirma. Para ele, o candidato ao governo de Aécio Neves deve crescer ainda mais nas próximas pesquisas, principalmente porque a vitória em Minas passa a ser estratégica para o PSDB se manter como uma oposição fortalecida. “Mas, aparentemente, Lula também deve investir em Minas. Será algo intrigante, uma das disputas mais interessantes no plano nacional”, avalia Wanderley.
A professora Helcimara de Souza Telles, do Departamento de Ciência Política da UFMG, destaca que outro ponto que deve ser levado em conta é que os dois candidatos cabeças-de-chapas não são os nomes fortes nessa disputa. “Apesar de Hélio Costa ser conhecido por 90% do eleitorado, ele mantinha-se na faixa dos 40 pontos. O ex-ministro Patrus Ananias deu legitimidade, coesão, disciplina e agregou bastante à campanha. Então, o candidato a governador é dependente de seu vice, que é uma raridade no nosso cenário”, comenta. Helcimara ainda analisa a importância da vitória de Anastasia para o futuro político de Aécio Neves. Para ela, a eleição do afilhado é fundamental para que o ex-governador possa consolidar sua possível candidatura à Presidência em 2014. “Minas passa a ser fundamental porque é daqui e de São Paulo que a oposição fará de tudo para garantir alguma resistência”, diz. Para outro cientista político, Malco Braga Camargos, da PUC Minas, a entrada de Lula dependerá das próximas pesquisas dos candidatos à Presidência. Se os números pró-Dilma se estabilizarem e a diferença se mantiver em torno de 20%, Camargos afirma que é possível aos atores do processo definir outras estratégias. Caso isso aconteça, Minas Gerais e São Paulo poderiam ganhar uma adesão maior da campanha de Dilma, ancorada por Lula, para enfraquecer duas lideranças que emergeriam com a derrota de José Serra à Presidência: Geraldo Alckmin e Aécio Neves. “Agora, se Lula é suficiente para que haja uma virada em São Paulo e Hélio Costa ganhe aqui, é uma incógnita”, afirma. |