Em 15 anos, muita coisa acontece. No estado, por exemplo, até 2025, os mineiros terão a oportunidade de ver jogos da Copa de 2014 em pleno Mineirão. Também há expectativa de que as melhorias viárias previstas sejam colocadas em prática e, quem sabe, o metrô não dá mais uma esticadinha? A economia, bem..., não deverá passar por muitas mudanças. Não, se levado em conta o cenário elaborado por pesquisadores da UFMG. Até lá, Minas não terá conseguido se desvincular da dependência do setor minerador, metalúrgico e siderúrgico. E isso pode não trazer boas consequências.
De acordo com o estudo, intitulado Cenário Macroeconômico para a Economia Brasileira 2010-2025: Repercussões no estado de Minas Gerais e seus municípios, o estado terá crescimento médio do PIB até 2025 de 4,01%, com taxa de 4,15% ao ano de 2010 a 2015, 4,13%, de 2016 a 2020, e 3,74%, de 2021 a 2025. Não é só a redução do crescimento do PIB que é preocupante. Minas vai apresentar índice médio inferior ao nacional (que será de 4,36% de 2010 a 2025) e ao de todas as regiões do Brasil, com exceção da Nordeste, que terá média de 3,89%.
O fator em Minas que vai levar a essa desaceleração está intimamente ligado à estrutura econômica do estado, muito dependente do setor extrativo mineral, da metalurgia e da siderurgia. Os produtos originados dessas atividades, na maioria, são destinados à exportação. E é aí que está o problema. De acordo com um dos autores do estudo, o professor de Economia da UFMG e do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) Edson Domingues, o país vai apresentar crescimento em diferentes áreas – consumo doméstico e investimento interno principalmente –, mas terá taxas menores no setor exportador. “Lá na frente, o mercado interno será o mais importante. As exportações crescerão a taxas menores.” |
Assim, diz, quando se olha para a economia mineira, a previsão é de que o reflexo da desaceleração não seja lá muito bom. “Quando as exportações estão fortes, o estado está forte. Quando elas começarem a crescer menos, o estado vai crescer menos”, analisa. Segundo ele, Minas deverá ter crescimento inferior a São Paulo e Rio de Janeiro, que têm consumo interno maior e, além disso, o estado fluminense será favorecido nos próximos anos pelo desenvolvimento do setor petrolífero. Edson Domingues chama a atenção para outro fator ligado aos setores mineral e siderúrgico. “O estado depende de atividade que tem limite em seus recursos naturais. É uma questão preocupante, porque se especializa em um setor que pode acabar lá na frente, além do passivo ambiental que provoca”, diz. Segundo ele, não é que tenha de parar com a indústria minero-siderúrgica, mas deve pensar alternativas. Para o professor, a intrínseca relação com a mineração/exportação pode ser a causa para Minas estar, his- toricamente, perdendo participação na economia nacional. “Hoje, é de 9%. Há 60 anos, era de 12%. Não é uma perda gigante, mas, com isso, outras regiões estão ganhando. Em geral, São Paulo, que tem economia industrial grande e diversificada.” |
A pesquisa também analisa como será o crescimento dentro de Minas, entre as regiões. O resultado não é dos melhores. Segundo Domingues, haverá aumento na desigualdade regional. “O norte e o Jequitinhonha/Mucuri vão crescer menos e são as mais pobres. Haverá mais crescimento no Quadrilátero Ferrífero, região central e Triângulo. O sul também cresce um pouco”, diz. Segundo ele, as áreas com menor crescimento são muito agrícolas e com pouca diversificação, ao contrário das demais. O Triângulo tem a vantagem de estar próximo e ligado a São Paulo, sendo demandado também pelo mercado consumidor do estado vizinho. Para Belo Horizonte, as projeções são positivas. “É uma região concentrada em serviços. Pode ter crescimento acima da média.” Com relação ao estudo, o profes- sor observa que foi elaborado apenas um cenário possível, a partir de metodologias de pesquisa e dados existentes da economia. “Pode ser que o cenário seja outro. Pode ser que aconteça algo e as exportações só cresçam. Aí, a economia de Minas também vai crescer”, diz. A pesquisa teve, ainda, como participantes o professor Marco Flávio Resende e os doutorandos Aline Magalhães e Admir Betarelli. |
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O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Sérgio Barroso, traz perspectivas bem diferentes para Minas. “Há desigualdade regional, mas, do meu ponto de vista, que é de desenvolvimento econômico, vejo que está sendo reduzida”, afirma. Segundo ele, isso se deve à quantidade de investimentos que as regiões recebem do setor privado. Ao todo, no primeiro semestre de 2010, Minas teve 50 bilhões de reais de novos investimentos, o que, segundo o secretário, está sendo distribuído entre os municípios. Sérgio Barroso faz um mapeamento dos investimentos nas regiões mineiras. Segundo ele, o norte está crescendo com a agricultura e pecuária, consolidação do projeto Jaíba, estabelecimento de nova fronteira mineral e instalação de indústrias. O noroeste será o “último eldorado agrícola do Brasil” com a implantação do terminal graneleiro de Pirapora e investimento na produção de grãos. No leste, o forte será a siderurgia. No centro- oeste, os polos têxtil, de calçados e de ferro-gusa. No sul, a indústria eletroeletrônica e a consolidação de novo polo chocolateiro. A Região Metropolitana de Belo Horizonte, conforme o secretário, terá grande desenvolvimento nos próximos anos e diversificação. Ele observa que a economia mineira é dinâmica. Segundo ele, um terço dos investimentos é de mineração, metalurgia e siderurgia; um terço é dos setores agrícola, energético e de transportes; e um é de serviços. |
De acordo com o secretário, Minas tem sido opção de investimentos em relação a São Paulo por causa da estabilidade econômica, das matériasprimas disponíveis e do sistema edu- cacional. Segundo ele, o estado está se preparando para novo salto, que será no setor de tecnologia. Barroso não vê com preocupação a relação de Minas com o setor exportador. “Temos dois mercados: o interno, mineiro e nacional, e o externo. Minas não vai deixar de exportar. O mercado mundial vai continuar crescendo. Temos de continuar investindo em logística, planejamento e estrutura para atingir mais mercados internacionais.” Outro que não demonstra preo- cupação com o estudo é o presidente do Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra), Fernando Coura. Para ele, os seto- res mineral, metalúrgico e siderúrgico representam sim mais oportunida- des para o estado. Como exemplo, ele cita a expectativa de 40 bilhões de reais em investimentos até 2014, com geração de mais de 40 mil empregos, para construção do parque siderúrgico. Segundo ele, é necessário aumentar o consumo interno, mas as exportações também devem ser levadas em conta. “O Brasil não está mal porque possui reserva cambial, tem exportação”, diz. Para ele, uma das frentes que podem dar impulso ao desenvolvimento do mercado interno é o investimento em infraestrutura, com asfaltamento, criação de rodovias, aeroportos. |
Já o presidente da Associação Mineira de Municípios, Waldir Salvador, acredita que o estado precise de mais diversificação. Por isso, a entidade está criando um departamento de desenvolvimento econômico para ajudar os municípios a encontrar a vocação regional. Segundo ele, o estado avançou um pouco na redução da desigualdade com o asfaltamento das estradas, o que permite o escoamento da produção, mas ainda faltam ações a serem feitas. “Por exemplo, qualificação da mão de obra, programas de fomento, estudos técnicos sobre as regiões.” |
Valor agregadoO presidente de Negócios da Usiminas, Sergio Leite, destaca que a cadeia minero-metalúrgica tem papel fundamental no cenário de crescimento da economia mineira, como um dos principais eixos da indústria de base e como forte geradora de emprego e renda. Segundo ele, a vocação para o setor faz com que o estado ocupe posição de destaque no ciclo de crescimento das próximas décadas, por concentrar cerca de 50% da produção mineral e de 35% da fabricação de aço bruto do país. Leite destaca que a estratégia da empresa é investir mais em produtos de alto valor agregado. A expectativa é que 2010 seja concluído com investimentos de 3,2 bilhões de reais na expansão da capacidade de laminação e galvanização, em novas tecnologias e na modernização das unidades em Ipatinga e Cubatão. O professor de Economia do IBS Business School/Fundação Getúlio Vargas, Jean Max Tavares, con- sidera o trabalho dos pesquisadores da UFMG de alto nível e consistente. No entanto, não vê problema na possível desaceleração da economia mineira, conforme previsto no estudo. Para ele, é razoável que Minas tenha crescimento menor em relação ao centro-oeste, norte e sul do país porque nessas regiões há mais coisas a se fazer. “Não acho isso alarmante para Minas porque o estado está crescendo muito. Ficar abaixo da média não é tão problemático.” |
Já a relação de dependência entre economia mineira e mineração/siderurgia, é preocupante, conforme o professor. “É um setor que depende muito da exportação e da taxa de câmbio. Se o dólar cai, fica em dificuldade”, afirma. Para diversificar a economia, Jean Max acredita que é preciso descobrir a vocação das regiões e investir na qualificação dos profissionais. “Não precisa dar incentivo fiscal. Tem de fazer com que as empresas vão atrás do município porque lá é bom e interessante.” |
O que mais pode intrigar nesta história é o fato de a Pizzaria Mangabeiras se manter por tantos anos no cenário gastronômico da cidade, conhecido pelo abre e fecha dos estabelecimentos. Numa conta rápida, por dia, as 360 mesas disponíveis da rede, que funcionam dia e noite, sem fechar suas portas no intervalo, atendem em quatro rodadas 5.760 pessoas. Por mais incrível que pareça, a empresa continua a usar a mesma receita de pizzas de quando abriu.
MÃO NA MASSA Depois de acrescentar farinha de trigo e água mineral à pré-mistura com fermento personalizada, a massa é levada à batedeira de capacidade máxima de 50 kg. Na sequência, a massa vai para a boleadora automática que formata 14 bolas em cada operação. Dois tamanhos são executados: um para as pizzas pequenas e médias e, outro, para as grandes e gigantes. Em seguida, as bolas descansam por três dias. Depois são dispostas em bandejas de PVC. Parte da produção segue em caminhões resfriatórios para as franquias, enquanto o restante fica acondicionado na sede. As pizzas são assadas no forno elétrico, que garante processo prático e ágil. |