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Quinta, 24 de Maio de 2012

Dez Perguntas

Paulo Skaf

O ex-governador da Fiesp e atual candidato ao governo paulista fala da decisão de se enveredar pelo setor público

Texto: Maria Fernanda Lemos | Fotos: Divulgação
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Depois de seis anos à frente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o empresário Paulo Skaf decidiu se afastar da iniciativa privada para tentar a vida pública. Ele é candidado do PSB ao governo de São Paulo e quer estender a experiência de gestão que acumulou no setor têxtil, principalmente, para a administração do estado. Nascido em 1955 na cidade de São Paulo, Skaf se destacou por defender a indústria em temas como a extinção da CPMF e redução da carga tributária. No ano passado, como presidente da Fiesp, o ensino técnico e a educação básica atingiram marcas históricas: 1,2 milhão de matrículas no Senai–SP e 120 mil no ensino regular do Sesi. Veja a seguir trechos da entrevista de Paulo Skaf à revista Viver Brasil:

Como foi e por que razões decidiu entrar para a política?
Fui convidado pelo presidente estadual do PSB, Márcio França, a me filiar ao partido. É uma legenda importante, tem governadores bem-avaliados como o Eduardo Campos, nosso presidente nacional, além de prefeitos de grandes cidades, como Marcio Lacerda, de Belo Horizonte, um empresário atuante e bem-sucedido. Neste ano, o partido me convidou a disputar o governo de São Paulo ao lado da vice, Marianne Pinotti, e estamos participando da eleição, oferecendo nossas propostas, como alternativa real para o eleitor do estado.

Quais as principais diferenças entre administração pública e privada a seu ver?
O que falta ao setor público é gestão competente. Veja o problema da saúde: a cada ano, os recursos empenhados pelo governo federal e distribuídos aos estados não são usados na sua totalidade. Claro que o volume de recursos é importante, mas precisamos melhorar os serviços. Sou contra o desperdício e a favor de um estado mais eficiente.

Que prioridades o senhor vê para o estado de São Paulo?
As principais necessidades de São Paulo são saúde, educação e segurança pública. Vinte anos atrás, pesquisas apontavam esses três temas como as maiores queixas da população e, passados 20 anos, prosseguem os mesmos problemas.

O senhor se destacou por incentivar a educação durante sua gestão à frente da Fiesp.
O eixo da minha proposta para a juventude é a articulação dos cursos técnicos com o ensino médio, como já implantei nas redes do Sesi e do Senai. Também pretendo facilitar o acesso dos moradores do maior número possível de cidades às atividades de lazer e esportes, em teatros, cinemas e áreas esportivas públicas. Não há ninguém mais preocupado com o social e com a educação do que as entidades da indústria. No ano passado, quando eu presidia a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, foram 1,2 milhão de matrículas no Senai e 120 mil no ensino regular do Sesi.

A carga tributária segue pesada para a indústria brasileira. Quais as alternativas e avanços até agora?
Quando fui presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), conquistei a redução do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) para o setor têxtil, de 18% para 12%. Peguei a entidade desunida e consegui unir os empresários da área. Vou usar essa experiência para estimular o desenvolvimento de São Paulo.

Neste sentido, o senhor pretende fazer uma pressão para a reforma tributária?
A  reforma tributária é um tema federal. Apesar disso, o governador de São Paulo não pode se omitir e tem que colocar o seu peso no que interessa ao estado. E um desses assuntos é a reforma tributária. Em primeiro lugar, é necessária transparência na cobrança. Por exemplo, tudo que for tributo de competência estadual precisa ser explicitado. A atual administração generalizou o processo de substituição tributária. Pretendo rever isso, extinguindo a adoção desse sistema nos setores da economia em que não faz sentido.

O que espera da política econômica do próximo presidente da República?
As condições atuais da economia permitem redução da taxa básica de juros, e essa é uma necessidade da indústria e de outros segmentos da sociedade. Tivemos aumento pontual de preços no início do ano, mas este movimento já está se dissipando. Com uma redução na taxa de juros, seriam criadas melhores condições para o mercado interno, estimulando a demanda pela produção e movimentando a economia em seu todo. Com a sobrevalorização do real e as altas taxas de juros, o que se atrai para o país é capital especulativo, que acaba prejudicando a competitividade brasileira.

Reduzindo a carga tributária o Brasil viveria novo ciclo de investimentos?
A redução da taxa básica de juros é um dos aspectos a proporcionar maior movimentação da economia e, por consequência, maior geração de empregos. Esse quadro se verifica no momento que o país vive, tendo superado as dificuldades da crise econômica mundial. Mas isso não basta: é preciso que sejam encarados os problemas estruturais da economia brasileira. O Brasil precisa não-somente reduzir os tributos que prejudicam o setor produtivo como simplificar o sistema tributário. Atacar o problema da carga tributária também permitiria inibir a informalidade e estimular os investimentos. Precisamos ter disponibilidade de energia e de transporte para nossa produção. Também é preciso investir em inovação.

O senhor tem metas para os primeiros 100 dias da administração de São Paulo caso seja eleito. Quais são elas?
As metas para os primeiros 100 dias de governo são o início da implementação do programa de descentralização administrativa, com subgovernadorias nas 17 regiões administrativas do estado, e a implantação do período integral nas escolas estaduais do nível fundamental. Além disso, quero identificar as necessidades das prefeituras para a assinatura de convênios com a administração estadual.

Há muitas queixas quanto ao preço dos pedágios hoje em São Paulo. O senhor tem proposta para esse problema?
Tenho proposta para reduzir o custo disso aos contribuintes paulistas. Entre 0h e 7h, os usuários de rodovias poderiam abater 100% do valor pago em pedágios do IPVA. Das 7h às 24h, o abatimento seria de 50% do valor pago. Em ambos os casos, o desconto seria de, no máximo, 50% do IPVA devido a cada ano.