A amizade dos tempos da adolescência ainda perdura na relação travada pelo trio que comanda hoje a Pizzaria Mangabeiras: Adalberto Marques Pinto, 43, e os irmãos Antônio César Júnior, 43, e Marco Túlio Ribeiro de Miranda, 39. O companheirismo da época em que eram colegas no Loyola – tradicional colégio da capital mineira –, vendiam goiabada e colocavam som nas festas em Belo Horizonte parece mesmo ter se mantido intacto ante a forma que se tratam e convivem no atribulado dia a dia da empresa, responsável pela venda de 25 mil a 30 mil pizzas por mês. Extratrabalho, também estão sempre presentes na rotina pessoal um do outro: viajam e saem juntos e, ainda, tornaram-se padrinhos dos respectivos filhos. Vínculos mais que reforçados.
Se hoje a massa da casa rende expressiva produção e caminha para quatro décadas de fornadas, a pitada inicial de fermento foi dada por Antônio César Pires de Miranda, 67. Em 1972, o então comerciante, nascido no Serro (MG), compra e reinaugura a pizzaria onde anteriormente era fornecedor de presuntos, salames e afins. A casa era exatamente no mesmo endereço, na Serra, onde ainda funciona uma das 11 unidades da rede. Na época, inclusive, o local eleito para abrigar a pizzaria gerou controvérsias.
Afinal, há 38 anos, Belo Horizonte praticamente acabava nos limites próximos do polêmico entorno do alto da avenida Afonso Pena. Montar algo lá, era, no mínimo, visto como loucura. Mas, contrariando as perspectivas negativas, a intuição foi certeira. Na sequência, a região transformou-se em reduto de badalação. “Além da experiência com a pequena pizzaria que tinha na rua Rio Negro, minha especialidade como comerciante era diagnosticar se o ponto era bom ou não para se montar um negócio”, conta o fundador. Fora a localização privilegiada, a carência de pizzarias na Belo Horizonte do início da década de 70 contribuiu para o sucesso do investimento. A cidade contava apenas com duas casas do ramo de padrão similar. Detalhe: destas duas, apenas uma também sobreviveu ao mercado. Se o apelo da tradição vinculada ao produto quase quarentão é forte, a empresa procurou se guiar por inovações. Em constante expansão – neste semestre mais duas casas serão abertas –, a pizzaria sempre lançou novidades. A começar pelo delivery, adotado há 20 anos. Foi a segunda empresa da capital a oferecer o serviço, disponibilizado até então apenas pelo fusquinha amarelo da Drogaria Araujo. E, também, o segundo estabelecimento local a vender pela internet. Hoje, a frota de motoboys que atende todas as casas contabiliza 130 funcionários contratados. “No primeiro pedido, contávamos somente com uma moto. Para garantir as entregas, colocamos nossos carros à disposição”, lembra Adalberto Marques Pinto. NÚMERO
130 motoboys contratados são responsáveis |
Formado em medicina, Adalberto nem chegou a exercer a profissão. Nas folgas dos plantões em hospitais, passava o tempo em meio ao turbilhão da pizzaria junto ao fundador e seus filhos, atraído pela dinâmica do empreendimento. Mais uma vez, Antônio César Pires de Miranda parece ter vislumbrado os ingredientes certos da sua mistura de sucesso. A partir do interesse e aptidão demonstrados por Adalberto, decide contratá-lo para estimular os filhos a centralizarem-se profissionalmente na empresa. Antes de deixar o Brasil para morar no exterior, o patriarca divide a empresa entre os filhos. Com o tempo, Adalberto passa também a integrar o grupo. “A vinda dele, com quem já convivíamos 24 horas por dia e depositávamos total confiança, fortaleceu a empresa”, afirma Antônio César Júnior. Figura diária presente no salão da unidade Serra, Júnior é atento aos detalhes. “Temos de administrar com os olhos do cliente. Isto quer dizer que é preciso oferecer o que ele gostaria de dispor quando sai de casa: ambiente confortável, organizado, limpo, com tudo do bom e do melhor.” Durante o almoço e jantar, entre uma pizza e outra, Júnior foca a atenção. Confere atendimento, serviço do manobrista, arrumação das mesas e, obviamente, o sabor da pizza. “Sei exatamente quando a receita está alterada.” |
Formado em medicina, Adalberto nem chegou a exercer a profissão. Nas folgas dos plantões em hospitais, passava o tempo em meio ao turbilhão da pizzaria junto ao fundador e seus filhos, atraído pela dinâmica do empreendimento. Mais uma vez, Antônio César Pires de Miranda parece ter vislumbrado os ingredientes certos da sua mistura de sucesso. A partir do interesse e aptidão demonstrados por Adalberto, decide contratá-lo para estimular os filhos a centralizarem-se profissionalmente na empresa. Antes de deixar o Brasil para morar no exterior, o patriarca divide a empresa entre os filhos. Com o tempo, Adalberto passa também a integrar o grupo. “A vinda dele, com quem já convivíamos 24 horas por dia e depositávamos total confiança, fortaleceu a empresa”, afirma Antônio César Júnior. Figura diária presente no salão da unidade Serra, Júnior é atento aos detalhes. “Temos de administrar com os olhos do cliente. Isto quer dizer que é preciso oferecer o que ele gostaria de dispor quando sai de casa: ambiente confortável, organizado, limpo, com tudo do bom e do melhor.” Durante o almoço e jantar, entre uma pizza e outra, Júnior foca a atenção. Confere atendimento, serviço do manobrista, arrumação das mesas e, obviamente, o sabor da pizza. “Sei exatamente quando a receita está alterada.” |
E com este olhar atento dos proprietários, a empresa inaugura mais quatro endereços próprios. Primeiro a unidade Gutierrez, em 1994 e, posteriormente, as dos bairros Eldorado, Padre Eustáquio e Pampulha. A partir desta fase, a pizzaria passa a abrir mais pontos a partir do sistema de franquias. O feito demarca o boom da pizzaria. Hoje, das 11 casas, 10 são franqueadas. A exceção é a primogênita da Serra, na Afonso Pena, única própria do grupo detentor da marca. Rodrigo Guimarães foi o primeiro franqueado da rede. Em 1998, abriu salão e delivery na Floresta. “Na época, apostei no potencial da marca, na qualidade do produto já conhecido. Fui bem-sucedido.” Doze anos após o investimento, a franquia continua sendo bom negócio para Guimarães. Em outubro, inaugura outro endereço franqueado, desta vez em sociedade com Gilberto Vieira, dono da franquia de Contagem. O investimento será o primeiro endereço da marca em shopping: o Boulevard. “Será uma loja diferente. Terá visual bem contemporâneo, descontraído, capaz de agregar novo público a partir do conceito gourmet de pratos mais elaborados”, adianta. MENU DA CASA:
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Entre as inovações propostas pelo atual grupo dirigente, o eficiente sistema de informática. Tudo para agilizar as entregas solicitadas ao departamento de telemarketing e pelo site. A partir de mapeamento da capital e Grande BH, cada pedido é automaticamente direcionado à pizzaria mais próxima. A agilidade alcançada levou o grupo a lançar o desafio de executar entregas no prazo de 30 minutos. Caso o tempo exceda, o cliente fica isento de pagar. Mas para participar, há pré-condições. É preciso, por exemplo, que o local solicitante esteja inserido em um dos 153 bairros divulgados no site, que o valor não ultrapasse 85 reais e que o pedido não inclua massas nem mais de duas pizzas. Segundo Adalberto, o não cumprimento do prazo proposto é mínimo. A agilidade de atendimento é supereficiente. No delivery, cada funcionário é responsável por uma etapa: abrir a massa, colocar recheio, levar ao forno, embalar e disponibilizar o pedido ao motoqueiro. “Entre pedido e pizza embalada, gastam-se 11 minutos. O tempo restante é suficiente para a encomenda ser levada de moto, já que o percurso é curto. Não viabilizamos insensatez. Temos índice zero de acidentes.” FRASE:
“Atendo clientes que começaram a namorar aqui, casaram, e agora trazem os filhos e até os netos” Preocupados em preservar os motoqueiros, a empresa promove com frequência treinamentos ligados à segurança e prevenção no trânsito. Também de olho na tecnologia, a pizzaria já está a postos para atuar a partir do sistema digital de TV, quando os pedidos poderão ser feitos a partir da televisão. Empreendedores, passaram a disponibilizar espaço para marketing no próprio produto. Há pouco tempo, a empresa passou a estampar publicidades nas embalagens das pizzas. |
Quem passa entre 10h e 16h em frente ao prédio da esquina na Afonso Pena, de 1.894 m2 de área construída, incluindo estacionamento próprio, não imagina o trabalho de formigas no seu interior. É neste endereço que o coração da pizzaria pulsa a mil. No andar abaixo do restaurante, funciona o centro de pré-produção que abastece todas unidades. O trabalho em equipe parece orquestrado. É de lá que saem as bolas de pizzas, massas e molhos. Os demais ingredientes, como presunto, mussarela e peito de frango, são comercializados pela central de compras da empresa e distribuídos para cada ponto. O formato centralizador garante padrão e procedência dos produtos. No andar superior do anexo ao restaurante, 30 atendentes de telemarketing acionam o delivery, responsável por 90% da demanda de pizzas, ativo das 10h à 1h. O que mais pode intrigar nesta história é o fato de a Pizzaria Mangabeiras se manter por tantos anos no cenário gastronômico da cidade, conhecido pelo abre e fecha dos estabelecimentos. Numa conta rápida, por dia, as 360 mesas disponíveis da rede, que funcionam dia e noite, sem fechar suas portas no intervalo, atendem em quatro rodadas 5.760 pessoas. Por mais incrível que pareça, a empresa continua a usar a mesma receita de pizzas de quando abriu. HORAS DE PICO:
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Além de preservar o modo de fazer (guardado a sete chaves) e os ingredientes, que inclui água mineral, a pizzaria manteve praticamente os mesmos sabores ao longo dos anos. Apenas quatro novos tipos foram acrescidos no menu desde a abertura da casa: chocolate, banana com canela, rúcula com tomate-seco e peperoni. E parece ser, justamente, a tradição do sabor que fideliza o cliente. “Ele sabe exatamente o que vai comer: uma pizza saborosa, macia, crocante, nem grossa e fina demais. Mantemos o padrão da empresa que tanto agrada. Para que vamos mexer em time que está ganhando?”, diz Cláudio Roberto Leal, pizzaiolo da Mangabeiras há 15 anos. A tradicionalidade da casa se estende ao público versátil do reduto: várias gerações de família, times de futebol, casais de namorados, figuras do cenário político. Funcionário da casa desde a inauguração, Jesus de Oliveira, 67, aprendeu o ofício de garçom na pizzaria. Grande parte da clientela fiel o conhece pelo nome e também sabe seus pratos e bebidas favoritos. “Atendo clientes que começaram a namorar aqui, noivaram, casaram, passaram a trazer os filhos, os netos. Também já servi muitos políticos, como Tancredo Neves e José Alencar.” MÃO NA MASSA Depois de acrescentar farinha de trigo e água mineral à pré-mistura com fermento personalizada, a massa é levada à batedeira de capacidade máxima de 50 kg. Na sequência, a massa vai para a boleadora automática que formata 14 bolas em cada operação. Dois tamanhos são executados: um para as pizzas pequenas e médias e, outro, para as grandes e gigantes. Em seguida, as bolas descansam por três dias. Depois são dispostas em bandejas de PVC. Parte da produção segue em caminhões resfriatórios para as franquias, enquanto o restante fica acondicionado na sede. As pizzas são assadas no forno elétrico, que garante processo prático e ágil. Para o ano que vem, o grupo prevê a abertura de novas casas. Uma será em BH, unidade gourmet em endereço ainda não definido. “A ideia é oferecer pizzas com ingredientes nobres, exóticos, versões lights e isentas de glúten e vinhos bem selecionados“, conta Adalberto. As outras unidades vão se estabelecer em localidades ainda em estudo, como Juiz de Fora, Brasília e Vitória. Mas, os investimentos não param por aí. Em breve, novo empreendimento de peso, sairá do forno na capital, anunciam os empresários. |
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Geloso
Condomínio Trilhas do Ouro |