Nas eleições deste ano, a disputa pelo governo de Minas está além do embate entre os candidatos que aparecem no centro da arena. A queda de braço entre Hélio Costa, do PMDB, e Antonio Anastasia, do PSDB, tem como verdadeiros protagonistas o ex-governador tucano Aécio Neves e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Tendo a alta popularidade que registram como cartão de visitas, tanto um quanto outro têm agora o mesmo objetivo: fazer a mágica da transferência de votos para seus candidatos, vencer a batalha e consolidar sua força política nas urnas.
Pelos números da última pesquisa Datafolha, no entanto, o petista e o tucano terão que se desdobrar e aparecer mais se quiserem concretizar seus projetos políticos. De acordo com o levantamento, o presidente e o ex-governador têm, atualmente, o mesmo poder de fogo para conquistar votos para seus afilhados. Motivo? O eleitorado mineiro ainda tem dificuldade para identificar quem é o candidato de quem. Nas entrevistas, 27% das pessoas ouvidas afirmaram que votariam no candidato escolhido por Lula para o governo do estado, mesmo percentual dos que disseram que elegeriam o nome abençoado por Aécio Neves.
Em vantagem numérica em relação a seu principal adversário, de acordo com as pesquisas que monitoram a preferência do eleitorado, o senador Hélio Costa conta com a parceria de Lula e da presidenciável do PT, Dilma Rousseff, para manter-se no alto do pódio da corrida sucessória no estado. Lula já prometeu investir grande parte de seu tempo na campanha em Minas Gerais, mas ainda não apareceu por aqui, apenas a ex-ministra. Para Lula, uma votação expressiva no segundo maior colégio eleitoral do país pode significar a porta de entrada para a vitória de Dilma – no momento, o projeto principal do presidente.
Enquanto Lula não vem, Hélio Costa, que já perdeu por duas vezes a disputa pelo governo de Minas, recheia suas declarações com alusões ao bom desempenho do Palácio do Planalto como forma de lembrar aos eleitores que ele é o candidato do petista em Minas. Mesmo discurso sustentado pelo staff de sua campanha, coordenada pelo publicitário Duda Mendonça. “A proposta nossa é a de dar seguimento à política do Lula em Minas. Vamos colar a imagem do Hélio Costa à do presidente”, diz o presidente do PMDB em Minas, deputado federal Antônio Andrade.
Segundo ele, Dilma e Lula devem desembarcar na capital mineira na primeira semana deste mês para um ato conjunto de campanha com Hélio Costa. “Lula é o nosso grande cabo eleitoral”, reforça Andrade, acrescentando que a expectativa é a de que o presidente venha ainda outras vezes ao estado durante a campanha.
A imagem de Lula será também bastante explorada no chamado palanque eletrônico, o programa eleitoral gratuito na TV. É uma das estratégias para combater o tal voto dilmasia, em que o eleitor vota a um só tempo na presidenciável do PT e no governador Antonio Anastasia, que tenta a reeleição. Hélio Costa diz que o plano é trazer Dilma ao estado a cada intervalo de 10 dias. “Tenho certeza de que tem muita gente que sabe a importância do presidente Lula e da ministra Dilma na nossa campanha e temos que deixar isso muito claro.”
Do lado tucano, o presidente do PSDB mineiro, deputado federal Narcio Rodrigues, diz que está em formatação uma espécie de mutirão da militância para tentar melhorar o desempenho de Anastasia, que ainda não conseguiu ultrapassar a casa dos 20% na preferência do eleitorado. A meta é tornar o candidato mais conhecido. Mais precisamente, deixar claro que o atual governador é o candidato de Aécio Neves, hoje líder na briga por uma vaga no Senado por Minas Gerais. “Essa parceria (entre Aécio e Anastasia) não é artificial. A identidade entre os dois é natural e vamos mostrar isso durante o programa eleitoral na TV”, diz Narcio. “Na TV vai ficar claro que Anastasia tem o respaldo do Aécio, que ele foi avalista e executor a quatro mãos das obras do governo do estado”, reforça o tucano. Os slogans da campanha de Anastasia evidenciam a estratégia de associar a imagem do ex-governador (que, ao deixar o governo, contabilizava 92% de aprovação) à do atual e candidato a um novo mandato, bem como à do presidenciável tucano José Serra. “Aécio aponta o caminho: Minas é Serra e Anastasia”. |
Para o cientista político Malco Camargos, professor da PUC Minas, apesar da desvantagem no placar das pesquisas de intenção de voto, Anastasia tem o benefício de poder se valer não apenas do capital político de Aécio Neves, mas também de um projeto que foi bem avaliado pela população mineira. “É um trunfo que, sem dúvida, será usado durante a eleição, principalmente nos programas de TV. Se não fosse esse trunfo, a eleição estaria praticamente decidida em favor do Hélio Costa”, pondera. O cientista político lembra que, no caso do peemedebista, o candidato terá que tentar convencer o eleitor de que pode fazer uma versão mineira do projeto de governo implementado pelo presidente Lula. “O apoio do Lula para a Dilma, por exemplo, é diferente porque ela não é somente a pupila dele, mas alguém que o ajudou a conduzir um projeto, o que não é o caso de Hélio Costa”. e governo implementado pelo presidente Lula. “O apoio do Lula para a Dilma, por exemplo, é diferente porque ela não é somente a pupila dele, mas alguém que o ajudou a conduzir um projeto, o que não é o caso de Hélio Costa”. |