Um octogenário com fôlego de adolescente. Assim pode ser definido o Banco Minas Gerais, ou simplesmente BMG, como é mais conhecido. Fundado há 80 anos, o BMG é a maior instituição financeira no segmento de crédito consignado do país, tendo 18% deste mercado. A história do banco se confunde com o lado empreendedor da família Guimarães. Tudo começou quando o coronel Benjamin Guimarães, no início do século, fundou uma indústria têxtil em Belo Horizonte. Já em 1930, o filho de Benjamin, Antônio Mourão Guimarães, fundou o Banco Minas Gerais, cujo foco era a concessão de empréstimos para empresas, trabalho que foi sequenciado por Flávio Pentagna Guimarães, o principal acionista e presidente do Conselho de Administração do banco, presidido por Ricardo Annes Guimarães. A primeira sede do BMG foi na avenida Afonso Pena, entre as ruas São Paulo e Carijós.
Ao longo de sua história, a instituição tem se modernizado, mudado seu foco para atender às demandas do mercado. “Já fomos um banco com diversas agências próprias, fomentador de empresas; depois tivemos uma fase em que o principal produto era o financiamento de veículos. Mas, em 1998 focamos no crédito consignado, tendo sido o pioneiro no mercado brasileiro. O produto teve aceitação muito grande no mercado por causa das baixas taxas de juros, facilidade de acesso e agilidade na liberação dos recursos para os clientes”, relembra o presidente da quarta geração do BMG, Ricardo Guimarães.
O produto fez tanto sucesso entre aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e servidores públicos de todo o Brasil, que representa 90% dos ativos do BMG. Os outros 10% são oriundos dos contratos remanescentes para financiamento de veículos – cujas atividades foram encerradas no segundo semestre de 2008, devendo ser finalizadas nos próximos dois anos – e empréstimos para empresas com garantia em recebíveis. A carteira total de crédito do BMG é de 22 bilhões de reais, dos quais, 19,5 bilhões são relativos às operações de crédito consignado. É justamente este produto, que se tornou a menina dos olhos do banco mineiro, que deverá continuar sendo o principal foco da instituição financeira. A explicação é simples e óbvia. Em primeiro lugar, há ainda um grande mercado a ser conquistado pelo BMG em todo o Brasil, já que apenas 15 milhões de brasileiros, dos 40 milhões passíveis de contrair empréstimo consignado recorrem a este recurso. Com o desenvolvimento do país, a expectativa é de que nos próximos anos, pelo menos mais 10 milhões de pessoas recorram ao crédito consignado. “Nossa estratégia é continuar focado neste segmento, ser um especialista nele, dar condições competitivas a nossos parceiros e investir em tecnologia para nos capacitar e tornar as operações ágeis, flexíveis e eficientes”, ressalta o presidente. |
Outro motivo que leva o BMG a continuar focando na cessão de crédito para servidores públicos e aposentados e pensionistas do INSS são os impressionantes resultados financeiros das operações. Com foco neste segmento de mercado, o banco teve o melhor desempenho de sua história, registrado no ano passado, quando o lucro líquido do BMG atingiu 520 milhões de reais. “No primeiro semestre de 2010 também tivemos desempenho bem satisfatório. Registramos aumento de 40% em nossa carteira total em comparação com o mesmo período de 2009 e tivemos crescimento do lucro líquido em mais de 100%”, comemora Ricardo Guimarães. Os resultados do balanço do banco merecem mesmo comemorações. Nos primeiros seis meses de 2009, o lucro líquido do BMG foi de 175 milhões 8 de reais e, no mesmo período deste ano, subiu para 352 milhões. Mas não foi somente o lucro líquido que cresceu. O retorno anualizado sobre o capital do banco aumentou em 36%, superando a média bancária nacional. Outro item de destaque no período foi a participação do BMG no mercado de crédito consignado no Brasil, que chegou a 18% das operações nacionais. “Esses 18% representam 10% de participação do BMG em todas as operações de crédito pessoal realizadas no Brasil”, aponta Guimarães. Ele ressalta que o crédito consignado é a principal linha de crédito pessoal do Brasil e é oferecido por 60 instituições financeiras. |
Apesar da base de comparação ser bastante alta, já que os números de 2009 foram históricos, a expectativa no octogenário BMG é de que em 2010 os negócios continuem a todo vapor, principalmente por causa dos bons resultados do primeiro semestre. “É mais difícil à medida que você aumenta sua base, replicar o crescimento, mas temos conseguido isto”, assevera Ricardo Guimarães. O presidente do BMG conta que as projeções para este ano eram de que o banco cresceria 25% seus ativos e sua produção, mas, comparando com o fim de 2009, o crescimento já atingiu 19%. Por isto, até o fim do ano, a expectativa é de que os ventos continuem soprando a favor do BMG porque o mercado está cada vez mais aquecido e é favorecido pelo bom desempenho da economia brasileira. Como todos os prognósticos são de que o mercado nacional continue aquecido e como ainda há um grande mercado a ser explorado, a expectativa no BMG para o segundo semestre deste ano são as melhores possíveis. Há pouco tempo, a penetração de crédito na população brasileira com relação ao Produto Interno Bruto (PIB) era de apenas 25%, mas já subiu para 45%. “Entretanto, esse número ainda é muito baixo, principalmente se levarmos em conta que no Chile a penetração do crédito em relação ao PIB é de 70% e chega a 150% nos países desenvolvidos da Europa”, ressalta Guimarães. Atualmente, o BMG tem 4,5 milhões de clientes espalhados por todo o país. Para se chegar a um número cada vez maior de brasileiros, o BMG, que tem 12 agências próprias, desenvolveu modelo pioneiro de atuação no mercado, por meio de parcerias com 1.044 correspondentes bancários, que se subdividem em 3.098 pontos de venda e em mais de 30 mil agentes espalhados em todo o Brasil. Isto proporciona ao banco chegar a quase todos os mais de 5 mil municípios brasileiros. Os correspondentes tornaram-se a principal força de venda do banco mineiro, que tem mais de 450 convênios ativos com prefeituras e estados de todo o país e com a União. Outra boa notícia nas operações é que o crédito consignado tem índice de inadimplência de apenas 1,5% enquanto a média do sistema financeiro brasileiro fica entre 5% e 6%. |
Um dos produtos, dentro do crédito consignado, que vêm conquistando cada vez mais espaço entre os clientes do BMG é o cartão de crédito consignado, lançado há cerca de cinco anos, com pioneirismo no Brasil. De acordo com Ricardo Guimarães, até o momento, foram emitidos mais de um milhão de cartões, sendo que 600 mil já foram ativados. O produto fez com que o banco se transformasse na 9ª instituição financeira com atuação no mercado brasileiro em emissões de cartão de crédito. Para 2011, a expectativa é de continuar focado no mercado consignado, com a criação de novos produtos. Além de, por meio do crédito consignado, ter possibilitado que muitos brasileiros tivessem acesso ao mercado de consumo, o BMG, vem, nos últimos anos, atuando de maneira cada vez mais contundente no esporte. Este ano, os investimentos em patrocínios esportivos chegarão a 40 milhões de reais. “O BMG vê o esporte com muita simpatia. E, investir no esporte, além de gerar uma imagem positiva da marca junto aos formadores de opinião, também incentiva os jovens a trilhar um caminho correto e saudável”, destaca Guimarães. Segundo ele, o banco patrocina, atualmente, Cruzeiro, Atlético, América e Ipatinga, em Minas Gerais, além de Flamengo, Coritiba, Atlético Goianiense, Sport, e no vôlei, o São Bernardo e o Montes Claros. O banco também patrocinou o basquete e está com a equipe de ginástica olímpica do Clube Regatas do Flamengo, além de investir em judô, MMA e Stock Car. “Também fazemos um trabalho social com a população mais carente, que precisa de apoio, por meio do projeto Caça Talentos, em Belo Horizonte, que visa descobrir valores para o tênis e o futebol, com garotos de 6 a 12 anos”, ressalta o presidente do BMG, que adianta uma parceria que está sendo desenvolvida com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), visando às Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Se estes investimentos também significam bons negócios para o banco, o esporte agradece. |
Números do Equilíbrio
Fonte: Ricardo annes Guimarães |
História rápidaA criação de uma empresa de atacado de tecidos, no início do século, por Benjamin Guimarães, deu início à trajetória do grupo BMG. Investimentos na indústria têxtil, na área imobiliária, na agroindústria e no setor de serviços foram os passos seguintes do conglomerado, que também passou a atuar no mercado financeiro, com a criação da Companhia Predial Ferreira Guimarães, transformada seis anos depois, no Banco BMG. Na década de 1990, o grupo BMG criou a indústria de alimentos Brasfrigo, que se destaca na produção de milho enlatado, maionese, caldos, ervilha e derivados de tomate, com unidades em Uberlândia e Itajaí. Fonte: bancobmg.com.br |