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Quinta, 24 de Maio de 2012

Mercado Financeiro

Base sólida aos 80

Banco BMG completa oito décadas e celebra seu melhor momento: crescimento de 100% do lucro líquido no primeiro semestre de 2010 em comparação ao mesmo período do ano anterior

Texto: Terezinha Moreira | Fotos: Nélio Rodrigues, divulgação
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Um octogenário com fôlego de adolescente. Assim pode ser definido o Banco Minas Gerais, ou simplesmente BMG, como é mais conhecido. Fundado há 80 anos, o BMG é a maior instituição financeira no segmento de crédito consignado do país, tendo 18% deste mercado. A história do banco se confunde com o lado empreendedor da família Guimarães. Tudo começou quando o coronel Benjamin Guimarães, no início do século, fundou uma indústria têxtil em Belo Horizonte. Já em 1930, o filho de Benjamin, Antônio Mourão Guimarães, fundou o Banco Minas Gerais, cujo foco era a concessão de empréstimos para empresas, trabalho que foi sequenciado por Flávio Pentagna Guimarães, o principal acionista e presidente do Conselho de Administração do banco, presidido por Ricardo Annes Guimarães. A primeira sede do BMG foi na avenida Afonso Pena, entre as ruas São Paulo e Carijós.

Ao longo de sua história, a instituição tem se modernizado, mudado seu foco para atender às demandas do mercado. “Já fomos um banco com diversas agências próprias, fomentador de empresas; depois tivemos uma fase em que o principal produto era o financiamento de veículos. Mas, em 1998 focamos no crédito consignado, tendo sido o pioneiro no mercado brasileiro. O produto teve aceitação muito grande no mercado por causa das baixas taxas de juros, facilidade de acesso e agilidade na liberação dos recursos para os clientes”, relembra o presidente da quarta geração do BMG, Ricardo Guimarães.

Sede do BMG em Belo Horizonte



O produto fez tanto sucesso entre aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e servidores públicos de todo o Brasil, que representa 90% dos ativos do BMG. Os outros 10% são oriundos dos contratos remanescentes para financiamento de veículos – cujas atividades foram encerradas no segundo semestre de 2008, devendo ser finalizadas nos próximos dois anos – e empréstimos para empresas com garantia em recebíveis. A carteira total de crédito do BMG é de 22 bilhões de reais, dos quais, 19,5 bilhões são relativos às operações de crédito consignado.

É justamente este produto, que se tornou a menina dos olhos do banco mineiro, que deverá continuar sendo o principal foco da instituição financeira. A explicação é simples e óbvia. Em primeiro lugar, há ainda um grande mercado a ser conquistado pelo BMG em todo o Brasil, já que apenas 15 milhões de brasileiros, dos 40 milhões passíveis de contrair empréstimo consignado recorrem a este recurso. Com o desenvolvimento do país, a expectativa é de que nos próximos anos, pelo menos mais 10 milhões de pessoas recorram ao crédito consignado. “Nossa estratégia é continuar focado neste segmento, ser um especialista nele, dar condições competitivas a nossos parceiros e investir em tecnologia para nos capacitar e tornar as operações ágeis, flexíveis e eficientes”, ressalta o presidente.



Outro motivo que leva o BMG a continuar focando na cessão de crédito para servidores públicos e aposentados e pensionistas do INSS são os impressionantes resultados financeiros das operações. Com foco neste segmento de mercado, o banco teve o melhor desempenho de sua história, registrado no ano passado, quando o lucro líquido do BMG atingiu 520 milhões de reais. “No primeiro semestre de 2010 também tivemos desempenho bem satisfatório. Registramos aumento de 40% em nossa carteira total em comparação com o mesmo período de 2009 e tivemos crescimento do lucro líquido em mais de 100%”, comemora Ricardo Guimarães.

Os resultados do balanço do banco merecem mesmo comemorações. Nos primeiros seis meses de 2009, o lucro líquido do BMG foi de 175 milhões  8  de reais e, no mesmo período deste ano, subiu para 352 milhões. Mas não foi somente o lucro líquido que cresceu. O retorno anualizado sobre o capital do banco aumentou em 36%, superando a média bancária nacional. Outro item de destaque no período foi a participação do BMG no mercado de crédito consignado no Brasil, que chegou a 18% das operações nacionais. “Esses 18% representam 10% de participação do BMG em todas as operações de crédito pessoal realizadas no Brasil”, aponta Guimarães. Ele ressalta que o crédito consignado é a principal linha de crédito pessoal do Brasil e é oferecido por 60 instituições financeiras.



Apesar da base de comparação ser bastante alta, já que os números de 2009 foram históricos, a expectativa no octogenário BMG é de que em 2010 os negócios continuem a todo vapor, principalmente por causa dos bons resultados do primeiro semestre. “É mais difícil à medida que você aumenta sua base, replicar o crescimento, mas temos conseguido isto”, assevera Ricardo Guimarães. O presidente do BMG conta que as projeções para este ano eram de que o banco cresceria 25% seus ativos e sua produção, mas, comparando com o fim de 2009, o crescimento já atingiu 19%. Por isto, até o fim do ano, a expectativa é de que os ventos continuem soprando a favor do BMG porque o mercado está cada vez mais aquecido e é favorecido pelo bom desempenho da economia brasileira.

Como todos os prognósticos são de que o mercado nacional continue aquecido e como ainda há um grande mercado a ser explorado, a expectativa no BMG para o segundo semestre deste ano são as melhores possíveis. Há pouco tempo, a penetração de crédito na população brasileira com relação ao Produto Interno Bruto (PIB) era de apenas 25%, mas já subiu para 45%. “Entretanto, esse número ainda é muito baixo, principalmente se levarmos em conta que no Chile a penetração do crédito em relação ao PIB é de 70% e chega a 150% nos países desenvolvidos da Europa”, ressalta Guimarães. Atualmente, o BMG tem 4,5 milhões de clientes espalhados por todo o país.

Para se chegar a um número cada vez maior de brasileiros, o BMG, que tem 12 agências próprias, desenvolveu modelo pioneiro de atuação no mercado, por meio de parcerias com 1.044 correspondentes bancários, que se subdividem em 3.098 pontos de venda e em mais de 30 mil agentes espalhados em todo o Brasil. Isto proporciona ao banco chegar a quase todos os mais de 5 mil municípios brasileiros. Os correspondentes tornaram-se a principal força de venda do banco mineiro, que tem mais de 450 convênios ativos com prefeituras e estados de todo o país e com a União. Outra boa notícia nas operações é que o crédito consignado tem índice de inadimplência de apenas 1,5% enquanto a média do sistema financeiro brasileiro fica entre 5% e 6%.

Flávio Pentagna Guimarães:  presidente do Conselho de Administração do BMG. Ao lado, em dois momentos quando era presidente da instituição



Um dos produtos, dentro do crédito consignado, que vêm conquistando cada vez mais espaço entre os clientes do BMG é o cartão de crédito consignado, lançado há cerca de cinco anos, com pioneirismo no Brasil. De acordo com Ricardo Guimarães, até o momento, foram emitidos mais de um milhão de cartões, sendo que 600 mil já foram ativados. O produto fez com que o banco se transformasse na 9ª instituição financeira com atuação no mercado brasileiro em emissões de cartão de crédito. Para 2011, a expectativa é de continuar focado no mercado consignado, com a criação de novos produtos.

Além de, por meio do crédito consignado, ter possibilitado que muitos brasileiros tivessem acesso ao mercado de consumo, o BMG, vem, nos últimos anos, atuando de maneira cada vez mais contundente no esporte. Este ano, os investimentos em patrocínios esportivos chegarão a 40 milhões de reais. “O BMG vê o esporte com muita simpatia. E, investir no esporte, além de gerar uma imagem positiva da marca junto aos formadores de opinião, também incentiva os jovens a trilhar um caminho correto e saudável”, destaca Guimarães. Segundo ele, o banco patrocina, atualmente, Cruzeiro, Atlético, América e Ipatinga, em Minas Gerais, além de Flamengo, Coritiba, Atlético Goianiense, Sport, e no vôlei, o São Bernardo e o Montes Claros.

O banco também patrocinou o basquete e está com a equipe de ginástica olímpica do Clube Regatas do Flamengo, além de investir em judô, MMA e Stock Car. “Também fazemos um trabalho social com a população mais carente, que precisa de apoio, por meio do projeto Caça Talentos, em Belo Horizonte, que visa descobrir valores para o tênis e o futebol, com garotos de 6 a 12 anos”, ressalta o presidente do BMG, que adianta uma parceria que está sendo desenvolvida com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), visando às Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Se estes investimentos também significam bons negócios para o banco, o esporte agradece.

Números do Equilíbrio



  • Fundação: 1930
  • Fundador: Antônio Mourão Guimarães, que foi sucedido por Flávio Pentagna Guimarães, principal acionista e presidente do Conselho de Administração do banco e que foi sucedido na presidência do banco por Ricardo Guimarães
  • Foco: A partir de 1998 o foco do banco foi direcionado para o crédito consignado, que representa 90% de seus negócios
  • Carteira total de crédito: R$ 22 bilhões
  • Market share no crédito consignado: 18%
  • Lucro líquido registrado em 2009: R$ 520 milhões
  • Lucro líquido no primeiro semestre de 2010: R$ 352 milhões
  • Número de agências próprias: 12
  • Correspondentes bancários: 1.044
  • Pontos de venda: 3.098
  • Agentes: 30 mil agentes espalhados por todo o Brasil
  • Número de clientes: 4,5 milhões em todo o país
  • Investimento anual em patrocínio esportivo: R$ 40 milhões

Fonte: Ricardo annes Guimarães

Primeira agência em BH

História rápida



A criação de uma empresa de atacado de tecidos, no início do século, por Benjamin Guimarães, deu início à trajetória do grupo BMG. Investimentos na indústria têxtil, na área imobiliária, na agroindústria e no setor de serviços foram os passos seguintes do conglomerado, que também passou a atuar no mercado financeiro, com a criação da Companhia Predial Ferreira Guimarães, transformada seis anos depois, no Banco BMG. Na década de 1990, o grupo BMG criou a indústria de alimentos Brasfrigo, que se destaca na produção de milho enlatado, maionese, caldos, ervilha e derivados de tomate, com unidades em Uberlândia e Itajaí.

Fonte: bancobmg.com.br