Ela nasceu no coração de Belo Horizonte. Seis anos depois, se transformou em um negócio milionário e está prestes a dar os primeiros passos no mercado norte-americano. O desafio está previsto para setembro deste ano. Nada mal para quem, no último mês de junho, foi eleita uma das 100 empresas mais inovadoras do mundo pela Red Herring, reconhecida revista norte-americana sobre inovação e tecnologia que realiza anualmente o prêmio Red Herring Awards na América do Norte, Ásia e Europa.
A façanha, inédita no Brasil, foi conquistada pela Samba Tech, empresa mineira que desenvolveu plataforma para gestão e distribuição de vídeos on-line, especializada em TV na internet, comunicação corporativa e transmissão ao vivo e que, desde sua criação, em 2004, obteve crescimento de 300% no faturamento. Em 2009, a corporação terminou o ano com receita de 5 milhões de reais, pretende chegar a 10 milhões este ano e a 20 milhões em 2011, com base nos contratos que já foram fechados. Não é à toa que, hoje, a Samba Tech atende oito entre as 10 maiores empresas brasileiras que utilizam esse tipo de serviço. É o caso das revistas Veja e Exame, do portal R7 da Rede Record, da Rede Globo e do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT). O responsável por essa empreitada de sucesso é o chief executive officer (CEO) da Samba Tech, Gustavo Caetano.
Nascido em Araguari, no Triângulo Mineiro, esse jovem de 29 anos era pouco mais que um adolescente quando deixou a cidade natal para estudar marketing na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), no Rio de Janeiro. Alguns meses antes de se formar, com apenas 21 anos, teve um insight que, algum tempo depois, transformou-se em grande oportunidade de negócio.
Caetano conta que, à época, trabalhava em uma seguradora de planos de saúde e que não entendia nada sobre tecnologia. Um dia, em busca de entretenimento, começou a procurar jogos eletrônicos para baixar no celular que acabara de adquirir. Foi quando percebeu que a oferta desse tipo de produto era quase inexistente no Brasil. Começou, então, uma busca intensa por produtores de jogos eletrônicos. A pesquisa revelou que essas empresas estavam fora do país.
Com a cara e a coragem, como reza o ditado popular, Caetano elaborou um plano de negócios mostrando o potencial do mercado brasileiro, entrou em contato com alguns fabricantes e embarcou para o exterior com o objetivo de arranjar parceiro que acreditasse em sua proposta. Ele arriscou e acertou o alvo. Com o aporte de 100 mil dólares de um investidor do sul do país, criou a Samba Tech e, em pouco tempo, a empresa se transformou na maior distribuidora de games para celular no Brasil.
Mas, no mundo da tecnologia, tudo evolui rapidamente e o que era a grande novidade ontem, amanhã já se tornou obsoleto. Em 2007, Caetano percebeu que era hora de mudar e partir para um nicho de mercado que tinha tudo para se tornar promissor: vídeos para a internet. Como sempre, o executivo mirou o futuro e, mais uma vez, teve outra grande ideia: a questão não era gerar conteúdo, mas fazer com que este chegasse ao público almejado, o que, para as empresas, seria uma ferramenta revolucionária.
Novamente, ele acertou na mosca! Conseguiu capital de 5 milhões de reais junto a investidor e seguiu adiante. Desde então, a Samba passou a oferecer todo o processo de transmissão e armazenamento de vídeos pela internet, além relatórios que ajudam a medir e a qualificar a audiência, com segmentação precisa do tipo de público. Com isso, o setor de celulares ficou para trás e, de representante de terceiros, a empresa passou a oferecer sua própria tecnologia. O foco no cliente, afirma Caetano, é o grande diferencial da empresa, já que ela desenvolve o produto a partir do formato e das necessidades de cada um deles e não algo engessado, previamente desenvolvido. Graças a essa inovação, a Samba Tech se tornou líder nesse segmento no Brasil e, em setembro, vai partir para o mercado norte-americano, onde a concorrência é acirrada. Para entrar com força total nos Estados Unidos, a empresa vai investir 10 milhões de reais por meio do aporte de outro investidor estrangeiro. Atualmente, a Samba Tech entrega mais de 100 milhões de vídeos por mês que podem rodar em diversas bases, desde canais corporativos de TV até um simples celular. “Montamos tecnologia que é elástica, por isso o cliente paga uma assinatura mensal e os valores extras são cobrados à parte.” Sem dúvida, inovação é a palavra-chave da Samba Tech. Até mesmo a estrutura física da empresa surpreende. A começar pela recepção: nada de mesas e cadeiras convencionais. Ao entrar, clientes e visitantes deparam-se com quatro bancos de metal semelhantes aos de um bar em torno de mesa de totó – sim, aquela que simula uma partida de futebol. Logo atrás, escrita em imensa porta de vidro fosco está a palavra divã, o que desperta ainda mais a curiosidade de quem chega – afinal, aquele não é um consultório de psicologia. Parece pouco, mas já é o suficiente para quem está acostumado a ambientes corporativos burocráticos ficar curioso para saber o que o espera alguns passos adiante. A equipe é composta por jovens, a maioria com mestrado, doutorado ou MBA, vindos de grandes empresas de tecnologia – o mais velho tem pouco mais de 30 anos. Os 50 funcionários também se beneficiam desse conceito de inovação. Exemplo disso é o Samba Labs, laboratório de novas ideias e projetos que possui um conselho formado pelos próprios colaboradores e que não tem vínculo com a direção da empresa. Qualquer pessoa que trabalha na Samba pode expor seu projeto lá. Caso este seja aprovado, a empresa pode colocá-lo em prática. Com olhar sempre voltado para o horizonte e sem medo de arriscar, a Samba Tech tem marcado seu território e escrito uma história de sucesso rapidamente. Não é difícil prever que vem muito mais por aí. |
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