Aos 72 anos, depois de construir sólida carreira como empresário, Hermógenes Ladeira abraça nova missão. No mês passado, ele embarcou para Nova Iorque onde tomou posse como conselheiro do Ludwig Institute, uma das maiores organizações de pesquisa contra o câncer do planeta, criada em 1971 pelo empresário Daniel Ludwig. O convite veio conduzido pelo próprio fio da vida, que o colocou diante de caso de câncer na família. A visão empreendedora de Hermógenes, que marcou a história da indústria à frente da extinta indústria de cerveja e refrigerantes Alterosa e presidente da Antarctica em Minas, também influenciaram para colaborar na luta contra a doença. Confira a seguir:
Como o senhor conheceu o Instituto Ludwig?
Em 1995, minha mulher, Diva, descobriu que tinha um câncer de mama. Estávamos com uma malinha pronta para irmos ao hospital, onde ela se submeteria a uma mastectomia radical, quando recebi o telefonema de uma sobrinha, Catarina, casada com o médico Andrew Simpson, que trabalhava na filial brasileira do instituto Ludwig no Brasil. Ela pediu que fôssemos fazer o tratamento em São Paulo.
O senhor aceitou?
Sim. A cirurgia, com uma técnica mais avançada, foi um sucesso. Todo o tratamento foi realizado no Hospital A.C. Camargo. Minha mulher se recuperou e dessa experiência nasceu também grande amizade com o médico Andrew Simpson, que, oito anos depois, se tornou diretor científico do Instituto Ludwig em Nova Iorque.
Quando surgiu o convite?
Devido à minha vivência empresarial, ele sempre me consultava em relação ao instituto. Um dia me convidou para reunião em São Paulo, no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, onde está a filial do Instituto Ludwig. Lá conheci o trabalho de pesquisadores e entidades notáveis, como a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep). Fiquei mais envolvido ainda com a questão do câncer e há dois meses recebi o convite para fazer parte do conselho.
O que fará exatamente?
O Ludwig tem com parceiro o laboratório, o Receptar Biofharma, para o qual o instituto licenciou quatro produtos para aplicação na cura do câncer, cuja patente lhe pertence. Vou atuar como conselheiro na administração do laboratório, representando o instituto. De câncer, entendo do sofrimento vivido pela minha mulher, mas vou levar a minha experiência como empresário no desenvolvimento de ações contra a doença do instituto, que não tem fins lucrativos.
A ação social sempre fez parte de sua vida?
Ensinei aos meus filhos a olhar primeiro as pessoas que vivem ao nosso redor. São muitas entidades que precisam, mas antes temos que conhecer as necessidades dos mais próximos. Muitas pessoas não olham sequer para o porteiro do prédio. Se cada um ajudar um pouco. Nasci numa família simples, no Ceará. Vim para Belo Horizonte com seis anos. Meu pai, um agrônomo mineiro, casou-se com minha mãe, cearense, foram morar em Fortaleza. Devido às dificuldades, minha família voltou para Minas nos anos 40. Chegamos a viver em um quarto de pensão, eu meu pai e mais três irmãos. Em função disso, minha cabeça era voltada para melhorar de vida. Na maior parte da vida lutei para ter. Agora quero ser, dedicar-me àqueles que precisam.