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Quinta, 24 de Maio de 2012

Bate-papo

Nobre Missão

Bate-papo com Hermógenes Ladeira

Texto: Márcia Queirós | Fotos: Victor Schwarner
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Aos 72 anos, depois de construir sólida carreira co­mo empresário, Hermógenes Ladeira abraça nova missão. No mês passado, ele embarcou para Nova Iorque onde tomou posse como conselheiro do Ludwig Institute, uma das maiores organizações de pes­quisa contra o câncer do planeta, criada em 1971 pelo empresário Daniel Ludwig. O convite veio conduzido pelo próprio fio da vida, que o colocou diante de caso de câncer na família. A visão empreendedora de Hermógenes, que marcou a história da indústria à frente da extinta indústria de cerveja e refrigerantes Alterosa e presidente da Antarctica em Minas, também influenciaram para colaborar na luta contra a doença. Confira a seguir:

Como o senhor conheceu o Instituto Ludwig?
Em 1995, minha mulher, Diva, descobriu que tinha um câncer de mama. Estávamos com uma malinha pronta para irmos ao hospital, onde ela se submeteria a uma mastectomia radical, quando recebi o telefonema de uma sobrinha, Catarina, casada com o médico Andrew Simpson, que trabalhava na filial brasileira do instituto Ludwig no Brasil. Ela pediu que fôssemos fazer o tratamento em São Paulo.

O senhor aceitou?
Sim. A cirurgia, com uma técnica mais avançada, foi um sucesso. Todo o tratamento foi realizado no Hospital A.C. Camargo. Minha mulher se recuperou e dessa experiência nasceu também grande amizade com o médico  Andrew Simpson, que, oito anos depois, se tornou diretor científico do Instituto Ludwig em Nova Iorque. 

Quando surgiu o convite?
Devido à minha vivência empresarial, ele sempre me consultava em relação ao instituto. Um dia me convidou para reunião em São Paulo, no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, onde está a filial do Instituto Ludwig. Lá conheci o trabalho de pesquisadores e entidades notáveis, como a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep). Fiquei mais envolvido ainda com a questão do câncer e há dois meses recebi o convite para fazer parte do conselho.

O que fará exatamente?
O Ludwig tem com parceiro o laboratório, o Receptar Biofharma, para o qual o instituto licenciou quatro produtos para aplicação na cura do câncer, cuja patente lhe pertence. Vou atuar como conselheiro na administração do laboratório, representando o instituto. De câncer, entendo do sofrimento vivido pela minha mulher, mas vou levar a minha experiência como empresário no desenvolvimento de ações contra a doença do instituto, que não tem fins lucrativos.

A ação social sempre fez parte de sua vida?
Ensinei aos meus filhos a olhar primeiro as pessoas que vivem ao nosso redor. São muitas entidades que precisam, mas antes temos que conhecer as necessidades dos mais próximos. Muitas pessoas não olham sequer para o porteiro do prédio. Se cada um ajudar um pouco. Nasci numa família simples, no Ceará. Vim para Belo Horizonte com seis anos. Meu pai, um agrônomo mineiro, casou-se com minha mãe, cearense, foram morar em Fortaleza. Devido às dificuldades, minha família voltou para Minas nos anos 40. Chegamos a viver em um quarto de pensão, eu meu pai e mais três irmãos. Em função disso, minha cabeça era voltada para melhorar de vida. Na maior parte da  vida lutei para ter. Agora quero ser, dedicar-me àqueles que precisam.