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Quinta, 24 de Maio de 2012

Responsabilidade Social

Sorriso de volta

Há 25 anos a Fundação Vicintim traz novas perspectivas de futuro para crianças e jovens carentes em oito municípios de Minas Gerais

Texto: Eliana Fonseca | Fotos: Dilvugação
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Das realidades que muitos não conhecem, chegam histórias assustadoras de vida – a de crianças com 8, 9 anos, iniciadas na bebida e nas drogas; a de jovens que entram nas escolas e veem colegas assassinados; a de gente miúda, com uma vida toda pela frente, com os ombros caídos e olhos sem brilhos, desiludidos, sem perspectiva. Há 25 anos, o encontro com essas realidades, em alguns grotões de Minas e na capital, motivou o casal Mariza e Ricardo Vicintin a querer mais do que ajudar. Criaram a Fundação Vicintin que multiplicou o trabalho que começou pequeno com uma creche em Várzea da Palma e hoje se expandiu para 32 instituições, entre creches, escolas, asilos e instituições como Apaes e atendimento de mais de 15 mil pessoas.

Neste ano, a prioridade da fun­da­ção é concretizar o projeto de sua sede, ainda sem local definido, um espaço com 35 mil m². O prédio, projetado pelo engenheiro Flávio Kaukal, terá 2.595 m² de área construída, quatro andares, com a proposta de acolher os projetos já desenvolvidos pela fundação. Cerca de 10 mil m² serão reservados para um parque infantil, com brinquedos pedagógicos, campo de futebol, praça recreativa, galeria de arte, ginásio poliesportivo e anfiteatro. “Estamos à procura de parceiros para realização deste projeto que será a concretização de um sonho”, diz a diretora Mariza Vicintin.



O foco na educação, na saúde e no meio ambiente é prioridade da fun­dação, que atua nas cidades de Riacho dos Machados, Bocaiúva, Vár­zea da Palma, Capitão Enéas, Olhos D’Água, Augusto de Lima, Alvinópolis e Belo Horizonte. A Fundação Vicintin adota um formato diferente de ajudar, levando em conta a real necessidade de cada comunidade. As ações do programa estão pautadas nas metas do milênio definidas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

“Partimos do princípio de que educar crianças e adolescentes é estimulá-los a andar com as próprias pernas, fornecendo o suporte necessário para eles se integrarem à sociedade. Quando concretizamos es­ses projetos, há uma mudança na realidade das cidades.

Menores têm aulas de reforço e (foto acima) o projeto da sede



Foi graças a essa filosofia que as crianças das cidades atendidas contam, desde 2005, com o projeto Mundo Mágico das Letras. “Entre­ga­mos baús literários com obras de diversos autores. As crianças já receberam obras do Ziraldo, de Mon­teiro Lobato, Maria Clara Macha­do”, conta entusiasmada Mariza. Em 2009, o projeto atendeu 26 escolas e creches no total de 9.860 alunos.  Neste ano, um dos autores definidos para o projeto é o francês Júlio Verne.

Crianças assistidas pela fundação:andar com as próprias pernas



O incentivo à leitura é apenas um dos pontos do trabalho da fun­dação, que trabalha na construção de espaços para não só apresentar como fortalecer esse hábito. Des­de que foi criada, ela já construiu três bibliotecas e, para 2010,  estão previstas as inaugurações de mais duas obras. Um projeto simples, to­dos os espaços têm salas grandes, banheiros, salas com computadores. “Nosso cuidado é criar ambien­tes agradáveis que proporcionem às crianças e jovens um local atrativo, agradável, que se tornem op­ção de formação e entretenimen­to”, observa a diretora.
Incentivo à leitura: distribuição de livros



Além deste incentivo, a fun­da­ção também acompanha a vida escolar das crianças e adolescentes, com destaque para o Projeto Ku­mon, unidade modelo em Lourdes, de Lau­ra Teixeira, em que elas recebem acompanhamento de matemática e português durante quatro vezes por se­mana. Em parceria com a também empresária Norma Mason, da Cummins, são oferecidos acompanha­mento pedagógico, orientação individualizada, lanche e transporte para as crianças. O projeto de alfabetização tem o objetivo de promover o resgate da autoestima, fundamentando o interesse futuro nas bibliotecas.

Há também o Projeto Sorrindo, realizado em creches e escolas, para conscientizar os alunos da importân­cia da correta higienização da boca. No projeto Socio­am­bi­en­tal, os participantes realizam uma série de ações que englobam atividades práticas como oficinas, teatro, plantio de mudas, coleta seletiva e palestras, com o objetivo de sensibilizá-los para uma boa prática ambiental. “O mais interessante é que esse trabalho motiva e mobiliza não só a comunidade, mas os funcioná­rios do Grupo Rima, por meio da Sociedade Cristã da Rima que tem mais de 150 sócios contribuintes. Há doações de cestas básicas, medicamentos e ações para melhorar a qualidade de vida de famílias carentes da Região Metropolitana de Belo Horizonte”, diz Mariza.