Das realidades que muitos não conhecem, chegam histórias assustadoras de vida – a de crianças com 8, 9 anos, iniciadas na bebida e nas drogas; a de jovens que entram nas escolas e veem colegas assassinados; a de gente miúda, com uma vida toda pela frente, com os ombros caídos e olhos sem brilhos, desiludidos, sem perspectiva. Há 25 anos, o encontro com essas realidades, em alguns grotões de Minas e na capital, motivou o casal Mariza e Ricardo Vicintin a querer mais do que ajudar. Criaram a Fundação Vicintin que multiplicou o trabalho que começou pequeno com uma creche em Várzea da Palma e hoje se expandiu para 32 instituições, entre creches, escolas, asilos e instituições como Apaes e atendimento de mais de 15 mil pessoas.
Neste ano, a prioridade da fundação é concretizar o projeto de sua sede, ainda sem local definido, um espaço com 35 mil m². O prédio, projetado pelo engenheiro Flávio Kaukal, terá 2.595 m² de área construída, quatro andares, com a proposta de acolher os projetos já desenvolvidos pela fundação. Cerca de 10 mil m² serão reservados para um parque infantil, com brinquedos pedagógicos, campo de futebol, praça recreativa, galeria de arte, ginásio poliesportivo e anfiteatro. “Estamos à procura de parceiros para realização deste projeto que será a concretização de um sonho”, diz a diretora Mariza Vicintin.
O foco na educação, na saúde e no meio ambiente é prioridade da fundação, que atua nas cidades de Riacho dos Machados, Bocaiúva, Várzea da Palma, Capitão Enéas, Olhos D’Água, Augusto de Lima, Alvinópolis e Belo Horizonte. A Fundação Vicintin adota um formato diferente de ajudar, levando em conta a real necessidade de cada comunidade. As ações do programa estão pautadas nas metas do milênio definidas pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Partimos do princípio de que educar crianças e adolescentes é estimulá-los a andar com as próprias pernas, fornecendo o suporte necessário para eles se integrarem à sociedade. Quando concretizamos esses projetos, há uma mudança na realidade das cidades. |
Foi graças a essa filosofia que as crianças das cidades atendidas contam, desde 2005, com o projeto Mundo Mágico das Letras. “Entregamos baús literários com obras de diversos autores. As crianças já receberam obras do Ziraldo, de Monteiro Lobato, Maria Clara Machado”, conta entusiasmada Mariza. Em 2009, o projeto atendeu 26 escolas e creches no total de 9.860 alunos. Neste ano, um dos autores definidos para o projeto é o francês Júlio Verne. |
O incentivo à leitura é apenas um dos pontos do trabalho da fundação, que trabalha na construção de espaços para não só apresentar como fortalecer esse hábito. Desde que foi criada, ela já construiu três bibliotecas e, para 2010, estão previstas as inaugurações de mais duas obras. Um projeto simples, todos os espaços têm salas grandes, banheiros, salas com computadores. “Nosso cuidado é criar ambientes agradáveis que proporcionem às crianças e jovens um local atrativo, agradável, que se tornem opção de formação e entretenimento”, observa a diretora. |
Além deste incentivo, a fundação também acompanha a vida escolar das crianças e adolescentes, com destaque para o Projeto Kumon, unidade modelo em Lourdes, de Laura Teixeira, em que elas recebem acompanhamento de matemática e português durante quatro vezes por semana. Em parceria com a também empresária Norma Mason, da Cummins, são oferecidos acompanhamento pedagógico, orientação individualizada, lanche e transporte para as crianças. O projeto de alfabetização tem o objetivo de promover o resgate da autoestima, fundamentando o interesse futuro nas bibliotecas. Há também o Projeto Sorrindo, realizado em creches e escolas, para conscientizar os alunos da importância da correta higienização da boca. No projeto Socioambiental, os participantes realizam uma série de ações que englobam atividades práticas como oficinas, teatro, plantio de mudas, coleta seletiva e palestras, com o objetivo de sensibilizá-los para uma boa prática ambiental. “O mais interessante é que esse trabalho motiva e mobiliza não só a comunidade, mas os funcionários do Grupo Rima, por meio da Sociedade Cristã da Rima que tem mais de 150 sócios contribuintes. Há doações de cestas básicas, medicamentos e ações para melhorar a qualidade de vida de famílias carentes da Região Metropolitana de Belo Horizonte”, diz Mariza. |