A partir da última semana de março, cinco museus brasileiros poderão ser visitados integralmente pela internet. É o que promete o projeto ERA Virtual (www.eravirtual.org). O site deverá abrigar gratuitamente o Museu de Artes e Ofícios, de Belo Horizonte (MG); o Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul (SC); a Casa de Cora Coralina, em Goiás (GO); o Museu Victor Meirelles, de Florianópolis (SC); e o Museu do Oratório, em Ouro Preto (MG). O site reúne vídeos, fotografias, áudios e textos, com tradução para inglês, espanhol e francês.
A visitação virtual já é uma marca de museus internacionais, como o Louvre, em Paris, ou o Museu Egípcio, no Cairo. Mas, de acordo com Rodrigo Coelho, diretor do Empório de Relacionamentos Artísticos (ERA) e idealizador do projeto, a grande diferença é que 100% dos acervos serão disponibilizados. Para viabilizar o projeto, os produtores fotografaram as peças em diversos ângulos e em alta definição. “Com apenas um clique, o internauta terá visão de 360 graus e poderá caminhar pelos corredores dos museus, avançando ou retrocedendo quando quiser e se detendo no que achar mais relevante”, explica Coelho. Caso queira companhia, a opção será o guia virtual, que transmite informações em tempo real.
No lado direito superior da tela, um mapa mostra a localização, marca em vermelho as salas já visitadas e indica possíveis caminhos a serem percorridos. O internauta também poderá ampliar algumas peças e observá-las de todos os ângulos. Com isso, verá detalhes que não são possíveis a olho nu. “No link do site do Museu do Oratório, por exemplo, o oratório construído em bala de revólver, de aproximadamente 5 cm, será amplificado até cem vezes”, antecipa Coelho. Também será possível visitar outras atrações das cidades-sede. Em Ouro Preto, o turista terá a oportunidade de sair do museu, entrar na igreja do Carmo e andar pela praça Tiradentes. Já em São Francisco do Sul, poderá percorrer o barco do navegador Amyr Klink, ancorado no porto em frente ao Museu do Mar. Detalhe: o mundo real não permite a entrada na embarcação.
E como todo museu que se preze, o ERA Virtual também tem um curador, por assim dizer. A museóloga Célia Corsino, curadora do Museu de Artes e Ofícios, selecionou as instituições pioneiras do projeto. “Usei como critérios de seleção a diversidade temática (navegação, arte, história e ofícios) e a complexidade do acervo.” Segundo a museóloga, esse tipo de iniciativa deve ajudar a tornar os museus brasileiros mais conhecidos. “Tours virtuais instigam, convidam a pessoa a conhecer de perto. É uma forma atraente de divulgação.”
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“Claro que nada substitui a aproximação física entre o espectador e a obra. No entanto, quando a maior parte da população não tem acesso aos museus, essa é uma forma inteligente de levar a cultura até o espectador em potencial.” Luiz Henrique Vieira, artista plástico Até o fim do ano, o ERA Virtual deve incluir mais sete museus no projeto (veja quadro). “Em médio prazo, a expectativa é abranger instituições de todo o Brasil, pelo menos um representante de cada estado”, planeja Carla Sandim, produtora-executiva do ERA. Segundo ela, o empreendimento deve ter fôlego nas escolas, servindo como fonte de pesquisa e de material didático. “Um professor de Porto Alegre vai poder dar aula expositiva usando como base museus de vários lugares do Brasil”, antevê. Tendo em conta que, hoje, a maioria dos sites é precária, a iniciativa irá fortalecer o acesso à cultura e incentivar o turismo. “A internet pode se tornar um local interessante para os museus”, acredita Carla. |
“A disponibilização do ERA Virtual vem enriquecer o desenvolvimento e a capacitação do internauta, atendendo e ampliando seu poder de compreensão por meio da arte e da história encontrada em nossos museus. Sem dúvida, essa abertura também agrega a expansão do turismo cultural.” Neide Barreto, consultora de língua inglesa |
Era VirtualSaiba mais sobre os museus que vão participar da primeira fase Museu de Artes e Ofícios – Belo Horizonte (MG)
Museu Nacional do Mar – São Francisco do Sul (SC)
Casa de Cora Coralina – Goiás (GO)
Museu Victor Meirelles – Florianópolis (SC)
Museu do Oratório – Ouro Preto (MG)
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Próximos lançamentos
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Mas se você acha que a exposição disto tudo é recente, consequência dos 15 minutos de fama que cabe a cada um e da proliferação dos veículos ditos de fofocas, engana-se redondamente. Quem esteve na 5ª Mostra de Cinema de Ouro Preto – Cineop –, em junho, pode saber que vem dos anos 20 a criação de uma das primeiras revistas a tratar da vida dos famosos no Brasil: a Cinearte, editada de 1926 a 1942. “A inspiração é a Photoplay norte-americana (1916), pioneira em perceber o interesse do público pela vida de atores e atrizes e a propagar a cultura do estrelismo. O modelo é Hollywood”, afirma o crítico e doutor em Estudos Cinematográficos pela New York University, João Luiz Vieira. Sob o comando de Adhemar Gonzaga (criador da companhia de cinema brasileiro, Cinédia, em 1930), Cinearte vai alavancar a produção cinematográfica nacional e internacional e um de seus pilares é a beleza: do corpo, dos trajes, das residências (lembra-lhe algo?).“Ann Harding estava encantadora e sua beleza loura, avaramente escondida pelas lentes das câmeras, contrastava lindamente com vestido de seda turquesa, com gola rendada em forma de V profundo.”Não faltavam fotos de Greta Garbo, de Alda Rios, Cláudio Montenegro e Lelita Rosa, atriz da produção nacional Lábios sem Beijos. Ensaio fotográfico realizado por grandes nomes, como o diretor Edgard Brasil. |