A primeira cidade a apresentar um projeto de candidatura à sede dos jogos da Copa de 2014 assistiu uma comovente vibração de seus moradores quando a conquista foi confirmada pela Fifa. Também não é para menos. Além de terem paixão por futebol, eles criaram a expectativa de verem terminadas para o evento dezenas de obras de infraestrutura que a cidade precisa e espera há anos. O próprio secretário de Esportes do Estado, Ferruccio Feitosa, que está à frente da equipe de planejamento desde o início da proposta, reconhece que o projeto apresentado à comissão foi feito com base em um levantamento das obras que seriam mais importantes para a cidade. “A intenção é aproveitar esse momento para antecipar ações que iriam ocorrer talvez só daqui a uns 30 anos. Nosso plano é um dos mais audaciosos, é muito ambicioso.”
A estimativa de custo total das obras a serem realizadas em Fortaleza até a Copa ultrapassa os 9 bilhões de reais, envolvendo obras federais, estaduais e municipais. 65% desses recursos já estão captados, de acordo com o secretário. “Estamos muito bem, nossos governantes estão comprometidos”, garante Feitosa. Filho ilustre do Ceará, o cantor Falcão é um dos entusiastas com a vinda da competição para o Brasil. Com seu estilo bregoriano, o artista acompanha a preparação da capital para receber o maior evento futebolístico do mundo e garante que não tem medo de “fazermos feio, confio no nosso potencial, mas não temos que mostrar tudo tão padronizado como os europeus fazem, afinal, irreverência é a nossa marca.” Mesmo dizendo que acha bom um pouco de esculhambação de vez em quando, ele acompanhou nossa equipe até o estádio do Castelão, onde pôde conferir de perto as mudanças que estão sendo planejadas para seu estádio do coração. “Quando eu estava na faculdade de arquitetura, estudei a concepção disso tudo aqui, pois foram professores meus que o projetaram. É um show de bola esse grau de inclinação das arquibancadas, esse estádio é diferenciado e vai ajudar a consolidar uma boa imagem para Fortaleza diante do mundo”, opina. |
De acordo com Felipe Araújo, coordenador do projeto Copa 2014 da Prefeitura de Fortaleza, sete eixos temáticos guiam o planejamento das obras em toda a cidade: estádios, meio ambiente, saneamento, transporte e logística, segurança, saúde, energia e telecomunicações e turismo. Ele explica que a prioridade são as intervenções que se configuram como legado permanente para os moradores. “O que temos mais pressa em concretizar são as intervenções relacionadas à mobilidade urbana, mas o que foi definido como obra do município na Matriz de Responsabilidade Fiscal (deliberada no dia 13 de janeiro, em Brasília) será entregue até o final de nosso mandato, em 2012”. Em Fortaleza não há ainda um comitê da Copa, como em outras cidades-sede. Mas a secretaria de assuntos especiais, da qual Araújo faz parte, procura articular os interesses de cada secretaria e expor o andamento do que foi planejado para a população em audiências públicas. |
Mas mesmo com as ações sendo feitas de forma – aparentemente – bastante transparente, polêmicas não são evitadas. A população teme principalmente pela maneira como serão conduzidas as desapropriações. Muitos moradores terão que ser desalojados do entorno das principais vias que ligam a área hoteleira, o aeroporto e o estádio do Castelão e também das margens do rio Cocó, que será (em boa hora) revitalizado. Essa parte é de responsabilidade do estado e a prefeitura teme que se alonguem em processos judiciais, por exemplo. Outra crítica recorrente é em relação à pressa que deverá ser aplicada as ações que demandam longo prazo. Como a Copa acontece daqui a quatro anos, não há tanto tempo para fazer projetos urbanísticos sustentáveis. “A principal herança que teremos da competição é a visibilidade, mas temos que aparecer bem. Para promover turismo permanente e de qualidade, não podem ser criados guetos para receber o evento, os projetos deverão ser integrados com a cidade”, explica Fausto Nilo, arquiteto, urbanista, compositor e poeta. Autor de sucessos como Santa Fé, gravado por Morais Moreira, Nilo é corresponsável por projetos arquitetônicos importantes para os fortalezenses, como o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, o principal espaço de convergências culturais da cidade. Quanto às obras para a Copa, sua equipe foi a vencedora do concurso de ideias da reorganização da avenida Beira Mar, que deve entrar em processo de licitação em breve. Nilo esteve envolvido com projetos também nos estádios, mas pode se dar ao luxo de tirar seu time de campo quando não concorda com a forma como as obras passam a ser conduzidas. No caso do estádio Presidente Vargas, que servirá de base de apoio na Copa, o projeto que ele fez e gostaria de ver aprovado pela prefeitura era muito mais abrangente (contemplava os arredores) do que o que foi posto em prática. Mas ele não se diz pessimista e respeita as decisões dos governantes; aos 65 anos, diz apenas que gostaria que o Brasil valorizasse mais projetos urbanísticos. Não por acaso ele é visivelmente querido e respeitado pela população local e foi o grande homenageado do Carnaval de Fortaleza em 2010. |
Outro filho famoso que cria grandes expectativas com a Copa na capital do Ceará é o cantor Raimundo Fagner. Louco por futebol, torcedor do Fortaleza e gozador do time do Ceará, ele acredita no impulso do evento para melhorar a cidade. “Somos muito amadores em vários aspectos ainda. A hora de se profissionalizar é essa. Os políticos vão ter que se virar”, alfineta, rindo. A simpatia dos cearenses é, para Fagner, o principal atrativo para fazer com que Fortaleza receba a maior parte dos torcedores que poderão vir assistir aos jogos no chamado eixo Nordeste (que inclui ainda Recife e Natal). |
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Mas não é só em carisma que aposta o diretor administrativo da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Regis Medeiros. Ele acredita no potencial hospedeiro e na boa infra-estrutura da cidade para receber turistas exigentes. Acostumada a uma grande movimentação promovida pelo turismo de eventos, Fortaleza tem atualmente 25 mil leitos na cidade e 900 nos 8 arredores. Uma das maiores infra-estruturas hoteleiras do país. E a expectativa é de chegar a 2014 com um total de 35 mil leitos nas proximidades, já que grandes complexos hoteleiros e resorts estão sendo projetados para a região. |
Medeiros é dono de uma rede hoteleira e planeja dar um salto nos seus negócios nos próximos anos. Acredita que os governos cumprirão suas metas para a competição, principalmente o governo federal – que tem responsabilidades maiores – mas faz ressalva quanto à linha de financiamento para empresários do setor. “As taxas de juros de cerca de 8% para empréstimos e a garantia que os financiadores exigem são muito apertados, favorecem só quem já tem muito dinheiro para investir.” Na ABIH, o foco de Medeiros é batalhar por capacitação dos trabalhadores do setor de turismo, “que tem muito a melhorar”, e conscientizar os colegas do setor a investir para receber bem e aproveitar a visibilidade proporcionada pelo evento. “Quando a Match veio aqui, por exemplo, eu instruí que os donos de hotéis vendessem sim 70% de suas reservas para o período da Copa. Alguns reclamavam que poderiam segurar e conseguir preços melhores, mas eu expliquei a importância de fazermos parceria com eles. Nas Olimpíadas de Pequim, por exemplo, muita gente não se aliou à Match e acabou no prejuízo, porque tinham vagas em hotéis, mas não tinham mais ingressos. A Fifa já faz isso para que as vendas sejam casadas e otimizadas”, explica. Em tempo, a Match é a empresa de serviços escolhida pela Fifa para fornecer os serviços de bilheteria, hospedagem e tecnologia da informação para diversas competições, inclusive a Copa do Mundo de 2014. |
Fortaleza em Números
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Os dois lados da moedaEstádios
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Economia
Na retranca Aeroporto Trânsito Segurança Pública
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Má Fama
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Diferenciais das principais ações para a Copa
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