Logo Revista Viver Brasil - Assim é viver
Quinta, 24 de Maio de 2012

Turismo

Charme parisiense

Brasileiros e franceses, moradores de Paris, elegem o bairro mais charmoso da Cidade Luz entre tantos outros merecedores do título

Texto: Igor Tameirão | Fotos: David Mabille/ Keystone
Opiniões ou sugestões sobre a matéria?
Mande e-mail para: web@revistaviverbrasil.com.br

Qual é o bairro mais elegante de Paris? A consulta foi feita a franceses e brasileiros moradores da cidade e, após duas semanas de discussões, chegou-se a uma conclusão. Dentro de fatores apresentados como localização, arquitetura, monumentos, restaurantes, lojas, vida diurna e noturna, o 6° arrondissement, também conhecido como Odéon ou Sant Germain de Prés, foi o bairro escolhido.

 

Igreja Saint Germain-des-Prés: missa em latim todos os dias



A região, demarcada pelo rio Sena ao sul, Boulevard Sant Michel a leste, Boulevard Montparnasse ao norte e as ruas de Sevrès e de Saint-Prètes a oeste, é sinônimo de história, cultura, arte e prazer. Apesar de não possuir grande número de universidades como seu vizinho, o bairro Latino, sede da Sorbonne, no Odéon se en­contram  famosas escolas, como Faculdade de Me­di­cina de Paris, Escola de Belas Artes, Escola de Minas, a respeitada Escola de Ciências Políticas de Paris e a Es­cola de Comércio. “Nós, estudantes do Odéon, tínhamos o costume de nos divertirmos no próprio bairro. Então criamos aqui uma elite intelectual própria, que depois ficou famosa com a frequência de pensadores como Sartre em nossos cafés”, conta Monique Caslot, antiga aluna da Faculdade de Medicina.

Torre da Saint Suplice: mistérios



A história do bairro remonta ao Império Romano. O tempo, as guerras e revoluções não deixaram muitas marcas desta época. No entanto, o cristianismo e o catolicismo francês construíram maravilhas como as emblemáticas igrejas de Saint Germain-des-Prés e de Saint Suplice, ainda hoje envoltas em mistérios, muito explorados por escritores famosos como Agatha Christie a Dan Brwoun. A igreja de Saint Germain-des-Prés é a única de Paris que celebra diariamente uma missa toda em latim com o padre de costas para os fiéis, como na Idade Média. Em frente, prédios antigos abrigam lojas de luxo como Louis Vuitton e Dior. Tantos outros abrigam bares da moda ou os lendários Café Flore e Aux Dos Magos, hoje pontos turísticos, que se perpetuaram na história de Paris por serem frequentados por filósofos, escritores e poetas. 

Bar du Marché: ponto de encontro dos jovens



Para a advogada mineira Juliana Resende, que mora em Paris há três anos, onde faz um mestrado de direito europeu, o Odéon é o mais completo dos bairros da Cidade Luz. “Aqui temos um pouco de tudo. O luxo das grandes marcas, os bares e bistrôs com cadeiras na calçada, onde se toma bons vinhos, as igrejas que nos confirma a fé católica do povo francês. Além de belos restaurantes e galerias de arte”, afirma a advogada.

 

Café ao lado da rua Bonaparte 2, em Paris



Já para o sociólogo Francês Arnon Casile, o melhor do bairro é a parte cultural. “As galerias, os cinemas e o Teatro do Odéon são meus endereços preferidos. Gosto muito também dos bares da rua de Buci. São movimentados e alegres e eu gosto da mistura do parisiense com os turistas que acontece naturalmente no local”, afirma o sociólogo de 33 anos que nasceu e continua a morar no bairro. “Aqui passei minha infância, adolescência. Fui batizado na igreja Saint Suplice e fiz minha primeira comunhão. Conheço todo mundo do bairro: do jornaleiro ao Joel Robuchon (chef estrelado da cozinha francesa que tem um restaurante no Odéon)”, se orgulha Casile.

 



Jardim de Luxemburgo

Chamado carinhosamente pelos parisienses de “Luco” é uma fonte de orgulho para os moradores e comerciantes do bairro Odéon. O conjunto, que inclui os jardins e o palácio, foi erguido por Maria de Medicis em 1612. Hoje o palácio é a sede do Senado francês e os jardins são dos cidadãos. Em seu gramado é comum acontecer treinamentos esportivos e até brasileiros jogando capoeira. No entorno existe uma grande pista de corrida que, independente do tempo, sempre tem frequentadores. Marie Lunaer é enfermeira moradora das imediações do jardim e não abre mão de sua corrida diária. “Não me apego ao tempo. Estou sempre a fazer meus exercícios aqui no Luco”, afirma a enfermeira. Enquanto no jardim se movimentam parisienses e turistas, no palácio encontramos o jogo da política. Intramuros, Senadores de matizes diferentes jogam o jogo político a eles reservado pela Velha República.