De 1997 a 2007, o Brasil teve alta de quase 24% nos casos de aids. Segundo relatório do Ministério da Saúde, entre os 39 municípios com mais de 500 mil habitantes, 15 deles sofreram aumento percentual. Duas cidades de Minas Gerais estão na lista: Uberlândia leva o 8º lugar, com evolução de 92,4%, e Contagem, o 13º, com 46,1%. Belo Horizonte e Juiz de Fora compõem o quadro das 15 cidades estabilizadas, mas nenhum município mineiro apresentou percentual de queda (veja quadro).
A Viver Brasil conversou com os coordenadores do Programa Municipal de DST/Aids de Uberlândia e Contagem para entender os motivos que levam a esses números. Em Uberlândia, a assistente social Cláudia Spirandeli inicialmente negou os dados, alegando que Belo Horizonte e Uberaba haviam tido maior crescimento. Um dia depois, com o relatório em mãos (enviado pela reportagem), a coordenadora deu algumas explicações. “Por ser a maior cidade do Triângulo Mineiro e ter qualidade no serviço de atendimento à aids, Uberlândia recebe muitos soropositivos de cidades vizinhas. Outra causa é a penitenciária local e o Centro de Educação Socioeducativa (para menores), responsável pela migração de familiares, dos quais muitos são portadores do HIV. Mas a maior razão é a intensificação da testagem, desde 2003, com o objetivo de diagnosticar o vírus precocemente e encaminhar o paciente ao tratamento.”
A gerente do DST/Aids de Contagem, Luciene Silveira, também justifica o aumento percentual por razões similares. “O período divulgado pelo Ministério da Saúde coincide com a implantação do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) e do Serviço de Atendimento Especializado (SAE), em 1999, que melhoraram a informação sobre a doença e alavancaram o diagnóstico.” Luciene não vê os números com negativismo. “Embora, com o avanço do tratamento retroviral, a população tenha se descuidado em termos de prevenção, o diagnóstico precoce cresceu, o que invariavelmente leva ao aumento percentual divulgado,” raciocina.
Aids x HIV
Fonte: Infectologista Carlos Starling, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia |
Tanto Uberlândia quanto Contagem têm tomado medidas para conter a epidemia. Ambas as cidades promovem palestras em empresas, escolas e entidades religiosas. Uberlândia também distribui preservativos e panfletos em postos de gasolina e zonas de prostituição. O SAE dos municípios conta com equipe diversificada, composta de infectologista, ginecologista, endocrinologista, urologista, pediatra, dentista, nutricionista, psicólogo e assistente social. “Primeiro, fomos procurar os casos. Agora, estamos buscando tratá-los”, diz Cláudia.
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Evolução da AIDSAumento 1. Ananindeua (PA) 380% Queda
Fonte: Ministério da Saúde |
Evolução no tratamentoAno a ano, o tratamento se torna mais confortável, com o lançamento de fórmulas menos tóxicas e mais eficientes. De praticamente fatal, a aids se tornou uma doença crônica plenamente controlável, desde que haja adesão do paciente. No entanto, o diagnóstico e o tratamento tardio ainda são complicadores da doença. “Quem descobre ser soropositivo apenas quando apresenta uma infecção oportunista ou número de células CD4 (linfócitos) abaixo de 50 tem prognóstico muito pior e mais dificuldades para controlar a doença”, enfatiza o infectologista Carlos Starling, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI). No Brasil, um dos melhores serviços especializados de atendimento à aids do mundo, o tratamento é gratuito, feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a infectologista Tânia Marcial, membro da diretoria da SMI, “inicialmente, são usadas três drogas. O médico acompanha o paciente com exames periódicos e verifica se o vírus está replicando. Se ele for detectado no sangue, o coquetel é substituído. Isso normalmente acontece de três a cinco anos, pois o vírus fica resistente ao medicamento.”
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Transmissão do vírusPega
Não Pega
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PreconceitoDiante de tantos avanços da medicina, todos os entrevistados concordam que o maior entrave para os portadores do HIV é o preconceito. O comprador Jaime Alves Ferreira, 35, morador de Contagem, descobriu ser soropositivo em 2001. A notícia caiu como uma bomba para a família. “Meu pai se recusou a me ajudar financeiramente. Movi uma ação contra ele. É uma pena que só consegui pela Justiça aquilo a que tinha direito”, conta. Até hoje, Jaime não conversa com os membros da família que o discriminaram.
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Raio X da AIDS no Brasil
Fonte: Boletim Epidemiológico 2009 do Ministério da Saúde |