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Quinta, 24 de Maio de 2012

Cidade

Grande palco

Espaço cultural de 126 mil m2: essa é a proposta do deputado Rodrigo de Castro (PSDB) para a praça da Liberdade

Texto: Vanessa de Cobucci | Fotos: Nelio Rodrigues/ Pedro Vilela/ divulgação
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A exemplo de famosas praças da Europa, que são palcos para a contemplação, turismo e lazer, livres de trânsito de automóveis, como a Piazza Duomo (Milão), Piazza Navona (Roma), praça do Comércio (Lisboa), Plaza Mayor (Es­panha), a praça da Liberdade, em BH, tem potencial para se transformar em um grande parque cultural a céu aberto. De acordo com projeto apresentado pelo deputado federal Rodrigo de Castro (PSDB) ao governo de Minas e à prefeitura da capital mineira, as principais mudanças envolvem a construção de trincheiras, ruas laterais seriam substituídas por jardins, garagens da sede do Executivo passariam a abrigar um museu do automóvel, e com mais áreas disponíveis, seria possível construir a sede para a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. O Palácio do Governo seria permanentemente aberto à visitação, com documentos e registros dos momentos importantes da política do estado. Outra mudança estrutural unificaria o prédio da Biblioteca Pública com o seu anexo, retomando esboço feito por Oscar Niemeyer em 1954, que resultaria em um grande complexo sinuoso. A previsão é que as obras sejam concluídas até meados de 2012 ao custo de 150 a 200 milhões de reais. Se todas as sugestões forem implementadas, a atual área de lazer da praça da Liberdade seria aumentada em quase seis vezes, saltando dos atuais 22.920 m2 para 126.160.

Gustavo Penna: área privilegiada



Rodrigo de Castro diz que a receptividade ao projeto superou expectativas. “Queríamos levantar uma ampla discussão, pois se trata de um projeto conceitual. Em todos os órgãos e entidades que o apresentamos a receptividade tem sido excelente.” Até o fechamento desta edição, o projeto encontrava-se em fase de pré-aprovação que envolve três partes: elaboração do projeto técnico de engenharia; licenciamento de estudos ambientais e hidrogeológicos, e por fim, estudos topográficos e geotécnicos. A expectativa do parlamentar é de que a licitação seja efetivada no início de fevereiro. De toda forma, o início das obras só ocorrerá depois de novembro, devido a impedimentos legais da Lei Eleitoral.

Professor Paulo da Terra: transformação será positiva



Vale lembrar que, a partir deste mês, começa a entrega gradual dos prédios que formam o Circuito Cultural Praça da Liberdade, projeto de restauro que dá novos usos aos prédios públicos que circundam o local, desenvolvido desde 2003 pelo governo de Minas em parceria com a iniciativa privada. Entre as novidades do circuito, que contempla áreas do conhecimento, arte, cultura, ciência e entretenimento, estão o Planeta TIM UFMG, Museu das Minas e do Metal, Memorial de Minas Gerais Vale, Centro de Arte Popular Cemig, Centro Cultural Banco do Brasil, e o café, construído entre o Museu Mineiro e o Arquivo Público Mineiro.

Tanto o Parque da Liberdade quanto o Circuito Cultural Praça da Liberdade são desdobramentos de um projeto antigo, batizado de Es­pa­ço Cultural da Liberdade, que o então senador Francelino Pereira apresentou, em 1997, ao governador Eduardo Azeredo e ao prefeito Célio de Castro. “Fiz um discurso no Senado sobre o projeto, pois Belo Horizonte celebrava seu centenário e merecia receber um presente à altura, que ficasse para a posteridade”, explica o político. Na época, a falta de verbas nos cofres públicos do estado não possibilitou que o projeto fosse colocado em prática, o mesmo se repetiu no governo Itamar Franco.

Perspectiva do projeto: construção de jardins, museus e trincheiras



Para o professor Paulo da Terra Caldeira, integrante do curso inédito de museologia da UFMG, é muito positiva a transformação de espaços públicos em museus e centros culturais. “Veja o exemplo do Museu de Arte e Ofícios, na praça da Estação. É magnífica a interação da estação com o museu, com as pessoas,” pondera. Segundo o especialista, Minas Gerais é hoje o estado que concentra o maior número de museus e o mais conceituado cur­so de restauro da América Latina. “Não basta inaugurar novos espaços. É preciso desenvolver atividades educativas com a comunidade para atraí-la para esses locais, um trabalho que deve começar nas escolas e se estender a todas as faixas etárias”, aconselha.

O arquiteto Gustavo Penna, 59 anos, destaca que projetos urbanísticos e adaptações de construções históricas devem fundamentalmente respeitar a tradição e a história de um povo. Para ele, as intervenções são necessárias, pois a maior parte das edificações antigas não comporta as exigências da contemporaneidade, porém, bom senso é fundamental. “A harmonia arquitetônica propicia ao cidadão o sentimento de gentileza, de cuidado com seu próprio patrimônio.” O arquiteto destaca que projetos como o Circuito Cultural e o Parque da Liberdade são sempre bem-vindos. Se o progresso, por um lado, tornou-se ameaçador a pedestres, é hora de readequar o uso do espaço urbano. “A praça é espetacular, com suas construções quase simétricas. Uma área privilegiada.”