O pagode, o axé e as dançarinas popozudas expulsaram o rock brasileiro da grande mídia. A crítica vem do cantor Kiko Zambianchi, autor de canções como Rolam as Pedras e Primeiros Erros, que marcaram a década de 1980. “Fico até agradecido por me entrevistar porque as pessoas preferem hoje o silicone da Mulher Melancia”, diz por telefone de São Paulo, onde mora. Aos 49 anos, Kiko conta que acaba de se dedicar à trilha sonora de um filme, está produzindo banda de reggae e novo disco. “Componho também bastante. No ano passado, 10 músicas de minha autoria tocaram em novelas e seriados. E ainda faço shows pelo Brasil”, diz. No entanto, nada que se iguale aos anos 80, quando lotava teatros e estádios e era atração nos programas de TV. “O problema é que no Brasil, hoje, está difícil concorrer com mulher pelada”, lamenta. Para Kiko, o país sempre tendeu a cair na breguice e isso se acentuou nos anos 90. Mas, se por um lado fica triste com a qualidade do axé e do pagode, por outro se sente realizado com tudo que produz e já produziu. “Onde estão as dançarinas dos anos 90? De muitas, ninguém se lembra. Mas do meu rock, o do Ira! e do Paralamas ninguém se esqueceu. Eles continuam aí.”