Já dizia o poeta Mário Quintana: "A arte de viver é simplesmente a arte de conviver... simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!". É verdade. Dividir o mesmo espaço nunca foi tarefa fácil. Que o digam aqueles que, por motivos variados, optaram por morar em grandes condomínios de prédios e compartilhar com centenas de vizinhos o elevador, a garagem, a mega área de lazer, o salão de festas. É preciso uma boa dose de tolerância e respeito ao próximo. E muita (mas muita mesmo) educação.
Uma receita que a fisioterapeuta Andrea Lucena Sales segue à risca. Ela mora com o marido num condomínio de quatro prédios que soma, ao todo, 264 apartamentos. Para usufruir sem problemas da área de lazer, que além dos itens tradicionais conta com academia de ginástica, churrasqueira e quadra de squash, só mesmo com muito senso de cidadania. “Só há confusão quando um invade o espaço do outro”, diz ela.
Para que isso não aconteça, o condomínio, que é administrado por uma empresa especializada, tem suas estratégias. “Atleticanos e cruzeirenses contam com salas de televisão separadas para assistir aos jogos”, diverte-se Andrea. A fiscalização das áreas comuns também é reforçada. Da garagem à piscina, todos os espaços disponíveis para uso coletivo contam com um funcionário para evitar abusos e garantir que os moradores sigam as regras.
Mas nem todo lugar funciona dessa forma. "O desafio dos grandes empreendimentos que agregam cada vez mais serviços e opções de lazer é administrar as pessoas", salienta a consultora condominial Lucélia de Andrade Cardoso.
E coloca desafio nisso. Olhando para os lançamentos mais recentes das construtoras, a impressão que se tem é de que a tendência de verticalização chegou ao seu ponto máximo. Há condomínios em Belo Horizonte que chegam a ter mais de 300 apartamentos e média de 1.200 moradores. "São ajuntamentos de pessoas com temperamentos e interesses diferentes", lembra Lucélia.
|
Uma boa dica é contratar síndico profissional em vez de eleger um morador. “Isso evita que a pessoa sofra os desgastes inerentes à função e perca o prazer de viver ali”, reforça Lucélia.
|