Ele é o presidente da toda poderosa Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Foi um dos responsáveis pelo fim da CPMF, comandando uma campanha que mexeu com os brasileiros e movimentou, diretamente, mais de um milhão e meio de pessoas. Agora, por meio do Sesi e do Senai paulista, está envolvido numa outra grande batalha: oferecer, a mais de cem mil crianças e jovens, ensino de qualidade em tempo integral em 211 escolas do sistema. Projeto ousado, que o estimulou a buscar voos mais elevados, fora da representação classista. Paulo Skaf está filiado ao PSB e poderá ser o candidato do partido ao governo paulista. Ele é otimista quanto ao desenvolvimento de nossa economia, defende a urgência das reformas estruturais e prevê muitas surpresas nas eleições de 2010. Para ele, o povo quer mudanças.
Queria começar nossa conversa tratando de um assunto ligado à sua liderança empresarial. Quem será o novo presidente da Confederação Nacional da Indústria, a CNI?
Vamos ter um mineiro que é o Robson Andrade. Evidentemente as eleições ainda não ocorreram, mas há um entendimento entre nós para que o Robson suceda o Armando Monteiro. Ele tem a disposição para enfrentar o desafio e o apoio dos demais companheiros, daqueles que decidem.
Seu nome chegou a ser colocado para o cargo. O senhor trocou a CNI pela política partidária?
Nunca pretendi o cargo e, portanto, não teria como trocar nada. Eu tenho até que agradecer aos companheiros que falaram que eu tenho o perfil para a presidência da confederação, mas sempre disse a eles que não estava nos meus planos. Primeiro porque tenho a possibilidade de me eleger para um novo mandato na Fiesp, permanecendo até 2015 e também por estar muito feliz com o trabalho que venho realizando na federação, no Ciesp, Sesi e Senai.
E a filiação partidária?
Estou há vários anos em entidades de classe, com dois mandatos na Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção, no Sindicato da Indústria Têxtil de São Paulo, um mandato no Sebrae-SP e na Fiesp. Fui estimulado a aceitar uma filiação partidária, que não significa, obrigatoriamente, uma candidatura. Chega um momento em que você deve procurar novos desafios e, por isso, me filiei a um partido político.
Caso não consiga viabilizar sua candidatura ao governo de São Paulo, como está posto, o senhor admite disputar outro cargo, de deputado ou senador, por exemplo?
Não, eu não penso não. Eu estou aqui e muito feliz com as missões que tenho a realizar como presidente da Fiesp. Nós estamos realizando, junto com as outras entidades ligadas ao setor, um grande programa educacional. Estamos reformando 127 das 211 escolas do Sesi para oferecermos escolas em tempo integral às crianças a partir dos seis anos e até o ensino médio que terá, a partir do segundo ano, ensino profissionalizante, criando mão-de-obra altamente qualificada para o país. Estamos implantando faculdades de tecnologia. Então, temos trabalhado muito em defesa do país, mas acho que posso trabalhar ainda mais. Se lá na frente o destino me reservar a missão de disputar o governo de São Paulo, aceito e vou me empenhar pela eleição. O pré-requisito da filiação já cumpri. Se não for para candidatar ao governo, fico aqui onde,repito, estou muito bem.
O senhor fala sempre em educação. Na sua opinião, as falhas de nosso sistema educacional podem ser um gargalo para que o Brasil saia definitivamente da crise e alcance um ritmo forte de crescimento?
Penso que esta crise serviu para mostrar a energia, a vitalidade do Brasil. Não faço, portanto, qualquer associação da crise com nossas questões, especialmente educação. Ela veio do sistema financeiro internacional. Mas independente da crise, nós temos uma série de outras crises: na segurança pública, na educação, nas drogas, na saúde. Precisamos estimular não a exportação de commodittes, mas de produtos inovadores, agregando valor. E isto está, sem dúvida, ligada à educação. Daí por que defendo a escola integral, com ensino profissionalizante, no ensino médio, dos 6 aos 18 anos.
Como fica o setor exportador com a desvalorização do dólar?
A vitalidade de nossa economia fez com que o Brasil seja o único país no mundo a apresentar aumento de investimentos estrangeiros em 2009. Isto também pressiona a desvalorização do dólar. Então, o que pode ser bom de um lado, pode ser ruim de outro, porque o dólar barato, barateia artificialmente as importações e encarece artificialmente as exportações. Então o exportador, por estas duas razões, o câmbio e a crise em seus compradores, este ano não se recupera, mas eu creio que em 2010, com os sinais de melhora que a gente vê no mundo, este setor que ainda falta sair da crise, vai se recuperar, com a retomada do desenvolvimento de seus compradores.
Como chegar a um crescimento sustentável sem a realização das reformas estruturais? Algumas delas são, certamente, impopulares. O senhor acha que alguém terá a coragem, substituindo o Lula bonzinho, de patrocinar medidas duras, mesmo que necessárias? Há escala de importância nesta reforma? Não é muita coisa para um Congresso que, historicamente, não tem conseguido fazer as coisas andarem? Feitas as reformas, é possível o Brasil crescer a que taxas? A crise, na opinião do senhor, mostrou a necessidade de um estado mais forte? Recentemente o presidente Lula iniciou embate com o setor produtivo, Há um quadro de candidaturas à Presidência colocado. Há dois discursos nesta disputa. Quanto ao tamanho do estado de um lado e a qualidade da gestão pública de outro. Como o senhor vê esta discussão? Ela preocupa? |