Jornalista e apresentadora de TV, Leila Ferreira, 56 anos, se dedica à finalização de mais um livro, depois do sucesso de Mulheres: Por que será que elas...?, em que aborda a condição feminina. Para concluir a obra, prevista para sair em abril próximo pela Editora Globo, a jornalista se refugiou em Araxá, sua terra natal. O exílio lhe custou uma pausa nas palestras que faz pelo país – a última delas, na loja M&Guia, no Pátio Savassi, em novembro, atraiu grande plateia. Engajada em questões ligadas ao universo feminino, ela falou à Viver Brasil sobre novos projetos, além – é claro – da dor e delícia de ser mulher.
Qual tema abordará no próximo livro?
O livro vai falar sobre a leveza e abordará temas como gentileza, bom humor, simplicidade e desaceleração – tudo aquilo que acrescenta qualidade à vida e que tem sido tão subestimado. O título provisório é Leveza. Mas, para que a previsão se cumpra, vou precisar da ajuda de todos os santos. Escrever sobre a leveza, quando o tempo de que se dispõe é curto, ironicamente pode virar um peso...
Qual opinião tem sobre as mulheres da atualidade?
Estamos no meio do caminho.
Já não somos as mulheres de antigamente (longe disso...), mas ainda estamos divididas entre velhos e novos valores, os velhos e os novos papéis. Uma autora americana brincou que era mais fácil acabar com a miséria no mundo, erradicar o analfabetismo e tirar o Fidel Castro do poder em Cuba do que fazer com que as mulheres perdessem a vontade de casar.
O romantismo feminino resiste a qualquer revolução de costumes...
o que eu não acho de todo ruim.
Mas, com as mudanças comportamentais, muitas assumiram jornada tripla...
Acho que as conquistas foram muitas e expressivas. Mas o excesso de responsabilidades está tirando das mulheres a possibilidade de desfrutar dessas vitórias. Esse é o grande nó da questão feminina: mulheres que vão dormir exaustas diariamente depois de cumprir infinidade de tarefas podem ser tudo – menos pessoas livres. E não era justamente a liberdade que nós mais queríamos quando decidimos reinventar nossos destinos?
Nas palestras, percebe quais são os principais anseios femininos?
Tenho viajado por este país todo, conversado com mulheres de todas as faixas etárias, níveis culturais e sociais. Posso afirmar, sem medo de errar, que as mulheres querem hoje é uma vida mais leve: com menos cansaço, pressão, cobranças (inclusive delas próprias) e mais espaço para descontração, prazer e alegria. Isso inclui a possibilidade de subir na balança sem medo de ter engordado, o que hoje equivale a ter cometido um crime. Poder comer uma fatia generosa de torta de chocolate ainda é um sonho proibido para a maioria das mulheres que se dizem livres.